Sala de parto sem pediatra?

Sala de parto sem pediatra?

O Ministério da Saúde está estudando uma medida para tirar o pediatra da sala de parto em casos de cesariana e com o feto “a termo”, na ausência de sofrimento fetal e na ausência de risco para a gestante. A proposta está num relatório da CONITEC - Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. O pediatra ou profissional treinado só seria chamado no caso da cesariana requisitar anestesia geral ou se existir evidência de sofrimento fetal. Mas como adivinhar, que mesmo com tudo ok, uma criança não vai precisar de algum procedimento de emergência ao nascer?

A posição da Sociedade Brasileira de Pediatria é radical. Para a SBP, esta recomendação não está baseada nas melhores evidências científicas que existem. Para os especialistas: a necessidade de reanimação neonatal pode ocorrer mesmo tratando-se de gestantes de baixo risco. Além disso, eles afirmam que a demora em iniciar a reanimação ou o uso de manobras inadequadas pode aumentar o risco de morte neonatal e as sequelas neurológicas. Uma portaria do próprio Ministério da Saúde diz que: “o risco de morte aumenta em 16% a cada 30 segundos de demora para iniciar a ventilação até o 6º minuto após o nascimento, independentemente do peso ao nascer, da idade gestacional ou de complicações na gravidez ou no parto”.

O presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Eduardo da Silva Vaz, acha que esta é uma tentativa de baratear o procedimento. Ele já se posicionou alegando que a assistência ao recém-nascido na sala de parto deve ser realizada pelo melhor profissional capacitado, ou seja, o pediatra treinado em todos os procedimentos de reanimação neonatal. Mas que nos locais longe dos grandes centros, em que a presença do pediatra não é possível, o recém-nascido tem o direito ao melhor atendimento disponível por outro profissional habilitado em ventilação com balão e máscara. 

O pediatra José Martins Filho, professor titular emérito de Pediatria da Unicamp e Presidente da Academia Brasileira de Pediatria, acha esta possível medida um absurdo.  "infelizmente quem já viu uma criança com paralisia cerebral, tendo dificuldades motoras e intelectuais para toda a vida, precisa saber que em muitos casos, foram crianças que nasceram asfixiadas e não foram atendidas adequadamente no primeiro minuto de vida", explica o Dr José Martins. "A Sociedade Brasileira de Pediatria, com todo o apoio da Academia Brasileira de Pediatria, que eu presido, treina já há mais de dez anos em todo o país profissionais preparados para ressucitar essas crianças, é um absurdo retirar uma pessoa competente nesse momento", diz o médico. Um documento em protesto escrito pelas entidades de pediatria brasileiras será encaminhado ao Ministério da Saúde.

 

 

 

 

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