Mudança de hábito: Minhas filhas não tomam banho todo dia

Mudança de hábito: Minhas filhas não tomam banho todo dia

Que atire a primeira pedra a mãe expatriada que nunca pulou um dia de banho nos seus filhos. Tá frio para caramba, não saiu de casa, não se sujou, banho para que? Aqui em casa, no inverno, as crianças tomam no máximo três banhos por semana. Daqueles de banheira com espuma. Uma verdadeira farra, as três dentro da banheira.  Mas eu tive que mudar minha cabeça até me acertar com essa prática.

Quando a minha primeira filha nasceu eu estava louca pra dar o primeiro banho nela. Mas não deixaram! Quando ela vestiu a primeira roupinha, ainda estava com um craca branca e vermelha grudada no cabelo pois só tinha sido enxugada com uma toalha. No dia seguinte lá fui eu, toda animada, encher a banheirinha com o termômetro de florzinha para o seu primeiro banho. Foi até filmado. Tudo lindo. E assim continuamos com o banho diário. Mesmo no inverno - inverno de Londres. Fazia parte da nossa rotina. Depois do banho, uma massagem. Fiz até curso. Muito mimadinha essa minha primogênita. 

Aqui no Reino Unido os bebês não tomam banho logo que nascem. Eles pedem pra esperar no mínimo 24hs para não correr o risco de baixar muito a temperatura do bebê. A recomendação inclusive é esperar o umbigo cair pra dar banho! Imaginem só!

Quando as gêmeas nasceram também não tomaram banho. A nova realidade de mãe de três crianças menores de dois anos fez com que eu me adequasse rapidinho a essa história de só dar o primeiro banho depois do umbigo cair. Quando completaram um mês teve o banho de "mesversário". Uma depois da outra. Não teve vídeo nem massagem dessa vez. Tudo na maior correria. 

Continuei fazendo o que chamam aqui de “Top and Tail” que significa lavar as partes do bebê com uma esponja molhada, ou algodão. Não é que você não limpa a criança, apenas faz o banho de gato. E vou te contar que esse banho de gato salvou minha vida. A mais velha começou a ter umas bolinhas na pele – keratose follicular- e o médico mandou reduzir o uso de sabão. Com isso o "Top and Tail" foi oficialmente implementado aqui em casa. 

No Rio de Janeiro, de onde venho, era impossível ficar sem banho. As vezes era necessário mais de um por dia. A gente sai de casa praticamente pelado, de chinelo. O pé fica preto, a gente fica todo suado, melado e no verão ainda tem praia, piscina... Me lembro de uma amiga de infância que quando ligava pra casa dela ela estava sempre no banho. Eram uns cinco por dia. Beeeem diferente daqui. 

Eu sempre achei falta de banho sinônimo de porcaria. Mas depois de quase uma década fora do Brasil, mudei meu pensamento. Você mora em um país predominantemente frio, onde sua pele está sempre coberta por roupas e sapatos fechados, não sua, não se suja, o banho diário se torna supérfluo, ainda mais no inverno. Além do mais tem a questão dermatológica mesmo, a água, principalmente acompanhada de sabão, resseca a pele. Hoje eu acredito que a "falta de banho" aqui no Reino Unido não é porcaria, são apenas diferentes hábitos de higiene que correspondem às necessidades climáticas do local.  Na minha opinião, em um frio de graus negativos, um banho de gato dá perfeitamente conta do recado.

 

Juana Jung Cavaliere é mãe das gêmeas Rita e Martha de 10 meses e da Lola de 2 anos e meio. Ela adora ver a farra das meninas na banheira, difícil é a logística pós-banho. Imagina tirar da banheira, secar e vestir três menininhas, tudo sozinha

 

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