Só faltava essa: um estudo diz que é errado colocar criança de castigo

Só faltava essa: um estudo diz que é errado colocar criança de castigo

Você, como eu, já usou com os seus filhos “o cantinho pra pensar”? Pois o chamado “time-out”, como dizem os americanos, está sendo condenado por dois especialistas americanos: Daniel J. Siegel, formada em Medicina pela Harvard, professor de psiquiatria e autor de vários best-sellers, e Tina Payne Bryson, psicoterapeuta pediátrica e co-autora do mais recente livro com Siegel: “No-Drama discipline” (ainda sem tradução para o português). O posicionamento deles saiu na Time e deu o que falar.

Segundo a mais nova pesquisa sobre relacionamentos e sobre o desenvolvimento cerebral, a técnica do “castigo” (usada por muitos pais e recomendada por pediatras e psicólogos) não é uma boa alternativa para se corrigir as crianças. Os pesquisadores alegam que repetidas experiências com o castigo podem até modificar a estrutura física do cérebro e de alguma forma a técnica se torna prejudicial tal qual o uso da força física. Ficou pasma? Eu também!

De acordo com os estudiosos, na maioria dos casos, a experiência primária que um time-out oferece para uma criança é o isolamento. Mesmo quando apresentado de forma paciente e amorosa,  o que as crianças assimilam é a rejeição. E eles dizem ainda que pelas imagens do cérebro é possível observar que a experiência de dor provocada pela rejeição, se parece muito com a experiência da dor física.

A alegação contra o castigo é que as crianças têm uma profunda necessidade de conexão. Décadas de pesquisa demonstram que, particularmente em tempos de aflição, precisamos estar perto de alguém e sermos aliviados pelas pessoas que cuidam de nós. Mas quando as crianças perdem o controle e os pais colocam-nas de castigo, elas acabam aprendendo que no momento do sofrimento emocional, elas têm que sofrer sozinhas. 

E ainda, segundo Daniel Siegel e Tina Bryson: time-outs são geralmente ineficazes para atingir os objetivos da disciplina. Para eles, é um equívoco os pais acharem que “o tempo para pensar” serve para as crianças se acalmarem e refletirem sobre seus comportamentos. Eles consideram que, em vez disso, freqüentemente as crianças tornam-se mais irritadas e mais desregradas, sendo menos capazes de se controlarem ou de pensarem sobre o que fizeram.

A sugestão dos estudiosos é que da próxima vez que houver necessidade de impor disciplina, os pais poderiam considerar um "time-in": propondo uma conexão amorosa, como se sentar com a criança e explicar as coisas de forma reconfortante. Eles consideram que, especialmente para as crianças mais jovens, a reflexão sobre o erro é criada no relacionamento, e não de forma isolada.

Eu sei que o assunto é polêmico. E toda vez que aparece um estudo sobre “o jeito certo de criar filho” é aquela comoção: mães e pais se sentindo frustrados, culpados ou muito irritados com mais uma “invenção”. O que fica um pouco confuso pra mim é que no final das contas não pode haver nenhum tipo de punição quando queremos educar um filho? Só muita conversa? 

Pois será que estes mesmos estudiosos já viram uma criança de dois anos dar chiliques, esperneando no chão, porque quer, por exemplo, tomar sorvete antes do jantar? Como é que se pára um chilique? Será que não é bom que esta mesma criança se acalme (justamente no tal cantinho) e depois a mãe consiga explicar que ela estava errada de forma amorosa? Porque dizer que “antes de qualquer coisa” precisamos de muita conversa é fácil, quero ver na prática do dia a dia. 

Não dá pra descartar o que eles dizem, ok… os dois especialistas têm títulos, estudos, livros… Mas só pra dar mais um nó no assunto, a mestre em psicologia Laura Flores Shaw, bastante indignada com este mais novo estudo, publicou no Huffington Post suas indagações, num artigo chamado: “Stop using Neuroscience to Scare Parents” (“Parem de usar a neurociência para assustar os pais”). Ela diz coisas como: “Se você está me dizendo que colocar meu filho de castigo pode machucar seu cérebro, então o que acontece quando eu o deixo na escola ou na creche e ele fica chorando? Isto também prejudica o cérebro porque ele pensa que eu estou rejeitando-o?”.

No seu artigo, Laura Shaw conclui de uma forma que eu achei muito lúcida: “Não estou sugerindo de deixar a criança num canto, sem envolvê-la com amor ou sem ter consciência em torno da nossa relação com ela. Isto seria um absurdo. O que estou sugerindo é que assustar os pais para serem melhores pais usando a neurociência não é o caminho a percorrer. Na verdade, isso vai gerar mais ansiedade, que pode obscurecer as nossas decisões e nos impedir de desfrutar dos nossos filhos e da nossa experiência como pais”.

E você o que acha disso? Qual o seu melhor caminho para educar seus filhos?

Fabiana Santos é jornalista, mora em Washington-DC. Mãe de Felipe, de 11 anos, e Alice, de 4 anos. De vez em quando a mais nova continua pensando na vida por alguns minutos, sentadinha no sofá da sala, quando faz alguma coisa errada. 

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