Eu escolhi ser mãe solteira

Eu escolhi ser mãe solteira

Eu tive um namorado por alguns meses e fui eu quem terminei o relacionamento. Não era o que eu queria, não me sentia mais eu mesma. A relação me aprisionava: ciúmes sem motivos, cobranças demais. Ele me afastava dos meus amigos e ficava irritado quando eu não fazia o que ele queria. As minhas relações sempre foram assim: eu sempre escolhi os piores homens por sempre achar que eu era incapaz de encontrar um cara legal. Sempre tive baixa auto estima, muita insegurança e acabei pagando caro por isso. 

Descobri que estava grávida depois do fim do namoro. Sou jovem, estou na faculdade, não tenho uma situação financeira estável. Fiquei desesperada. Ele prometeu me apoiar, mas queria reatar. Só que eu não ia viver numa mentira por causa de um filho. Ele não aceitou a minha recusa e desde então tenho que suportar os chiliques, crises e chantagens emocionais dele.

Passei a gravidez ouvindo acusações de que eu seria a culpada por não proporcionar uma família feliz para nossa filha. Ele me procurava chorando e reclamando que seria ''pai solteiro’’. Não aguentava ouvir isso, estava com preocupações bem maiores na cabeça (como, por exemplo, parto, exames, gastos, conseguir terminar a faculdade). O meu mundo estava caindo, uma criança estava chegando e ele preocupado apenas com ele.

As pessoas não entendem os meus motivos para não querer ficar com o pai da minha filha, já que ele demonstra ser ''tão legal e querido’’. Mas se você for olhar de perto, ele tem uma personalidade bem complicada. Ele não respeita o fato de que termos uma filha juntos, não significa que estou sobre o domínio dele. Tenho o direito de querer ser mãe solteira.

Ele visita a filha, mas é sempre desgastante. Ele arruma briga por coisas mínimas e diz que vai fazer o que quiser na minha casa pois é o ‘’pai’'. Só que ele não se preocupa com vacinas, médicos, fraldas, nunca pergunta sobre essas coisas. A maior parte dos gastos ficaram e ainda ficam comigo. Ele não trabalha, só estuda, vive na academia. A mãe dele diz que eles não têm a obrigação de ajudar meio a meio pois ''não somos casados''. 

Além de tudo isso, passei por momentos terríveis de culpa, desespero. A privação de sono e perda da liberdade me consumiram. Chorei diversas vezes com meu bebê no colo me sentindo a pior das mães. Como eu fui fazer isso? Porque não me preveni de maneira mais eficaz? Tinha medo de não amar meu bebê. Cadê aquele amor incondicional que todos diziam? Ele não aparecia, e se nunca aparecesse o que eu faria? E se minha filha me odiasse um dia? 

Planejei que teria um filho apenas com um homem que eu amasse e quando eu estivesse bem financeiramente. E eu fiz tudo ao contrário. Tudo o que eu queria era alguém especial que me abraçasse e me achasse linda apesar dos defeitinhos que a maternidade deixa no corpo. Sinto uma enorme falta de sexo e de carinho. Como encontrarei alguém?

Os homens não olham para mulheres com crianças. Eles imaginam que ela é comprometida e a mulher quando segura uma criança ou vira mãe, é dissociada da imagem de ''mulher sensual''. Há quem acredite que a realização de uma mulher é ser mãe, nada mais é necessário, o que obviamente não acho verdade. Eu também estou com dificuldades de lidar com isso, às vezes eu não sei como agir diante dos homens agora que sou mãe. A culpa não é totalmente deles. A maneira como eu me posiciono também atrapalha. Como diz a minha psicóloga: ''se eu estiver confiante no papel de mãe e mulher passarei aos outros essa confiança’’. Mas é difícil ainda.

Meu bebê dorme bem, é sorridente e está com um ótimo desenvolvimento. Me considero uma mãe dedicada. O amor entre nós está sendo construído, com muito carinho e cuidado, assim como a minha auto estima também está sendo (re)construída pouco a pouco. Minha filha está me ajudando a me enxergar. Voltei a estudar e estou emagrecendo. A solidão ainda dói, muitas amizades sumiram, muitos homens viram a cara. Mas estou disposta a refazer a minha vida e com a terapia tento entender tudo o que me aconteceu. Quero conseguir tomar decisões melhores daqui pra frente com a minha filha ao meu lado.

 

Esse texto foi enviado por uma leitora e editado para a coluna Mães Anônimas. Agradecemos nossa leitora pelo seu depoimento.

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