7 perguntas para Grace Barbosa, fundadora de uma cooperativa de mães

7 perguntas para Grace Barbosa, fundadora de uma cooperativa de mães

Hora da Dança na Cooperativa das Mães (Arquivo Maezíssima)

Hora da Dança na Cooperativa das Mães (Arquivo Maezíssima)

Quando chegou o fim da licença maternidade, um grupo de mães de Curitiba estava passando pela mesma dúvida cruel que todas as mães que trabalham fora passam: com quem meu filho vai ficar agora? Duas eram do mesmo bairro, outras se conheceram em reuniões de mães e grupos de apoio nas redes sociais. Entre elas estava Grace Barbosa, jornalista, blogueira do Maezíssima e assessora de imprensa. Em comum estas mães não queriam deixar os filhos nem com babás, nem em creches. Assim, em 2013 elas criaram a Cooperativa de Mães. Elas não são uma cooperativa formalizada, o nome é uma forma carinhosa de demonstrar que unidas elas encontraram um jeito de cuidar dos filhos mesmo trabalhando fora. Grace, que é mãe de Júlia, hoje com 3 anos, explica nesta entrevista como as coisas funcionam. 

1-Vocês tiveram inspiração em alguma cooperativa já existente fora do país?

Sim, nossa inspiração foram as creches parentais que já existem na França, Holanda, Portugal, etc. Queríamos um cuidado mais próximo, individualizado, com liberdade e a baixo custo.  

2-A escolha por montar uma cooperativa se deve também a questões financeiras? Qual o custo da cooperativa comparado a uma babá ou escolinha?

Sim, existe a questão financeira sim. Aqui em Curitiba uma escola de bom padrão está em torno de 800 reais. Já os nossos gastos ficam em torno de 400 reais. Porém existem sim, creches com esse valor. Mas aí a questão não é mais o valor, mas a forma de cuidado oferecido.  

3-Nas questões práticas, quais são as regras? Quem toma conta das crianças? Quantas crianças estão na cooperativa hoje? Qual linha pedagógica vocês seguem?

Grace Barbosa (arquivo pessoal)

Grace Barbosa (arquivo pessoal)

Todo o dia um mãe toma conta das crianças com ajuda de uma cuidadora. Montamos as regras de forma coletiva, conforme nossas próprias demandas. Hoje estão 4 crianças. O local é um espaço no fundo da casa de uma das participantes. Nos cuidados coletivos, tudo é combinado e acertado entre as mães. Também não existe uma única linha pedagógica. Acreditamos muito no livre brincar e no tempo da criança ser criança.  

4-Você acha que este tipo de iniciativa funciona para que tipo de mãe? Porque afinal de contas, a mãe envolvida numa cooperativa vai ter que trabalhar nela, não é?

Exatamente, não é para todo tipo de mãe. A cooperativa vira mais um emprego, com obrigações, pesquisa, responsabilidades, etc. Existem mães que não se encaixam. E tudo bem, isso não é um problema nem da mãe, nem da cooperativa. 

5-Qual o retorno que vocês recebem das próprias crianças sobre frequentarem a cooperativa. Elas se sentem felizes, mais seguras, convivem bem entre si? 

As crianças ficam muito próximas e existe uma cumplicidade muito bonita entre elas. Também existe uma afeto de mãe com todas as mulheres envolvidas. É comum as crianças chamarem a mãe cuidadora do dia de mãe, mesmo não sendo sua mãe biológica. 

6-Qual a diferença entre o trabalho que vocês estão fazendo e o que já existe em comunidades carentes pelo Brasil, onde as mães vão trabalhar e uma vizinha, muitas vezes também mãe, toma conta das crianças? 

Realmente acho que não é novidade. No fundo somos mães que precisam de ajuda com os filhos num determinado período do dia e por isso se aproximam. Tornando-se, claro, mais próximas uma das outras. Viramos uma família.  

7)Diante da sua experiência, qual conselho você daria para um grupo de mães interessadas em começar uma cooperativa?

Comecem com coragem, com coração aberto e amor pelas crianças. Todo o resto se resolve. O esforço vale a pena.  

A turma que não "se adaptou" a ter uma aluna negra: uma denúncia de racismo!

A turma que não "se adaptou" a ter uma aluna negra: uma denúncia de racismo!

A diferença entre uma mãe checa e uma mãe brasileira

A diferença entre uma mãe checa e uma mãe brasileira