Férias no Brasil: sempre um turbilhão de sentimentos

Férias no Brasil: sempre um turbilhão de sentimentos

Depois de 9 (sim!) pamonhas no meu currículo, curtir uma boa vida na “casa da mamãe”, apresentar suco de caju para a minha filha, enturmar meu filho com os primos, rever lugares bem significativos, abraçar apertado muita gente querida: as minhas férias no Brasil chegaram ao fim.

É bom voltar pra casa que eu considero minha? Sim. Mas é muito ruim mesmo deixar uma história pra trás. E a cada adeus, mais história vai ficando para trás. E isso me deixa um pouco angustiada. 

Não sei como as coisas acontecem com você quando vai de férias para o Brasil. Eu acho que a gente fica com muita vontade de mostrar pra quem a gente gosta que continuamos os mesmos apesar da distância. E é um tal de correr literalmente atrás do tempo perdido querendo resgatar risadas, histórias, relacionamentos. 

Porque por mais amizades que eu tenha feito pelo mundo, o meu coração tem sempre a sensação de que os mais legítimos amigos são aqueles de longa data (aqueles para quem eu não preciso explicar muito, que entendem, por inteiro, metade de uma frase minha). E por mais que existam picuinhas em qualquer família quando se mora pertinho dela, quando você está só de passagem dá um baita aperto no peito participar daqueles almoços que reúnem todo mundo. 

Mas ainda que a gente se sinta dividida, melancólica, confusa, tem algo positivo neste turbilhão de sentimentos. Passar um tempo no Brasil me faz separar meio que “o joio do trigo”: o que é importante e o que eu achava que era importante. Quem é importante e quem não é. 

Porque é preciso ter a consciência de que não vai ser possível juntar todo o passado para ser revisitado. Vai ter gente ocupada, vão existir amizades que tiveram o prazo de validade realmente vencido (pode contestar, mas isto acontece), vão surgir desencontros. Algumas expectativas serão frustradas.

Não dá pra ganhar todas. Eu não posso esquecer que do mesmo jeito que eu procurei construir uma vida no país que eu escolhi para viver, a vida de quem está no Brasil seguiu outros rumos também.   

Pra sofrer menos, comecei a respirar fundo durante o vôo de volta e a peneirar somente o que foi bom. Os encontros que eu tive foram super importantes. São pessoas que estão e estarão sempre comigo para onde eu for, porque fizeram uma questão danada de me encontrar. Do jeito que deu. Sem a sensação de que perdemos algo durante a ausência.

Foram estas pessoas que me fizeram chorar escondido depois de revê-las. São pra essas pessoas que eu vou torcer para o tempo passar depressa pra gente se encontrar de novo. São esses laços que jamais vão deixar o meu coração esquecer que eu tenho uma vida sim, no Brasil. Esperando por mim a cada nova temporada. 

 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 10 anos. e de Alice, de 4 anos. Eles moram em Washington, DC e ela se sente privilegiada de poder fazer um "balanço" das férias no Brasil a cada dois anos. 

Quem nunca chorou com um recém-nascido no colo?

Quem nunca chorou com um recém-nascido no colo?

7 perguntas para Poliana Abritta: a apresentadora do Fantástico e mãe de trigêmeos

7 perguntas para Poliana Abritta: a apresentadora do Fantástico e mãe de trigêmeos