5 coisas para pensar antes de entupir o quarto do seu filho de brinquedos

5 coisas para pensar antes de entupir o quarto do seu filho de brinquedos

Eu não sei se eu sou a pessoa certa para escrever esse post. Para mim, sempre foi muito difícil não comprar muitos brinquedos para os meus filhos, e até pouco tempo atrás o quarto deles estava literalmente entulhado.

Eu sempre fui meio mão aberta mesmo, e não resisto à carinha de felicidade dos meus filhos quando eles ganham uma coisa nova. Ainda em minha defesa, brinquedo, aqui na Alemanha, é infinitamente mais barato que no Brasil. É a maior tentação! 

Porém, como parte de meu projeto de vida de lutar contra o consumismo desnecessário e maléfico que insiste em brotar em mim como uma erva daninha, desenvolvi alguns raciocínios para convencer a mim mesma que os meus filhos não precisam de mais coisas. Aqui, exponho alguns deles, na tentativa de que talvez possam fazer sentido e ajudar quem também está prestes a sucumbir à próxima provocação da indústria dos brinquedos.

1. Menos é mais. O que acontece se seu filho estiver brincando com o kit Lego Bombeiro e - para "realizar um salvamento" - precisar de dois bombeiros quando só tem um? Ele vai para de brincar? Não! Ele pega a princesa do kit Lego princesa da irmã dele, tira sua saia e como num passe de mágica, a transforma em personagem da outra história. Sim, ter menos brinquedos muitas vezes força as crianças a serem criativas e inventarem brincadeiras com o que elas têm disponíveis. Outro dia eu estava vendo um documentário infantil com minha primogênita sobre o furacão Yolanda, nas Filipinas. Mostraram um menino procurando o skate dele nos escombros da casa. Quando consegue achar, vemos que era na verdade uma tábua, com duas rodas acopladas de um jeito superimprovisado. A história é triste, claro, mas a Maria ficou maravilhada com a capacidade do menino de fazer um skate daqueles. E, pensando bem, ela tem razão. Tem coisa mais bacana do que inventar seu próprio brinquedo? A gente tem que confiar mais na criatividade e na fantasia dos nossos filhos.

2. A mágica será estragada. Li outro dia a seguinte história: um menino tinha um caminhãozinho azul, que amava sobre todas as coisas. Nenhum outro brinquedo o interessava tanto, era o caminhão que ele levava para todos os lugares, um verdadeiro xodó. A mãe, tocada com o amor do filho, resolveu comprar mais três caminhõezinhos: um verde, um amarelo e um vermelho. Depois de uma euforia inicial, a mulher se deu conta que o menino deixou todos os caminhões de lado, e então perguntou para o filho: "O que acontece? Você não gosta mais de brincar de caminhão?" E ele respondeu: "Mamãe, eu não consigo amar tantos caminhões de uma só vez". Ok, dificilmente, seu filho de 4 anos virá com uma explicação poética como essa, mas a verdade é que brinquedo demais sobrecarrega as crianças. Elas não sabem o que fazer quando veem coisas demais. Minha filha, por exemplo, ama desenhar e pintar, e seguindo essa linha compramos para ela um monte de cadernos de colorir. O primeiro foi mágico, o segundo menos, para terceiro ela nem olhou... Melhor teria sido se eu tivesse deixado ela pintar até a última página do primeiro antes de a presentear com o segundo.

3. Gratidão, gratidão, gratidão. Sinceramente, como as crianças vão se sentir gratas pelo que têm, se tudo for tão fácil? Meus filhos me veem pedindo uma coisa pela internet e - como num passe de mágica - ela parece na nossa porta em dois dias. Nem o trabalho de ir à loja escolher, comparar os preços a gente tem mais. Claro que toda essa comodidade é maravilhosa, mas você lembra como as coisas eram mais difíceis na nossa época? Eu me lembro até hoje do dia em que ganhei uma bicicleta azul, usada de aniversário. Aquilo me causou uma alegria tremenda, porque passei muito tempo desejando uma bicicleta. Quando completou 4 anos, minha filha ganhou uma bicicleta azul novinha, da melhor marca que existe. A primeira coisa que ela falou foi:  "por que azul e não rosa?" (Resposta: porque seu irmão vai herdar ela em alguns anos)

4. O milagre do brincar sozinho não vai acontecer por causa de mais um brinquedo. Tenho vontade de rir de mim mesma quando me lembro de mim, mãe de primeira viagem, indo toda animada comprar mais um brinquedo para a minha bebezoca, na esperança que ela se entretesse sozinha sentada no tapetinho. Primeiro, ela estava mil vezes mais interessada nos meus brinquedinhos (celular, controle remoto, batom, panela, cabo do computador) do que em qualquer outra coisa. Depois, brincar sozinho não é uma coisa que um bebê costume fazer por mais de 15 minutos. E mesmo mais tarde, quando as crianças já tem idade para se ocupar sozinhas, não é mais um brinquedo que vai despertar essa autonomia. Na minha opinião,  para a criança brincar bem sozinha, ela tem que já ter sacado que seus pais não são eternos animadores de festa mas também não se sentir carente. Claro que uma criancinha que nunca brinca com os pais, vai querer a companhia deles na hora de brincar. Diferente daquele garotinho que sentou com o papai, montou a maior pista de pouso e decolagens, fez 50 mil vôos, mas depois tem que entender que o papai também precisa de um descanso e agora vai ter que pilotar sozinho.

5. E por último, não se engane, né? Mais que qualquer outra coisa, o que nossos filhos querem, é que a gente pegue o brinquedo que eles já têm e brinque com eles. Por mais culpa que a gente sinta se eventualmente não estamos passando muito tempo com as crianças, é preciso admitir que não existe brinquedo que substitua a alegria de poder dizer: "mamãe, agora você é o trem e eu o helicóptero."

 

E você, tem alguma coisa para acrescentar à essa lista? Como é a política de compra de brinquedos na sua casa?

 

Camila Furtado é mãe de Maria de 5 anos e Gael de 3. Ela tem se controlado cada vez mais e deixado os presentes apenas para as datas comemorativas. Às vezes, ela se descontrola e inventa uma razão para dar um presente fora de hora. Ninguém é de ferro, né?

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