Quando a gente se dá conta de que os filhos não são propriedade nossa

Quando a gente se dá conta de que os filhos não são propriedade nossa

Uma amiga compartilhou comigo o que ela chamou de um “fim de semana histórico”. Os filhos gêmeos, de 6 anos, iam dormir pela primeira vez fora de casa naquela noite de sábado. Estavam tão eufóricos, se sentindo tão grandes e desbravadores de novas experiências que até pediram para a mãe “fazer um vídeo” onde um deles dizia: “Primeiro dia dormindo fora!”. O mais engraçadinho é que eles foram dormir na casa do amiguinho que mora no mesmo prédio. Nada tão longe que não pudesse ter a supervisão materna… risos. 

Trocando mensagens com essa amiga, contei para ela que coincidentemente também havia ocorrido aqui em casa um “momento histórico” neste mesmo fim de semana. Felipe, o meu mais velho, de 11 anos, recebeu a nossa permissão para circular de bicicleta, o que significa ir e voltar do parque. Ele ficou super empolgado com o programa. Vi nos olhinhos dele como ele estava se sentindo importante de ter o nosso aval para sair sozinho.

Diante desses dois fatos o que eu quero com este post? Por favor, não é ficar medindo com você se é cedo ou tarde para fazer este ou aquele programa sozinho. Pois afinal de contas, cada família sabe de si.

O que eu quero dizer que é emocionante e super gratificante ver um filho ir deixando o ninho, seja por meio dessa ou daquela experiência. Fico pensando que é uma honra para nós, pais ou mães, participarmos desse momento em que estamos de alguma forma dizendo: “vai, que o mundo lhe pertence”.

É claro que com maior ou menor grau de preocupação, o mundo jamais vai ser o ideal, do jeito que a gente gostaria, para receber nossos filhos. E é óbvio que eu já dei (e continuo dando) todas as orientações possíveis, como por exemplo, sobre não aceitar nada, nem falar com estranhos. Mas eu acho que a gente precisa estar em sintonia para ir passo a passo acreditando que o nosso trabalho tem sido bem feito para deixar que eles saiam pela porta confiantes, centrados, tendo adquirido uma base bacana de princípios.

Eu não sei em que fase da infância os seus filhos estão. Não sei se você já experimentou algo parecido com o que eu estou falando aqui. Porque durante uma boa fase da vidinha dos nossos filhos, a gente tem uma sensação de que eles são só nossos, fazem parte da gente, dependem exclusivamente de nós e nada faz a gente ver que eles podem existir sem estarmos em volta. 

Pra mim está sendo fascinante perceber que este “descolamento” é importante. E ao invés de me deixar levar pela angústia porque ele não é mais o “bebê da mamãe”, eu quero demonstrar que confio no que ele tem aprendido comigo e que estarei sempre aqui, aguardando a sua volta, para me contar radiante o que ele viu do mundo.

Fabiana Santos é jornalista, casada e mora em Washington-DC. Ela é mãe de Felipe, de 11 anos, e de Alice, que acabou de fazer 5 anos (mas acha que já tem a "independência" de quem fez 18... risos). 

 

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