Filhos pequenos: uma inundação de amor na sua vida

Filhos pequenos: uma inundação de amor na sua vida

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Uma vez li uma frase, não me lembro aonde mas que nunca esqueci. Dizia que o maior amor do mundo não é dos pais pelos filhos, mas sim o dos filhos, quando eles são pequenos, pelos pais. Não quero discutir aqui a veracidade desta afirmação, até porque nem sei se vem ao caso ficar medindo quem tem o amor maior do mundo… Mas se você têm filhos pequenos, você com certeza já passou por várias situações em que as demonstrações de amor dos seus filhos por você foram de cortar o coração.

Engraçado que no começo, logo depois de eu virar mãe, eu não me dava tanto conta disso. Acho que minha visão estava ofuscada com o amor que eu sentia por eles e era difícil perceber qualquer outra coisa que não fosse o meu próprio peito explodindo. Mas ultimamente toda hora acontece alguma coisa que me lembra do quanto eles são loucos por mimE aí sinto uma "nostalgia antecipada" pois sei que vou sentir falta disso quando eles crescerem. Claro, que no futuro a gente continua amando os nossos pais. Meu Deus, até hoje eu tenho a pachorra de chorar no aeroporto cada vez que me despeço do meu pai. Mas é um outro amor, é um amor maduro, calejado pela vida. É diferente do amor puro, inocente e até meio cego que as crianças têm pela gente.

Amar é querer estar junto? Pois nada faz meus filhos mais felizes do que eu passar tempo com eles. Não estou falando de passar tempo tipo piloto automático em função logística materna, mas dedicar tempo mesmo. Abrir um livro, olhar as figuras, conversar sobre o que estamos vendo. Meu filho Gael, de 3 anos, anda ultimamente para cima e para baixo com um livro de regras no trânsito (sinal vermelho, verde, faixa de pedestres e etc). Me dá até pena de ver o rostinho dele se iluminando quando ele percebe que vou de fato ler o livro com ele, que sim, nós vamos conversar sobre o sinal vermelho.  É como se ele tivesse ganhado na loteria. Aquele momento em que ele vai me mostrar que “aqui é que tem que passar, mamãe” apontando para a faixa de pedestres produz nele uma felicidade imensurável. Ele faz suas considerações sobre o trânsito, olha bem para o meu rosto para ver se eu compartilho da mesma opinião e inevitavelmente acaba dando uma encostadinha em mim só para garantir que ele está mesmo sentando no meu colo.

E se eles percebem que você precisa de ajuda? Faz dois dias meu celular dormiu numa poça da água causada por uma garrafa aberta na minha bolsa. Estava tudo tão encharcado que era óbvio que não havia mais futuro nem para o telefone nem para a bolsa. Só não fiquei muito louca da vida porque ele estava velhinho e eu já estava mesmo querendo trocá-lo nos próximos meses. Mas minha filha, sem saber disso, ficou preocupadissíma. Levou o celular para o quarto, ligou o ventilador e ficou lá um tempão, com toalhas e cotonetes em punho, segurando o celular na frente do ar, tentando salvar a aparelho. Quem faz isso por você? Só uma criança pequena. Faça uma cagada e corra para receber um abraço sincero de alguém que vai te acolher sem julgamentos até na hora que você comete seus erros mais estúpidos.

Isso para não falar na admiração, a certeza de que ninguém no mundo é melhor do que nós. Dá até vontade de melhorar mesmo, evoluir para ver se a gente fica mais próximo dessa figura idealizada que eles pintam de nós com tanta inocência.

Todos os dias, várias vezes por dia, eles nos inundam com este amor. O amor que um dia vai se transformar e vai deixar saudades. Tenho pedido a todos os meus santos, que eu consiga me lembrar mais disso. É tanto trabalho ter filhos pequenos. A gente passa por momentos tão desequilibrados. Normais, claro… afinal somos seres humanos, ficamos cansados, dormimos pouco, não temos tempo para nós. Mas seja lá que o que esteja acontecendo, eles estão sempre à nossa espera. Os olhinhos atentos nos observando, as mãozinhas gordinhas querendo nos tocar, a disposição infinita para conversar.

Que a gente consiga equilibrar a logística, o trabalho, as preocupações com o futuro para não deixar de aproveitar o presente. Se o que importa de verdade na vida é o amor, então o momento que estamos vivendo agora - cheias de olheiras e descabeladas -  é um dos capítulos principais da história da nossa existência.

Camila Furtado é mãe de Maria, agora com 7 anos, e Gael, com 5 anos. Ainda hoje, um dos melhores momentos de demonstração de amor é o do reencontro: seja depois da escola, seja depois de uma viagem sem eles. Ao vê-la chegar os dois saem em disparada com o maior sorriso do mundo na cara, se penduram no pescoço dela e a enchem de beijos.

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