Sex and the babysitter

Sex and the babysitter

Tirem as crianças da sala. Esse texto é para maiores de 18 anos sem frescuras. 

Você é mãe. E gosta um bocado de fornicar. Tudo bem, não precisa ter vergonha. Quase todo mundo gosta. Até as mães. Tá bom, menos a sua. Ninguém merece ficar com essa imagem na cabeça. Enfim, vamos voltar a falar de você. Se pariu e consegue ter uma vida sexual tão ativa quanto antes, meus parabéns. Sem ironia. Te invejo profundamente. Agora, se você postou um filho no mundo e está com a vida sexual tão animada quanto um discurso de Fidel Castro, bem-vinda ao clube da grande maioria das mães que conheço. Trepar, depois de ter filhos, é luxo, poder e riqueza.

Algumas amigas ficaram foguentas na gravidez, para sorte delas e dos maridos/maridas. Não foi meu caso, em nenhuma das duas gestações. Não fiquei de todo assexuada. Fiz meus fuc-fucs com barrigão e tudo. Mas longe de mim ter ficado subindo pelas paredes. Não tive medo de machucar o bebê. Não “enjoeei do marido”. Não fiquei me sentindo a Virgem Maria pelo milagre de estar carregando uma vida no ventre. Apenas não fiquei no auge do tesão. Pode ter sido hormonal. Pode ter sido porque estava com milhões de outras coisas na cabeça e sensações boas e ruins pelo corpo. Pode ser porque não estivesse me sentindo no auge da beleza. Não sei dizer. Só sei que fiquei meio demi-bombée. 

Os serumaninhos nasceram e foi aquele pega pra capar. Ninguém dormia, eu não sabia se cuidava do bebê, da cicatriz da cesárea, das peitas que (literalmente) queriam explodir de tanto leite ou da casa. Os maridos (sim, eu tive um filho de cada pai) foram bacanérrimos, participaram de tudo e isso fazia meu amor por eles aumentar muito. Mas quem consegue pensar em sexo, quando tudo que você quer fazer é dormir mais de duas horas seguidas? Quando se cheira a leite azedo o dia inteiro? Quando o corpo que se vê no espelho se parece com você atropelada por um caminhão depois de uma hecatombe nuclear? 

Sim, o resguardo acaba. O corpo vai (mais ou menos) voltando. A autoestima e o desejo também. Os bebês crescem. As horas de sono se alongam um cadinho. Pode ser que você não esteja ainda a tarada ninfomaníaca que já foi um dia. Mas pensamentos safadjenhos já invadem sua cabeça de novo ao longo do dia. Você começa a ver os legumes, o cabo de vassoura e até a cara da Peppa com outros olhos. Espera a noite chegar, as crias dormirem, lança uma camisola que não seja de pós-parto e vai com tudo pra cima do maridão. Existe vida após a maternidade! Vocês recomeçam a festa, sedentos e apaixonados. Até serem interrompidos por um choro na babá eletrônica. Ou um serumaninho batendo na porta do quarto. E aí você descobre uma coisa sobre filhos que ninguém te contou. Eles sabem quando vocês vão transar. E estão sempre dispostos a não permitir que isso aconteça. 

Por isso, pais ficam especialistas em rapidinhas furtivas. Atrás da porta, debaixo da coberta, na área de serviço. Tudo certo, a fast food tem seu valor. O problema é se alimentar só disso. Não dá, né? Aí entra o sexo anotado na agenda. Dia 19, das 6:17 às 6:24. Entre uma consulta dentária e levar o mais novo na natação. Antes de lavar a roupa. Lembrando que tem que avisar à libido para comparecer nesse mesmo horário. Nada menos romântico e excitante. Pode ser pior? Sempre pode. Imagine-se com filhos e solteira. Meu caso. Agora inclua na sua agenda (que é mais cheia do que a de um político em campanha) se vestir para matar, lançar um batonzão vermelho e sair para procurar parceiros para momentos de recreação. Imaginou? Ok, pode começar a rir alto. 

A gente se zoa, mas a real é que esse é um assunto sério. Por isso, eu lanço uma campanha: “Ajude uma mãe a fornicar”. Se você é amiga, irmão, pai, sogra ou mãe de uma mãe (especialmente de filhos pequenos), aliste-se na casa mais próxima e seja um voluntário. Seja babysitter por uma tarde, um fim de semana ou uma hora, que seja. Mãe que transa cria filhos mais felizes. Pai também. A gente canta “Maaaaaariana conta um” alto. Joga pelada com os filhos na pracinha. (Não a gente, o jogo!) Isso salva casamentos. Evita brigas no uátizap da família. Faz bem pra uma sociedade inteira. Sabe aquele ditado “Se organizar direito, todo mundo transa”? No caso da mãe, essa organizada às vezes precisa ser coletiva. Mãe também é gente. E gente foi feita pra gozar a vida.

Claudia Gomes é roteirista de TV e cinema, mãe de Pilar, 11 anos, e de Vicente, 6 anos. Eles moram no Rio de Janeiro. Ela é solteira e troca likes. Cartas para a redação... (risos). Para ver mais textos da Claudia, tão sinceros quanto este, visite a página dela no Facebook.

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