Vida de expatriada: Como lidar com gente muito esquisita?

Vida de expatriada: Como lidar com gente muito esquisita?

Para começo de conversa, vamos combinar uma coisa: gente esquisita existe em qualquer lugar do mundo. O problema é que quando saímos do nosso país, e estamos longe das nossas convenções sociais, temos a impressão que existe muita, mas muita gente esquisita mesmo espalhada pelo mundo.

Com certeza você já encontrou pessoas ou tem que conviver com pessoas, que simplesmente não “fecham” para você. Gente que você não consegue enquadrar. Tem alguma coisa “esquisita” na maneira de agir daquela pessoa. No começo é praticamente todo mundo estranho, claro. Você mudou de país, está em um lugar diferente do seu, tendo que lidar com hábitos e costumes novos. A gente já sai de casa com aquela configuração mental de “outro mundo”. Mas mesmo depois de um tempo, mesmo depois de você acreditar que já entende aquele povo, sempre tem um ou outro que gera um incômodo. 

A verdade é que existe muita gente esquisita no Brasil também, inseridos na nossa cultura, contudo, é muito mais fácil rotular as pessoas. É fácil pensar que louco é o fulano e não você. Nós conhecemos os tipos, nós entendemos tudinho, nós sabemos como as pessoas agem. Nós sabemos quem eles são e quem nós somos.  E ao topar com um esquisito pelo caminho, não levamos nada para o pessoal, não nos perguntamos se agimos ou nos comportamos de uma forma errada. Nós pensamos apenas o óbvio: "Que cara esquisito para caramba!" Ou que "cara chato", ou "que cara mau humorado", ou "que mal educado", e etc.

Para te ajudar a lidar com os esquisitos que você vai cruzar pelo caminho, deixo aqui 4 reflexões que venho usando nestes 10 anos de Alemanha - que vamos combinar: tem gente esquisita para caramba!!!!!!!!!! Hahahaha!

1) Nem todo mundo viajou tanto quanto você. Se para você, pessoa viajada, corajosa e aberta é difícil entender os diferentes, imagina para quem passou a vida inteira em um só lugar?  Nem todo mundo sabe lidar com pessoas diferentes delas, e não é por maldade, é por não saber se comportar diante do novo. Eu passei uns três anos para conseguir parar de abraçar e beijar as pessoas ao chegar em qualquer lugar aqui na Alemanha. Enquanto muita gente não se importava nada, e até achava bacana minha amabilidade brasileira, outros ficavam constrangidos e queriam sair correndo para não correr o risco de levar uma beijoca. Hoje, eu vejo que existem pessoas que estão abertas e disponíveis para pessoas diferentes delas, mas existem outras que tem dificuldade de interpretar novidades, de enxergar a alma das pessoas, além daquele sotaque, daquela frase mal formulada, da aparência exótica. Não é por mal, é falta de habilidade mesmo. 

2) Não leve a bizarrice dos outros para o pessoal. Não se esqueça que principalmente nos primeiros anos de expatriada, você está em uma posição vulnerável. Em um país novo, estamos sensíveis, apreensivos, com medo até. Evite correlacionar o comportamento esquisito das pessoas com você. Você foi educado, respeitou as convenções sociais, agiu com boas intenções e mesmo assim fulano ou beltrano continua te tratando “mal”?  Bom, paciência, só não vai pensar que tem alguma coisa errada com você. Uma amiga minha sofreu horrores no seu primeiro emprego na Alemanha, se queixava da rispidez dos colegas, do mau humor, da falta de compreensão dos outros das suas dificuldades. Se sentia o verdadeiro patinho feio do departamento. Hoje, anos mais tarde quando se lembra daquela época, minha amiga conclui que nada estava errado naquela empresa. As pessoas simplesmente estava agindo como elas sempre agiram - ela que não estava entendendo nada. Ela que ainda não tinha as ferramentas emocionais e não falava suficientemente a língua para lidar com aquela departamento inteiro de pessoas “esquisitas”. 

3) Aceite que você - nem ninguém - é uma unanimidade. Infelizmente, a gente não vai conseguir agradar todo mundo, existem pessoas que simplesmente não estão a fim de ser nossos amigos, ou de serem simpáticos. Lembro do pai de um amigo da Maria que para mim era a personificação mau humor alemão. Por mais que eu me esforçasse,  nunca consegui arrancar mais do que meias palavras e meio sorrisos daquela mala sem alça. Ele parece ser camarada de todo mundo, menos de mim. Depois de muito tentar, desisti. Quer saber? Quer ficar com essa cara de cão chupando manga, pode ficar que eu tenho mais o que fazer da minha vida. Cumprimento, sou educada, mas a vida é curta demais para a gente ficar investindo energia em quem não tá a fim. 

4) E sim, existe gente muito chata mesmo! Aqui, no Brasil e em qualquer lugar do mundo. Gente desagradável, mau humorada, arrogante, mau caráter. Infelizmente é assim. Ainda usando mais um exemplo de convívio social no jardim de infância das crianças, tem uma mãe com quem eu cruzava quase que diariamente no caminha para escola e ela nunca me cumprimentava. Eu me sentia super mal com aquela falta de educação dela. Qual foi minha surpresa quando em uma festa da escola em uma roda de amigos o tópico da conversa foi o comportamento extremamente anti-social da mãe do Mark? Ela não cumprimenta ninguém!!! (detalhe: o pai é um doce).

 


Camila Furtado mora na Alemanha, e é mãe da Maria e do Gael. Há um ano entrou um cara novo no trabalho, que ela tinha certeza que era meio xenófobo. Hoje, ela (e todo mundo) continua achando-o muito esquisito, mas é uma das pessoas que ela mais gosta no escritório. 


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