7 perguntas para as criadoras da Sessão Azul: cinema para crianças com distúrbios sensoriais

7 perguntas para as criadoras da Sessão Azul: cinema para crianças com distúrbios sensoriais

Espectadores da sessão de cinema. (Arquivo "Sessão Azul) 

Espectadores da sessão de cinema. (Arquivo "Sessão Azul) 

Crianças que podem se manifestar livremente durante uma sessão de cinema, sem que os pais fiquem com medo de julgamentos ou reclamações. A ideia partiu das observações das psicólogas Carolina Salviano e Bruna Manta, no Rio de Janeiro, durante o tratamento de crianças com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo) e da vontade delas de encontrar possibilidades de diversão para este público. Aqui, as psicólogas do projeto responderam para o nosso blog como é uma Sessão Azul e como ela tem feito a alegria de muitas famílias.

1- Por que o nome “Sessão Azul”? Como ela funciona na prática? 

Tentamos unir algo que identificasse o cinema e o autismo de forma suave. Como azul é a cor que simboliza o autismo, decidimos então por Sessão Azul. O filme a ser exibido em cada sessão é escolhido pelo público através de um enquete online que sempre trará ao menos 2 opções de filmes de temática infantil em versão dublada e 2D. Durante a sessão, que não possui trailers comerciais, a sala de cinema permanece com as luzes levemente acesas, o som mais baixo e a plateia pode andar, dançar, gritar ou cantar à vontade. Por meio de profissionais capacitados, os pais aprendem como lidar com as dificuldades da criança ao novo ambiente, para que assim eles possam ajudar nesta ambientação. 

2- A que público ela é destinada?

Foto: arquivo "Sessão Azul"

Foto: arquivo "Sessão Azul"

A Sessão Azul destina-se principalmente a crianças com distúrbios sensoriais, sendo a maioria autistas, e suas famílias. Mas temos recebido crianças com outras dificuldades e atraso no desenvolvimento, como por exemplo Síndrome de Down e X Frágil. Nosso público também tem incluído adolescentes e adultos com estes distúrbios. A liberdade para as famílias poderem se locomover durante a sessão auxilia na adaptação a este novo ambiente. Mas orientamos às famílias que tentem ficar o máximo de tempo em suas cadeiras, de forma que as sessões funcionem realmente como um treinamento ao ambiente do cinema. Um dos objetivos é que elas se sintam confortáveis para frequentar as sessões regulares, cada uma no seu tempo.

3 - É um trabalho inédito no Brasil? Vocês se inspiraram em algum projeto semelhante?

Este tipo de sessão já existe nos EUA, Inglaterra, Canadá e Portugal. Mas também nos inspiramos no CineMaterna, voltadas para famílias com bebês de até 18 meses. Algumas organizações no Brasil já realizaram suas sessões, mas de forma pontual, não havendo uma continuidade. Estamos em contato com várias delas para tentar formar parcerias e levar a Sessão Azul para outras regiões do país.

4- Onde ela já funciona efetivamente? Quando será possível ter isto por todo o Brasil?

Equipe da Sessão Azul (da esquerda para direita):  Mariana Vitorato, Tatiana Balbina, Priscila Mallouk, Bruna Manta, Carolina Salviano, Adriana Costa, Rafaela Figueiredo, Maria Eduarda Figueiredo e Flávia Fabres.

Equipe da Sessão Azul (da esquerda para direita):  Mariana Vitorato, Tatiana Balbina, Priscila Mallouk, Bruna Manta, Carolina Salviano, Adriana Costa, Rafaela Figueiredo, Maria Eduarda Figueiredo e Flávia Fabres.

Começamos a realizar as sessões no final de 2015 e já estamos em nossa 3ª edição, sendo que na última tivemos uma sessão extra. Por enquanto as sessões ocorrem apenas no Rio de Janeiro de forma itinerante, pelos bairros da cidade. Temos recebido vários pedidos de famílias de todo o Brasil e ainda no primeiro semestre deste ano de 2016 já estaremos em outras cidades, através de parcerias com instituições locais.

5- Vocês têm o apoio de uma empresa de cinema. Foi difícil conseguir essa parceria? No final das contas, não é ótimo para o marketing de uma empresa apoiar projetos como este? 

Contamos com o apoio do Kinoplex que abraçou o projeto desde o início, o que não aconteceu com outras redes de cinema que procuramos. Eles inclusive nos proporcionaram fazer a primeira sessão totalmente gratuita e isto foi sensacional. Acreditamos que nos dias de hoje, empresas que apoiam causas sociais acabam tendo maior empatia por parte do público. Infelizmente nem todas estão dispostas a isso.

6- O que já aconteceu dentro de uma Sessão Azul que surpreendeu vocês? 

Espectadores da sessão de cinema.  (Arquivo "Sessão Azul")

Espectadores da sessão de cinema.  (Arquivo "Sessão Azul")

O retorno dos pais tem sido maravilhoso, sempre nos perguntando quando será a próxima sessão. As próprias crianças, sem nenhuma explicação, nos abraçam durante as sessões como se quisessem dizer “obrigado”. Ver toda esta gratidão e amor só nos faz crer que estamos no caminho certo. Já houve casos em que os pais estavam tendo dificuldades de conseguir entrar com seus filhos na sala, devido principalmente ao desconhecimento da criança do que ela iria encontrar do outro lado da porta. Mas através da ajuda das terapeutas, a maioria das famílias que tiveram esta questão conseguiram entrar para assistir o filme, sendo que algumas até o final. Outra surpresa também é o fato de já termos casos de famílias que, após terem ido na Sessão Azul, decidiram levar os filhos em sessões regulares e elas têm tido experiências bem legais.

7- E para os pais que tem receio de um programa como este com os filhos? O que vocês têm a dizer para incentivá-los?

Espectadores da sessão de cinema. (Arquivo "Sessão Azul")

Espectadores da sessão de cinema. (Arquivo "Sessão Azul")

Passamos anos escutando experiências de famílias de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), que deixavam de ter um convívio social maior por receio ou em, alguns casos, até por vergonha da reação do autista em situações que para ele talvez não sejam tão confortáveis. Como por exemplo, ir ao shopping, restaurantes, frequentar festas ou ir ao cinema. Encorajamos os pais a lerem os depoimentos de outros pais em nosso site (www.sessaoazul.com.br) e na nossa fanpage (www.facebook,com/sessaoazul). São relatos muito emocionados. Como o de uma mãe de Niterói, que nos escreveu dizendo: “Obrigada pessoal do Sessão Azul. Felipinho tem dois anos e aprontou todas…. Pela primeira vez o Felipinho "não se comportou" no cinema, mas eu deixei e confesso que gostei. Gostei sim, de ver meu filho ser o que ele é sem olhos julgadores! Nunca fui tão bem compreendida quando Felipinho se jogava no chão. Quando ele fez isso na porta do cinema, uma menina pegou a pipoca e me ajudou a entrar, em vez de passar por cima do meu filho com olhos de super nanny como sempre acontece! Amamos de verdade!”.

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