Cinderela e suas lições de otimismo para a vida

Cinderela e suas lições de otimismo para a vida

Fui ver Cinderela nesse último final de semana com a minha filha, a melhor amiga e a mãe dela. Olha que sorte a minha: a mãe da melhor amiga da Maria é tão legal que dá até para ir ao cinema com ela.  Nós quatro amamos o filme, mas devo confessar, que é provável que eu, romântica incorrigível, tenha gostado mais até do que as meninas. 

A história todo mundo conhece e o roteiro é bem fiel ao que a gente escutava na infância. Claro que vai ter gente reclamando que a Disney poderia ter aproveitado a oportunidade e ter dado uma atualizada no roteiro para ficar mais de acordo com a agenda socio-cultural atual. Mas eu gostei de ver o filme como ele é - um conto de fadas, nada mais do que isso. Sinceramente, eu não acho que ver o príncipe salvando a Cinderela do seu destino de gata borralheira, vai fazer minha filha virar uma mosca morta. 

Aliás, muito pelo contrário, eu acho que com tanto positivismo, se a Cinderela não tivesse encontrado o príncipe, algum outro jeito ela ia dar na vida dela.  Poxa, vamos combinar que a mocinha é a resiliência em pessoa - mãe morreu, pai morreu, família faliu, não vai ganhar vestido novo - tudo acontece de ruim e a Cinderela vai se adaptando sem nunca perder o otimismo. Além disso, existem várias cenas e detalhes que fazem esta versão da gata borralheira muito mais bem humorada e forte do que a do desenho animado original. Por exemplo, quando ela se irrita com as irmãs e a madrastra malvada, e sai galopando com os cabelos ao vento, super selvagem, montada em um cavalo sem cela.  Uau, Cindy!

Enfim, assistir Cinderela foi ver aquele conto de fadas da minha infância materializado num filme super bem produzido. O figurino é lindo, os efeitos especiais bacanérrimos (sim, é perfeitamente possível transformar abóbora em carruagem) e os atores estão ótimos nos seus papéis. Cate Blanchett como a madrasta, é claro que ia dar certo, mas até Lilly James com seu jeitinho encantada pela vida está bem. 

Além disso, sem ser moralista chata, o filme está cheio de frases de efeito para alegrar nossos corações. Aqui deixo para vocês as frases mais fofas do filme, que podem ser muito bem aplicadas à vida real. Espero que ao assistir essas passagens, brote um sorrisinho no seu rosto, assim como brotou no meu. Afinal, quem não precisa de uma dose extra de otimismo e romantismo de vez em quando?

- "Have courage and be kind" - Antes de morrer a mãe da Cinderela diz que aconteça o que acontecer era para a filha ser corajosa e gentil. E sempre quando não sabia como agir, Cinderela repetia o mantra para si mesma. Nada mal para os dias atuais, né?

- Quando o príncipe está caçando um alce e Cinderela tenta proteger o animal, ele explica que está fazendo isso porque é isso que se faz quando se caça. E aí Cinderela dispara: “Just because it’s done, doesn’t mean it should be done.”  Falou tudo!

- Cinderela vê o mundo como ele pode ser e não como ele é ("not how it is, but how it could be").  Menina esperta - pensamento positivo é tudo nesta vida, Cinderela!

- A mãe da Cinderela diz que acredita em tudo: "I believe in everything" e a filha responde: “Well then, I believe in everything” - Fica a dica: assegure-se de que você está acreditando em boas coisas, porque muito provavelmente seus filhos vão acreditar no que você acredita.

- "Magic, believe in magic" - Sim! Aqui Cinderela, eu e o Gilberto Gil estamos totalmente de acordo: mistério sempre há de pintar por aí.

- Quando um homem (não entendi bem quem ele era) chega para dar a notícia de que o pai da Cinderela morreu, ele está encharcado, morrendo de frio e super abalado e, antes de ter seu próprio chilique, Cinderela reconhece o quanto deve ter sido difícil para ele trazer aquela notícia. "Thank You. That must have been very difficult to you"  - Isso tem um nome: o mundo não roda em volta de nós mesmos. Empatia, minha gente. 

- Cinderela não tinha muitos amigos, mas os que ela tinha ela tratava com generosidade (“she treated with an open heart and an open hand.”  Tem coisa mais bacana do que ser generosa com nossos amigos?

- Mesmo triste, seu espírito, sua natureza não estava quebrado. "The spirit can’t break, it can’t." Olhe para dentro de você mesmo, até nas horas mais difíceis da sua vida, tem uma luzinha brilhando lá no seu coração, não tem?

Depois de tudo o que a madrasta aprontou para cima da Cinderela, a última frase dela para a jararaca é: "I forgive you." Quem foi mesmo que disse que ela é uma mosca morta?!

- "To be seen as we truly are, is the biggest risk we will ever take. Will we be enough as we really are?" Medo!  Mas fazer o que? Não adianta tentar entrar em outro sapatinho de cristal.

E para finalizar aqui alguns trechinhos do diálogo final entre o príncipe e a Cindy:

-  Who are you?

- I have nothing. I am nothing, but who I am.” 

- Will you take me as I am?

- Of course, I will. But only if you will take me as I am.

- Shall we?

-Yes, we shall.

Ah! Fala sério... sou só eu que passei por lavagem cerebral romântica na infância, ou não é para amar Cinderela? Bom... de todas maneiras o filme é uma boa pedida para quem quer fazer um programa com a filhota e não tem ambições maiores do que sair do cinema com o mesmo efeito provocado por uma comédia romântica água com açúcar.


Camila Furtado é mãe da Maria, de 6 anos, e do Gael, de 3 anos. Ela tem certeza de que a filha curtiu o programa meninas com a mamãe, mas tem a sensação de que a coisa que a Maria mais gostou de tudo foi assistir o trailer do Frozen 2. 

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