A pediatra de UTI Neonatal que experimentou o outro lado da história

A pediatra de UTI Neonatal que experimentou o outro lado da história

Ela poderia ser apenas mais uma mãe, entre tantas, com suspeita de ter os filhos gêmeos antes da hora. Mas a grávida em questão estava justamente no local de trabalho  - uma UTI Neonatal - quando sentiu uma contração. Sendo médica pediatra, ela trabalhava como intensivista de bebês prematuros já havia 8 anos. Depois da tal contração, ela correu para pegar uma calculadora - qualquer outra mulher poderia telefonar correndo para o marido ou obstetra. Mas ela quis calcular e saber com quantas semanas estava exatamente: 26. “O limite mínimo”, pensou ela. “Eles não podem nascer agora”, foi o que concluiu naquele momento a médica/grávida.

A colega obstetra, do mesmo plantão, a examinou e mandou ela ficar de repouso. O obstetra dela veio à noite e pela cara dele, ela teve certeza de que as coisas não estavam tão bem. Ela ficou internada no hospital onde trabalhava. Três dias depois nasceram os gêmeos com 26 semanas e 4 dias. Miguel, com 830 gramas, e Gabriel, com 960 gramas. 

“A sensação naquele momento era um ponto de interrogação”, ela conta. Uma grande preocupação só que elevada ao quadrado. Pois toda a experiência com prematuros passava como um filme na cabeça dela. Ela sabia tudo o que poderia acontecer com eles. Só que “eles”, agora, eram seus próprios filhos. Ela conhecia de cor todos os procedimentos que se seguiriam: entubação, cateterismo umbilical, ventilação mecânica, surfactante para os pulmões…

Mas para se proteger, ela teve que ignorar o conhecimento que tinha. Ela confiou nos colegas médicos. “Eles estão nas suas mãos”, ela disse para um deles. E daí em diante: não discutia nenhuma decisão, não avaliava nenhum raio-X, não ficava especulando nenhuma conduta. Ali, ela foi apenas a mãe de dois prematuros. Seria insuportável misturar as coisas.

Os gêmeos deixaram a UTI 2 meses e 19 dias depois que nasceram. Cada um com cerca de 2 quilos e 100 gramas. Hoje estão firmes e fortes, sem nenhuma sequela, com oito anos de idade. Mas desta história, nasceu também uma nova médica intensivista. Muita coisa mudou na cabeça dela.

Durante sua estada na UTI, não como médica mas como mãe, ela descobriu que existem outras variáveis que influenciam o desenvolvimento de um bebê prematuro, além de todo o acompanhamento médico. “Desejar muito aquele bebê ajuda muito. Os pais acreditarem, terem fé na vida, serem otimistas, é fundamental. Se uma mãe entender o poder que ela tem sobre o filho dela naqueles momentos delicados, tudo pode sair melhor”. 

Ela consegue hoje ser mais compreensiva e sua experiência é capaz de confortar muitas mães angustiadas. Frequentemente ela tem oportunidade de dizer: “Eu sou mãe de filhos que nasceram com menos peso do que o seu”, e é claro que isso faz uma enorme diferença.

Ela conta que o marido, desde o começo, dizia que as coisas têm que ser assim pois lá na frente a gente vai entender o porquê. E ela entendeu direitinho. “Antes dos meus filhos eu achava que o mais lógico era não dar certo porque as estatísticas me provavam isso. Mas eu entendi que eles (os bebês) dão certo. Existe algo além da teoria dos livros”.

 

Fabiana Santos é jornalista e mora em Washington-DC. Mãe de Felipe, de 10 anos, e Alice, de 4 anos (que também nasceu prematura). Ela ouviu esta história de uma amiga de infância que ela reencontrou recentemente. 

Sala de parto sem pediatra?

Sala de parto sem pediatra?

Noivos na faixa dos 20 anos são envelhecidos com maquiagem e podem ver sua aparência até chegar aos 90 anos

Noivos na faixa dos 20 anos são envelhecidos com maquiagem e podem ver sua aparência até chegar aos 90 anos