Brinco em bebês pode ser proibido no Reino Unido por ser considerado uma "crueldade"

Brinco em bebês pode ser proibido no Reino Unido por ser considerado uma "crueldade"

Alice aos 8 meses de idade

Alice aos 8 meses de idade

Mais de 28 mil ingleses já assinaram uma petição no Reino Unido para proibir que crianças tenham as orelhas furadas para usar brincos. Os autores da petição argumentam coisas do tipo: “crueldade humana e abuso infantil” e que um bebê não tem capacidade de consentir ou não sobre isso.

Uma das responsáveis por esta petição, uma mãe chamada Susan Ingram, quer que haja uma lei exigindo uma idade mínima para uma criança usar brincos. E em seu argumento, Susan diz que: ”"A dor severa e o medo é infligida às crianças desnecessariamente. Não há nenhum outro motivo para fazer isso do que satisfazer a vaidade dos pais. Outras formas das crianças serem fisicamente prejudicadas são ilegais - esta não deve ser diferente “.

Nem é preciso dizer o quanto este assunto é polêmico. Gisele Būndchen que o diga. A celebridade mundial teve que ouvir muitos desaforos nas redes sociais quando decidiu furar a orelha da filha, quando ela tinha 9 meses de idade. O mesmo aconteceu com Jennifer Lopes e Angelina Jolie, ao fazer o mesmo com as filhas em idades diferentes.

Impossível eu falar desse assunto, sem dar o meu depoimento pessoal: minha filha Alice, quando ainda morávamos no Brasil, teve as orelhinhas furadas aos 2 meses e meio de vida. Uma enfermeira super querida veio até nossa casa, com todos os apetrechos necessários, gastou menos de dois minutos e pronto: colocamos na Alice o brinquinho de ouro, presente da vovó. 

Ela chorou só um pouquinho e em momento algum me veio a cabeça que eu poderia estar “fazendo algum mal” à minha filha. Brinco em bebezinha na minha família é uma questão cultural. Além disso, o meu argumento é bem simplista: dói muito mais furar a orelha depois da criança já mais velha, com 10, 12 anos. Tenho várias amigas que já me relataram que sentiram muita dor ao furar a orelha já na pré-adolescência.

Alguém pode dizer, como é que você vai saber se doeu ou não com a sua filha bebê? Bem, ela realmente não chorou muito, rapidinho estava rindo - esta foi a minha experiência. Tenho certeza de que a Alice está crescendo sem nenhum trauma de dor por um furo em cada orelhinha. E assim, não tem como entrar na minha cabeça esta história de crueldade. É claro que eu não estou nem discutindo as questões óbvias de que é essencial que o procedimento seja conduzido adequadamente, em condições de higiene, por uma pessoa qualificada e tudo mais.

Morando aqui nos Estados Unidos, onde 9 entre 10 bebês não tem brinco de jeito nenhum, já me cansei de ser abordada por mães que levam um certo susto de ver a Alice usando brincos. Uma vez, num elevador, uma mãe de origem japonesa não conseguiu disfarçar o horror que sentiu ao ver brincos na Alice, então com 1 ano e meio. Repito pra todas a mesma história: de que no meu país isto é relativamente comum e que eu acho que dói muito mais furar a orelha depois de grande.

Pode ser que você que está lendo este texto também considere um absurdo uma bebê usar brincos. Mas cá entre nós, existir uma lei que proíba o brinco? Será que não é um pouquinho demais? Pra mim, esta decisão cabe à mãe e ao pai. Somente a eles e seja qual for o veredito deles não cabe a ninguém julgar, condenar ou punir. Mas eu vou adorar saber a sua opinião a respeito.


Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 10 anos, e de Alice, de 4 anos. Eles moram em Washington-DC e Alice adora passear com brincos na orelha.



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