Futuros papais podem sim ter sintomas de gravidez

Futuros papais podem sim ter sintomas de gravidez

Uma amiga grávida me contou que o marido está tendo sintomas de gravidez. Como assim? Além de enjoos, outro dia ele acordou desesperado para comer coxinhas e numa outra noite desejou como nunca jantar uma boa paella.

Outra amiga, que tem um bebê de quatro meses, também me disse que na gravidez dela, o marido ficou tão sensível quanto ela. Eles sempre usaram aqueles odorizadores de ambiente, que ficam plugados na tomada, para deixar a casa cheirosa. “Era sempre a mesma fragância e ele nunca falou nada. Mas um dia ele chegou em casa dizendo que aquele cheiro estava dando dor de cabeça nele e o estômago estava mal”, explicou ela. A solução foi jogar tudo fora.

Pois se o seu marido teve ou tem este tipo de comportamento, não fique achando que é graça ou frescura. O que muitos homens apresentam quando suas companheiras estão gravidas é chamado de Síndrome de Couvade - uma manifestação involuntária que atinge muito mais futuros papais do que a gente imagina. Mas, segundo os estudioso, muitos homens sentem vergonha de admitir estes tipos de reações. A palavra “couvade”, usada para dar nome à sindrome,  foi cunhada pelo antropólogo inglês Edward Tylor, em 1865, ao se referir a certos rituais que os pais em diversas culturas adotavam durante a gravidez da mulher.

Todos estes sintomas físicos e psicológicos "relacionados com a gravidez", que incluem ainda alteração de peso, ansiedade, variação de humor, falta de concentração, distração e perda de memória, foram confirmados em um estudo, realizado no St George's Hospital, em Londres. Estes sintomas seguem um padrão cronológico, começando no primeiro trimestre da gravidez, antes de desaparecer temporariamente no segundo e, em seguida, reaparecendo no trimestre final. E podem até mesmo se estender para o período depois que o bebê nasce.

De acordo com uma reportagem publicada no Washington Post, uma série de teorias tem sido proposta para explicar a Síndrome de Couvade. Dentro da psicanálise a explicação é de que ela se desenvolve por causa da inveja do homem sobre a capacidade reprodutora da mulher. A teoria também propõe que para o parceiro do sexo masculino, a gravidez atua como um catalisador para o ressurgimento de conflitos edipianos e para a regressão do homem aos sentimentos da própria infância. Uma segunda teoria psicanalítica propõe que os futuros pais podem, por vezes, ver o bebê como um rival pela atenção da mulher.

Segundo os especialistas, a transição da díade (duas entidades vinculadas, como homem-mulher) para uma tríade (grupo de três)  constitui um dos períodos mais difíceis para o homem. Isso pode ser agravado pelo fato de que os homens não têm quaisquer alterações físicas que reforçam a sua realidade. Eles não têm os marcadores biológicos de transição para virar pai como existem na mulher para virar mãe. Com tudo isso acontecendo, não é surpresa vermos algumas consequências psicológicas.

Existe até a possibilidade da síndrome ter relação com os hormônios, ainda que não existem muitos estudos a respeito. Até o momento apenas dois estudos (realizados entre 2000 e 2001) têm base na questão hormonal para a síndrome. Os resultados de ambos indicaram um aumento significativo nos níveis dos hormônios estrogênio e de prolactina dos homens no primeiro e terceiro trimestres de gravidez da companheira, e níveis mais baixos de testosterona e cortisol.

Uma das conclusões sobre a Síndrome de Couvade é que os homens que estão mais envolvidos na preparação para o seu papel de pai, como a participação nas aulas de pré-natal por exemplo, estão mais sujeitos a serem atingidos pelos sintomas. Ou seja, quanto maior o nível de apego, maiores as chances de desenvolver a síndrome. 

E na sua casa, como foram (ou estão sendo) as reações dos futuros papais? Tem alguém por aí, além da grávida, dando trabalho? Conta pra gente!

 

Fabiana Santos é jornalista, mora em Washington-DC e é mãe de Felipe, de 10 anos, e Alice, de 3 anos. Que ela se lembre, mesmo participando ativamente dos preparativos para a chegada dos filhos, o marido não teve nenhum sintoma de gravidez.

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