Vamos oferecer aos nossos filhos mais liberdade na casa da vovó e do vovô

Vamos oferecer aos nossos filhos mais liberdade na casa da vovó e do vovô

Você se lembra dos seus avós? Eu me lembro muito bem do meus. Tenho memórias maravilhosas (que já contei aqui no blog) das tardes de fazer (e comer muito) brigadeiro com a minha avó paterna. Mas tenho mil outras lembranças lindas e incríveis: de um dia em que precisei de cola para um dever de casa e minha avó fez uma cola caseira à base de farinha de trigo que diante do meus olhos de criança parecia até que ela tinha feito uma mágica. E dos jogos de carta com o meu avô, que reunia todos os meus primos em campeonatos excepcionais de buraco e trinca. 

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Outra dia nós postamos essa brincadeirinha aí na nossa página do Facebook e as avós amaram (claro). Mas algumas mães ficaram incomodadas. Como assim liberar geral na casa dos avós? Eu entendo que os pais nem sempre gostem do que acontece na casa da vovó e do vovô. Especialmente no mundo de hoje, em que cada mãe e pai tem um jeito próprio de controlar tudo sobre a vida de seus filhos. Queremos medir cuidadosamente a quantidade de açúcar que os nossos filhos ingerem, somos extremamente cautelosos com televisão demais, reclamamos se o protetor solar não foi distribuído uniformemente pelo corpinho deles, nos preocupamos com o horário de ir dormir e (Deus nos livre!) dos avós serem os primeiros a experimentarem com os nossos filhos algo que a gente queria tanto fazer com eles. 

No final das contas, não parece um tanto quanto maluco a gente ter tanto ciúmes dos filhos com a nossa própria mãe? Ok, alguém vai dizer que não aguenta é a sogra. Mas esse é um problema seu, não dos seus filhos. 

Em condições normais (e é óbvio que não estamos falando aqui de nada que coloque em risco a vida das crianças), os avós só querem o melhor para os filhos dos filhos. E sinceramente, eles merecem uma pausa na vida de pais. Eles já passaram por essa tempestade de 20 anos com você ou com o seu irmão e agora eles têm todo o direito de curtir o papel de avós e se divertir um pouco antes de devolver seus pacotes de alegria para sua rotina diária.

Nossos filhos ficarão bem se comerem uma dose extra de doces na avó, ou não comerem tudo orgânico, ou tomarem banho num horário "inadimissível" para nós. Esta não é uma luta de poder. Tenho certeza de que os avós não estão tentando ganhar nenhum campeonato dos pais. Todas as nossas regras e regulamentos sobre o que nossos filhos podem fazer e usar são, é claro, vistos como exageros pelos avós. Essas pessoas nos criaram. Não importa como isso aconteceu, mas nós acabamos bem. Eles não estão tentando criar nossos filhos de qualquer maneira, porque eles não estão “criando nossos filhos” nas horas que passam com eles. Eles estão abastecendo os pequenos de lembranças para que eles possam sorrir mais tarde.

As crianças dormiram tarde ontem na casa dos avós? Eles estavam um pouco mais emotivos e cansados no dia seguinte? Sim. Eu vou ter que lidar com isso? Sim. E eu faria de novo. Não é por minha causa. É por eles. Porque o tempo com os avós é algo que importa para os meus filhos. E quando seu filho vier contar num tom "confissão-culpa" que dormiu tarde na casa do vovô porque ficou jogando com ele é preciso ter sabedoria para segurar a cara feia e dizer "está tudo bem, porque você não faz isso todos os dias e com o vovô é um momento especial".

Pesquisadores da Brigham Young University, nos Estados Unidos, estudaram o papel dos avôs no desenvolvimento das crianças. O estudo, realizado com 408 alunos da quinta série do Ensino Fundamental, fez várias perguntas, entre as quais: se recebiam conselhos dos avôs quando precisavam deles e se sentiam-se à vontade para dividir problemas com eles. Uma das conclusões do estudo é que a relação emocional entre netos e avôs têm um significativo impacto na vida acadêmica e psicológica da criança, assim como o desenvolvimento social delas. Crianças com avôs envolvidos em suas vidas eram as mais sociáveis e engajadas na escola, e mostravam mais compaixão e ternura comparada a crianças que não tinham proximidade com seus avôs.

Os filhos conseguem mais liberdade com os avós? Absolutamente e não há nenhum mal nisso. Eles também recebem alguma disciplina de alguma forma e ganham uma sabedoria que não podem obter da gente. Os filhos vão ganhar valiosas lições dessas pessoas. Recompense-os oferecendo esse “passe livre com os avós”. Deixem-os mimá-los e devolvê-los para casa cansados. A gente vai sobreviver do nosso mau humor (porque bagunçaram a nossa rotina) e eles terão memórias que vão durar uma vida.

 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 11 anos, e de Alice, de 5 anos. Eles moram em Washignton-DC. Apesar dos filhos morarem longe dos avós, o tempo juntos é sempre mega-super aproveitado!

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