3 princípios dos mestres budistas para atingir a santa paciência com os filhos

3 princípios dos mestres budistas para atingir a santa paciência com os filhos

Todo mundo já passou por isso. O filho faz uma coisa que não devia, você está num dia ruim, cansada ou com algum problema na cabeça e quando viu já foi: gritou. Perdeu a paciência, falou o que não queria do jeito que não queria. Poucos segundos depois o arrependimento entra em cena. Que droga de mãe que eu sou, meu filho é uma criança inocente, tadinho, por que? O que eu estou fazendo de errado?

A verdade é que perder a paciência é humano, e infelizmente esse descontrole emocional acontece até com essas pessoinhas que a gente ama mais que tudo no mundo. Só que por mais que possamos entender nossas fraquezas, e eventualmente até nos perdoar por essas pisadas na bola, gritar não leva ninguém a lugar nenhum. Não resolve nada, só piora. A mãe se sente falhando, o filho fica assustado, e como método pedagógico vamos combinar que gritar é bem duvidoso.

Até aí tudo certo, estamos todas de acordo. Mas e agora? O que a gente pode fazer naquele momento que o sangue está subindo a cabeça? O que pensar quando estamos enfrentando os “terrible twos” e sendo desafiadas toda hora? O que pensar bem naquela hora em que o filho se recusa a calçar o sapato e você sabe que vai chegar atrasada no trabalho?

Bem, caras leitoras, fui procurar as respostas nos mestres. Com vocês, 3 princípios do budismo e da prática de meditação para quem não está mais a fim de perder a compostura.

O princípio chave é trabalhar a própria mente, treinar para ser menos reativo e mais responsivo. Segundo Andy Puddicombe, ex- monge budista e fundador do Headspace, temos a tendência a achar que estamos perdendo a paciência por conta da atitude da criança, quando na verdade o foco principal não deve ser no comportamento da criança - que claro pode também ser melhorado -  e sim na maneira como reagimos ao comportamento indevido. Nas palavras de Puddicombe: “It is not the thing, but rather the way we relate to the thing”. A boa notícia é que nosso cérebro pode ser treinado para responder em vez de reagir.  A prática da meditação leva as pessoas a observarem seus pensamentos com mais clareza, conscientes de que eles nada mais são do que “apenas pensamentos” e que nós temos a escolha entre nos engajar com eles ou deixá-los irem embora. O que trocando em miúdos aqui para nossa situação significa: em vez de reagir impulsivamente e começar a gritar, uma mente mais treinada, olha para a situação e pensa mais ou menos assim: “ Hummmm, que droga, estou sentindo raiva, isso é mesmo muito chato mas quero que essa raiva bata asas e vá embora, essa raiva não sou eu, ela é só um pensamento, pois bem, e agora como vou responder a essa situação?” E este pequeno espaço entre o que aconteceu e a maneira como você vai responder ao que aconteceu, muda tudo. 

Imagem: Headspace.com

Imagem: Headspace.com

Ainda nesta linha de trabalhar na reação, a Monja Jetsunma Tenzin Palmo explica neste vídeo muito bacana, “que é muito fácil ser amoroso, amigável e gentil com pessoas que estão sendo amorosas, amigáveis e gentis com a gente.” Ou seja, é fácil ser a mãe fofura daquela criança de comportamento fofura.  Mas será que se você tem um filho que é um santinho, você pode realmente se considerar uma mãe paciente? A verdadeira paciência, aquela necessária na hora que a vontade verdadeira era jogar uma bomba no mundo, deve, também, ser treinada. É o grande antídoto para a raiva e um enorme virtude espiritual, independente da sua crença religiosa. E não dá para treinar paciência em situações fáceis. Para treinar a paciência precisamos de situações difíceis. Pois então é hora de parar de encarar tudo isso como um simples martírio e enxergar a excelente oportunidade de evoluir que a vida nos está dando, e que motivação maior e melhor do que todo o amor que a gente sente pelos nossos filhos? Como que é mesmo aquele história de que ter filhos me fez uma pessoa melhor? Bingo!

E por último, uma frase atribuída ao Dalai Lama que para mim faz o maior sentido: “Dormir é a melhor meditação”.  Mente cansada é mente bagunçada. Com tanta coisa para fazer, nós esquecemos que dormir é uma função cerebral. O cérebro precisa do sono para funcionar direito, para se regular e controlar emoções. Claro que é fácil falar, mas dormir, principalmente nas horas que ser mãe está exigindo um pouco mais das suas emoções do que o normal, é fundamental. Imagina a cena: seu filho subiu na cadeira da cozinha para alcançar um pote de balas de vidro, que caiu no chão e quebrou praticamente na cabeça dele (essa história não é fictícia :-) Se isso estivesse acontecendo em um dia que você estivesse bem dormida, na sua melhor forma, você com certeza teria uma reação diferente do que se exatamente a mesma coisa acontecesse num dia que você dormiu 3 horas porque o caçula passou a noite acordando com dor de ouvido. Qual a diferença entre as duas reações? Nada de mais - apenas o estado da sua mente. Sim, eu sei... ser mãe e dormir pouco são praticamente sinônimos, mas encare dormir como uma prioridade na sua vida para que as coisas deem certo. Peça ajuda a parentes, vá para cama junto com as crianças, deixa a casa bagunçada - faça qualquer negócio por uma boa soneca. Você verá que descansada é bem mais fácil contar até 10 ao ver o pote de balas espatifado no chão. 

Camila Furtado é mãe da Maria e do Gael, seus mestres espirituais para assuntos de generosidade, paciência, amor infinito, desapego e tudo que vocês pode imaginar. Ela é uma meditadora iniciante e recomenda os seguintes links para quem está no mesmo estágio que ela estava há dois anos atrás: meio cética, querendo evoluir e sem ideia por onde começar.

- Headspace.com (site e app muito bacanas para começar a meditar) e 10% mais feliz (meditação explicada e mastigada para céticos, livro delícia de ler)

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