Como manter o coração aquecido com uma tempestade de neve a caminho

Como manter o coração aquecido com uma tempestade de neve a caminho

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Escrevo este texto horas antes do que os americanos estão chamando por aqui da mais “histórica tempestade de neve” que a parte leste dos Estados Unidos terá visto. A previsão é alarmante para o padrão de inverno daqui. No mínimo meio metro de neve em 48 horas seguido de ventos congelantes.

A cada nova notícia, mais temor. Washington-DC e os estados de Maryland e Virginia já declararam “estado de emergência”, o que significa que todos os estabelecimentos públicos, incluindo escolas, estarão fechados. Acabei de receber uma ligação (gravada) do meu banco informando que as agências não vão abrir nos próximos dois dias e uma outra ligação do consultório médico pedindo que eu remarcasse a consulta do meu filho para a outra semana. 

As recomendações incluem não sair de casa de jeito nenhum, estocar comida, água e ter cobertores, agasalhos e lanternas disponíveis (caso falte luz e consequentemente o aquecimento das casas não funcione). 

Fui ao supermercado e me vi numa cena de pré fim do mundo. Gente disputando caixa de água, prateleiras vazias na maior parte dos corredores. O papel higiênico desapareceu nas gôndolas (estocar papel higiênico está entre as recomendações!) e a carne moída que eu queria não consegui achar. Um clima de salve-se quem puder.

Os únicos que podem se dizer satisfeitos com tudo isso são os comerciantes. O vendedor de uma loja de utensílios para casa me contou que o estoque de milhares de pilhas (para as lanternas) se foi em algumas horas.

Existe exagero nisso tudo? Eu acho que sim. Acaba virando (com o perdão do trocadilho) uma bola de neve. Eu mesma fui em três mercados diferentes de ontem para hoje. A gente sempre está com a impressão de que está faltando alguma coisa. O noticiário chega a ser engraçado. Depois de mil alardes, eles sempre terminam dizendo que o importante é manter a calma e que não podemos enveredar para um clima de apreensão. Rãrã…

Como diz uma amiga minha, essa tal de neve só é bonitinha nos filmes. Mas não dá pra se entregar ao desespero. O jeito é torcer para não ser tudo isso que se prevê. Eu mesma já vivi situações por aqui em que foi feito muito barulho por nada.

Veremos... Aliás, o angustiante é a expectativa. Pelo menos a minha. Porque a da minha filha é não ver a hora de poder fazer um boneco gigante de neve. E o meu filho acha o máximo estarmos todos juntinhos em casa. Filhos: sempre nos ensinando a ver algum lado bom de alguma coisa. Você concorda comigo que uma boa dose de otimismo da nossa vida vem dessas preciosidades que a gente coloca no mundo? 

Fabiana Santos é jornalista, casada e mora em Washington-DC. É mãe de Alice, de 4 anos, e de Felipe, de 11 anos. O check-list das coisas essenciais para o "snow storm"  já foi feito, incluindo o estoque de muitos "abraços e beijinhos sem ter fim" nas crianças embaixo do cobertor. 

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