Um divórcio internacional numa boa

Um divórcio internacional numa boa

Quando pensei em me divorciar, o primeiro sentimento que veio na minha cabeça foi o medo. Afinal, ele é o nosso freio para o bem e para o mal. No caso do divórcio, você pode alimentar o seu monstro do medo de várias maneiras: pensando que terá que dar conta da casa financeiramente; que seu filho será menos feliz sem os pais juntos; que estará sozinha novamente; que provavelmente estará mais dependente da ajuda de outras pessoas, nem sempre da família; que terá que conviver com a ideia do seu ex ter uma namorada que pega o seu filho no colo e que ele vai se apegar a ela. Eu, sinceramente, só me preocupava com um medo: o de separar o pai do filho, já que o nosso caso se tratava de um divórcio internacional. Meu ex-marido é mexicano. Na ocasião, morávamos no México e eu queria voltar para o Brasil. 

Me considero uma mulher decidida e corajosa. Mas o prazo para que eu digerisse o meu “fracasso pessoal” e comunicasse que eu estava indo embora, levou 1 ano e meio. Não foi fácil. Morava fora do Brasil havia 4 anos, me distanciei dos meus amigos brasileiros e não era mais conhecida no mercado de trabalho no Brasil. Entre o momento que comuniquei minha decisão ao pai do meu filho até o momento que subi no avião com ele no colo – meu bebê tinha dois anos e meio – se passaram dois meses. Um tempo difícil de negociação, de pisar em ovos, de garantir que ele teria total acesso ao filho. 

Ele não era mais meu marido, mas era um pai excelente e eu precisava convencê-lo de que ele teria meu respeito como pai do meu filho pra sempre. A regra número 1 que estipulei para mim mesma foi: nunca falar mal do pai para meu pequeno, mesmo que eu estivesse insana de raiva dele. Até o momento cumpro com isto à risca e, com certeza, meu filho agradece.

Inicialmente voltei para o meu porto seguro: a casa dos meus pais. Tive muito apoio deles e também dos meus verdadeiros amigos - que não me perguntaram como, quando e por que, mas simplesmente me apoiaram. Em 40 dias de Brasil já estava trabalhando numa empresa, ganhando menos, claro, mas com a cabeça ocupada e aos poucos reconstruindo minha independência financeira. Nos primeiros 5 anos de separada eu fiz em TODOS os domingos, exatamente às 10 da manhã, vídeo conferências do meu filho com o pai. Deixei de viajar várias vezes para cumprir com este combinado que foi essencial para a paz de todos. Com ele pequeno, o pai fazia teatro de boneco de um lado, eu o atiçava de outro e assim brincávamos com ele durante esta hora preciosa de conexão.

A medida que o tempo foi passando os ânimos foram se acalmando e meu ex marido começou a confiar que eu realmente estava fazendo de tudo para apoiar a relação dos dois. Até que com o meu filho já maiorzinho, eles já conseguiam se falar sem precisar da minha intervenção.

Nestes quase 10 anos de separada do pai do Juan, vejo que a minha decisão foi importante, já que não éramos mais felizes juntos.  Mas é claro que não é fácil para ninguém: eu criando meu filho sozinha, o pai sem a convivência diária com ele. Sou grata ao meu ex-marido por não ter me criado problemas para que eu voltasse para o Brasil. E sei que ele é grato a mim por fazer de tudo para incentivar a relação pai e filho. 

Quero que meu filho seja um cidadão do mundo e, agora que ele já é maior, se um dia quiser ir morar com o pai vai ter meu apoio. Talvez um ponto importante nesta história é que eu nunca criei meu filho como se fosse uma “posse” só minha. De jeito nenhum.

No mês passado o Juan completou 12 anos e ele estava de férias com o pai, que hoje mora no Chile. Estive lá com os dois para comemorarmos, em família, o cumpleaños do nosso pequeno. 

 

Renata Montenegro de Menezes é mãe do JP, brasileiro-mexicano, e da Valentina, de 4 anos, 100% brasileira. Atualmente ela está solteira, (se divertindo pra caramba!) e feliz. Muito feliz. 

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