Um viva às pessoas que fazem avaliações na internet

Um viva às pessoas que fazem avaliações na internet

Aqui na Alemanha a gente compra muita coisa pela internet. O correio funciona super bem e rápido, dependendo do produto está na sua casa no dia seguinte. Caso não goste e queira devolver também costuma ser descomplicado. 

Há controvérsias sobre a sustentabilidade do comércio on line, mas o fato é que com tanta loja virtual pipocando por aí, as avaliações de produtos na internet estão bombando. 

Se um produto tem poucas avaliações fica mais difícil confiar, mas existem produtos no Amazon, por exemplo, com centenas de avaliações verificadas, o que significa que não foram feitas pelos parentes e amigos do vendedor, e sim por pessoas que de fato compraram o produto.

Outro dia estava em um loja de brinquedos, vi um jogo indicado para crianças acima de 5 anos e fiquei em dúvida se meu filho de 4 anos ia conseguir jogar. Não pensei duas vezes. Peguei o celular e procurei o jogo no Amazon. Havia 589 avaliações, das quais 489 eram de 5 estrelas. Li algumas, inclusive as ruins, e me decidi pela compra. Se não fossem essas pessoas, talvez eu não tivesse comprado o jogo, e ia ser uma pena já que nos divertimos muito com ele. Estou sinceramente agradecida à elas. 

O fenômeno da avaliação me fascina. Quem são essas pessoas que perdem seu tempo deixando sua opinião sobre produtos? Será que é porque você gosta ou odeia tanto uma coisa que precisa deixar suas impressões no mundo? 

Duas vezes escrevi um email para duas autoras de livros que eu estava lendo e que me emocionaram tanto que eu precisa dizer isso para elas.  Eu mesma já recebi várias 5 estrelinhas mundo afora pelo meu livro (MUITO OBRIGADA!), mas o que leva uma pessoa a sentar 10 minutos na frente de computador e colocar em detalhes os prós e contras de uma bota de borracha? O que leva uma pessoa a deixar a avaliação N. 590 sobre um jogo vendido por uma grande empresa? Não sei, só sei de uma coisa, a gente devia começar, nós todos, inclusive os preguiçosos, como eu, a avaliar tudo.

É uma arma nova, que nos dá poder para lutar contra coisas porcarias e fazer o mundo melhorar. Outro dia estava quase comprando uma lancheira nova para as crianças, quando a Fabiana postou no Facebook que tinha descoberto uma lancheira térmica produzida com plástico reciclado de garrafas pet e supostamente sem uso de mão de obra “escrava”. Aqui na Alemanha custava meio caro demais, e não comprei, mas mesmo assim não é legal? Não é legal ter esse poder de fazer a informação circular e avisar o mundo sobre o que há de bom (e de ruim) por aí?

Bom,  queria deixar aqui meu agradecimento a todas as pessoas que avaliaram produtos que eu comprei e comunicar que a partir de hoje eu não sou apenas mais uma das pessoas que lê as avaliações, vou me juntar ao grupo dos super opinadores e começar a avaliar coisas mundo afora. Pelo menos um "Foi uma boa compra" ou "Porcaria, quebrou depois de duas semanas de uso", eu vou deixar por aí.

Durante milênios, nós consumidores estávamos na mão do marketing falseta de grandes corporações. Mas agora, meus amigos, a força está com você e comigo. ;-) 

 

Camila Furtado mora na Alemanha e é mãe da Maria de 6 anos e do Gael de 4. Ela se emocionou muito lendo o livro “Para Fransisco” de Cris Guerra e “A vida não é justa" de Andréa Pachá. O nome da marca da lancheira térmica sustentável é U.Konserve

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