A trabalheira na hora de dar jantar, banho e colocar pra dormir

A trabalheira na hora de dar jantar, banho e colocar pra dormir

“Mais uma história, por favor”, “Agora estou com fome“, “Não entrei no banho ainda”, “Eu não estou conseguindo dormir”, “Fica aqui no quarto comigo”, “Você pode pegar um copo d’água?”. Estas são frases retiradas do meu cotidiano no horário da noite, ditas pelos meu filho, de 10 anos, e minha filha, de 4 anos. Eu sempre admirei as cenas que vejo nos filmes (e que eu sei que existem na vida real) de pais que dão boa noite, apagam a luz e ainda fecham a porta do quarto. Sempre achei isto incrível. 

Se você fica a beira de uma ataque de nervos quando tem que dar jantar, banho e colocar filho pra dormir saiba que você não está sozinho. O nível de estresse de outros pais também está acima da média nestes momentos.

Um estudo feito por uma companhia de seguros entrevistou 1.012 pais britânicos e foi divulgado pelo jornal The Indepedent. A pesquisa calculou que os pais gastam um total de 177 dias - quase seis meses - de suas vidas para alimentar, dar banho, bem como lutar para colocar na cama os filhos de até 10 anos de idade.

Um em cada seis pais disse na pesquisa que o banho é a parte mais difícil. E um em cada 4 alega que chega a passar até uma hora com os filhos para que eles peguem no sono. Muitos dos pais pesquisados relataram viver um pesadelo porque a criança não quer a comida do jantar ou se recusa a acabar de comer. 

No meu caso, eu tento estabelecer rotina, mas nada é tão simples. As vezes consigo, algumas vezes me frustro. Eu nunca fui adepta de livros como  “Nana nenê”. E antes que me venham com julgamentos, eu preciso dizer que sempre respeitei esta linha de criação de filho, mas pra mim nunca funcionou deixar meus filhos chorando em berço. Teve uma época que eu juro que até tentei, mas meu coração mole não suportou. 

O que eu fico de certa forma satisfeita ao ver pesquisas como esta é que mundo afora existem famílias normais iguais a minha e a sua. Umas com mais dificuldades, outras com menos. Umas que vão dizer “meu filho sempre dormiu como um anjo, mas é difícil pra comer”. Outras que tentam todos os tipos de mantra para fazer a criança ter sono mas pelo menos ela come super bem.  Umas famílias nas quais o banho é pura diversão e outras que parecem estar submetendo o filho a uma verdadeira tortura tamanha a birra debaixo d’água. E muitas famílias que vão concluir que dependendo da fase da criança as coisas mudam radicalmente, do tipo: “puxa, sempre raspou o prato e agora está enjoado pra comer”.

É claro que pra tudo existe jeito de buscar ajuda: consultar o pediatra, alguém mais experiente com filhos da mesma idade num grupo da rede social, apelar para o que a vovó pensa sobre o assunto (ainda que muitas mães não gostem da intromissão), trocar ideia com outra mãe no parquinho (que não tenha perfil de “dona da verdade”), ler livros de auto-ajuda materna (ou até blogs sobre maternidade como o nosso… risos).

Mas pra mim o mais importante é não se sentir um fiasco como mãe ou pai. Com aquela sensação de “socorro se alguém descobrir que eu não estou dando conta”. Porque a gente não dá conta de tudo mesmo. Cada vez mais eu acredito que mãe e pai são bichos em constante experimentação dentro do laboratório da vida. 

 

Fabiana Santos é jornalista, mora em Washington-DC com o marido e os filhos, Felipe e Alice. Ela terminou este texto depois de contar uma história para Alice e ficar aguardando que ela pegasse no sono, como faz todas as noites. Desta vez Alice dormiu em menos de 10 minutos.

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