A mãe que escreveu um livro com as grandes sacadas que o filho dizia

A mãe que escreveu um livro com as grandes sacadas que o filho dizia

Vico e Deborah (arquivo de família)

Vico e Deborah (arquivo de família)

No dia 30 de agosto de 2015 ele completará 14 anos, fechando o segundo setênio. Nem acredito que já faz sete anos que lançamos "Vico, o Filhósofo", um compilado de frases dele. Toda mãe acha seu filho genial, mas Vico é e sempre foi um moleque como qualquer outro. Exceto pelas coisas que dizia. 

Ele nunca foi óbvio em suas observações e falava uns negócios que me deixavam espantada. Desde os quatro anos, eu já o chamava de filósofo em casa por causa de sua lógica simples e de seus raciocínios complexos. Ele chegava a conclusões que muitos de nós levamos anos de terapia para alcançar…

Diante de um boneco de Papai Noel, disse:  "Ele parece Deus, mas não é. Deus é descalço."

Sobre a morte, não teve dúvidas: "O cérebro para de funcionar quando a alma vai dar um passeio."

Ah, ele também acha que "dias de chuva são dias bons para morrer, porque os guarda-chuvas deixam as pessoas mais tristes."

Sobre sentimentos, alertou: "a gente não pode amar muitas pessoas senão o coração fura."

E também concluiu:  "Quando estou nervoso, acho que os sentimentos não servem pra nada."

Sua explicação para fofoca? "É um segredo de outra pessoa"

Também me perguntou "por que todo mundo é sério na foto do crachá". 

E a respeito de não nascer sabendo, garantiu que "todas as pessoas, do mundo todo, nascem sabendo piscar. Mas nem todas conseguem enxergar."

Acho que toda criança fala coisas incríveis se a gente parar para ouvir. No caso de Vinicius, eu, além de prestar atenção, passei a anotar as pérolas do meu filho caçula. Quando percebi, tinha um tesouro nas mãos. Transformadas em livro, as idéias de Vico ganharam a companhia das ilustrações de Andrea Ebert, descoberta pela internet pelo pessoal da editora. Foi incrível como ela conseguiu traduzir em colagens os pensamentos dele. 

A reação dele quando soube que eu iria fazer o livro? "Um filho é um livro que se abre". Ele, generosamente, me deu a frase que abre o livro e que resume o sentimento de qualquer mãe. Filhos são mesmo livros que se abrem, páginas em branco que vamos escrevendo juntos, e, muitas vezes, temos muito mais a aprender com eles do que jamais imaginamos. E como ele já era chamado de filósofo em casa, Luiza (minha filha, três anos mais velha do que o irmão) foi quem deu a sugestão do nome: Filhósofo. 

Dia desses, deitado ao meu lado, me garantiu que ninguém morre 100%. "Nós somos feitos de átomos. E os nossos átomos passam para as larvas que devoram o corpo, e vão passar para outros animais, até um homem comer esse animal e o nosso átomo ir parar em outro espermatozóide, e ganhar vida de novo."  É, Vico, faz sentido…  Que ele se eternize como acredita. Para mim, ele será sempre uma baita lição de vida. 

 

Deborah Bresser é paulista e jornalista há quase 30 anos. Casada, mãe da Luiza, de 17, e do Vinicius, de 14. Atualmente assina o Blog da DB no portal R7 e é colunista no canal fechado Record News. "Vico, o Filhósofo" está a venda nawww.estantevirtual.com.br


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