De uma grávida para outras grávidas, com carinho.

De uma grávida para outras grávidas, com carinho.

Humildemente, quero me desculpar com todas as grávidas. Devo ter despertado a ira de muitas mulheres que já carregaram um bebê. Certeza que, sem querer, repeti o que elas já tinham ouvido trezentas vezes no minuto anterior. Tá grande, hein? Uma óbvia referência à barriga. Sim, a gente responde fingindo paciência. Mas a resposta sincera seria: claro que está grande. Tem que caber um bebê aí dentro. Estranho seria se eu ainda tivesse cintura.

Também me desculpo se alguma vez, no automático, toquei na barriga. Isso não se faz, a não ser que você seja íntimo, tipo muito próximo. Não é um espaço público. Dá vontade de colocar uma placa com sinal de "proibido". Mas, convenhamos: nem todo mundo é bom entendedor. 

Foi mal se fui a milionésima pessoa que te perguntou de quantos meses você está, se é menino ou menina, se chuta muito, como os irmãos estão reagindo. Se te enchi de pergunta sobre o tamanho do bebê e, pior, o seu. Se agi como se você não tivesse espelho em casa e não sentisse que seu corpo está enorme, se arrastando por aí. Acho que não seria capaz de tamanha desfaçatez mas vai que escapou alguma vez. 

Entendo se vc não achar a menor graça de piadas como: são gêmeos? Esse é o Léo, mas já tem o Leonardo? 

Terceiro menino? Já dá pra montar um time de futebol.

Pra não pesar a consciência também peço perdão se te chamei de "mamãe". Ora, se sei que vc não me pariu porque tenho de me referir a você dessa maneira? Entendo se você responder, sem modos e com certo rancor, que não tem idade pra ser minha mãe. 

No final das contas, perto da data do parto, pensei em atitudes que podem ser úteis pra todas as grávidas com menos tendência a simpatia e tolerância. Pensei em mandar fazer camisetas de malha - que não marquem a barriga pra evitar que todo mundo repare e, claro, comente - com alguns dizeres básicos como o nome do bebê, quando nasce...

Seria mais ou menos assim: 

Oi! Meu nome é Léo! Nasço em dezembro. Sou o terceiro filho. Sim, tenho dois irmãos, todos meninos. Acha que três é demais? Não se preocupe! Apenas cuide da sua vida. A gente não vai te dar o menor trabalho.

Pronto! É uma forma de, silenciosamente, responder às curiosidades mais básicas e encurtar a conversa.

É antipático, eu sei. Qualquer coisa, põe a culpa nos hormônios, diz que você está fora de si. Mas que só volta ao normal quando deixar de ser uma grávida.

Marina Franceschini é repórter da TV Globo, casada, mora em Brasília e estava grávida de 8 meses quando escreveu esse texto. Teve o Léo, seu terceiro filho, há dez dias.

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