E aí, você se largou ou continua firme no padrão de beleza Brasil?

E aí, você se largou ou continua firme no padrão de beleza Brasil?

Esta história vem à tona na minha cabeça todas as vezes que a minha mãe está aqui para me visitar - uma a duas vezes por ano. Ela é uma mulher que se cuida, que todos admiram pela bom gosto e que está sabendo envelhecer com muita classe. Só que ela mora no Brasil, né? Ela não se conforma em me ver “relaxada”, como ela diz. Ela acha que eu “não estou me cuidando como deveria”. “Olha esse cabelo!”, “Mas você não vai passar nenhuma maquiagem?”, são coisas que a minha mãe não se cansa de dizer.

Eu não brigo com ela por ela falar estas coisas. Talvez isto até me sirva para me dar uma sacudida. Mas eu me olho no espelho e realmente: eu não sou a mesma Fabiana de quando eu morava no Brasil. Não tem jeito de ser a mesma. As minhas prioridades são outras, meu estilo de vida também. Eu não tenho tempo! Aquela importância sobrenatural pelos hábitos de beleza que eu dava porque nasci brasileira, não me fazem muito sentido hoje. 

Ainda assim me analisando muito francamente e me comparando com as mulheres à minha volta, sei lá, no supermercado, pelas ruas de Washington, nos locais em que vou fazer entrevistas ou na porta da escola dos meus filhos, eu não consigo me ver como a minha mãe me vê: eu me acho até mais bem cuidada do que as outras mulheres. 

Já aconteceu mais de uma vez, em eventos que precisei ir para fazer reportagem com alguém importante ou eventos em que acompanhei meu marido no trabalho dele, que eu me senti até deslocada por estar mais arrumada do que as outras mulheres. 

Eu acho que não dá pra comparar, são mundos diferentes. No Brasil, os serviços são relativamente mais baratos (e bons porque existe uma cultura de se cuidar). Se eu fosse fazer toda semana por aqui o que eu fazia toda semana num salão de beleza lá no Brasil, eu iria gastar uma pequena fortuna mensal!

Eu não vou à manicure, mas ainda assim, eu aprendi a fazer a minha unha e pelo menos uma vez por mês elas estão coloridas e bem cuidadas. Eu gosto de pintar o meu cabelo, mesmo não tendo cabelos brancos. Preciso arranjar um tempo para ir cortar o cabelo, pois admito… outro dia fui eu mesma que tirei as pontas quebradiças dele - algo que em tempo algum eu faria no Brasil. Meu cabelo não fica bom com escova mas arranjei um modelador de cachos e me resolvo em 10 minutos.  

Tem outro detalhe que eu estava conversando com umas amigas outro dia: a concorrência. No Brasil, ela é desleal. É muita mulher bonita (e bem cuidada) para cada homem por lá. Por aqui a gente acaba ficando com a sensação de que o maridão tem menos lugar para onde virar o pescoço :-)

Se a minha mãe, irmã ou prima que se cuidam pra caramba no Brasil viessem morar aqui, tenho certeza de que as coisas mudariam pra elas também. Não tem jeito de manter um padrão de beleza se o ambiente à sua volta não funciona assim. 

Além de rever a família e os amigos, ir ao Brasil é maravilhoso para resgatar a auto estima e dar uma super melhorada na aparência. É uma delícia fazer unha e depilação com a mesma profissional de vários anos e que acabou virando amiga ou poder fazer o gosto da minha mãe de me levar no cabeleireiro que ela descobriu e achou fantástico (tem sempre um novo quando eu vou), enfim: curtir um pouco o papel de mulherzinha porque como diz a Camila, essa nossa vida de Isaura no estrangeiro não é mole não! 

Agora me conta vai: você se considera “largada” no quesito beleza ou continua firme e forte nos cuidados com você? Se você se mantém “linda e faceira”, por favor, nos mande suas dicas!

Fabiana Santos é jornalista, mora em Washington-DC e é mãe de Felipe, de 10 anos, e de Alice, de 4 anos. Este ano, ela vai passar férias no Brasil e adivinha o que a mãe dela já agendou ?

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