Sobre ser mãe e o direito de querer um colo

Sobre ser mãe e o direito de querer um colo

Sabe qual é a coisa mais difícil na maternidade? Não é abrir mão das suas coisas, não é passar anos sem dormir direito, não é ter que decidir sobre coisas que você nem tem ideia se são certas ou não.  Nada disso. A coisa mais difícil da maternidade é ser uma boa mãe quando você mesma não está bem. É o que o Djavan já tinha dito na letra de Esquinas “ … é não ter e ter que ter pra dar.”

Talvez algumas de vocês já tenham passado por fases assim, ou conhecem mulheres que já passaram por momentos em que ser uma boa mãe estava impossível pelo simples fato de que estar na sua própria pele não estava fácil. 

Eu costumo brincar com as minhas amigas que a grande diferença entre estar de ressaca antes e depois da maternidade é que depois der ter filhos você não tem tempo para ficar de ressaca. Pode ter ido para cama tarde, pode estar com a cabeça explodindo, pode estar com vontade de vomitar, seus filhos estão ali como sempre, precisando de você e esperando pelo café da manhã. Pelo menos no que diz respeito a ressaca a gente sabe que em no máximo 24 horas as coisas irão se normalizar. Mas e quando o problema é outro? Como é que a gente faz quando está vivendo uma crise no casamento, uma fase difícil no trabalho, uma depressão, uma doença, a morte de um parente? Desculpe o termo, mas é foda, né? Você saber que tem que estar ali, porque eles são crianças e precisam de você, e ao mesmo tempo saber que você também precisa de você, que a sua energia deveria neste momento estar sendo canalizada para você mesmo e para mais ninguém.

Ao passo que esse amor incondicional é uma das coisas mais bonitas da maternidade, é também uma das coisas mais difíceis de encarar nesta aventura. O fato de que, sim, é mesmo verdade o que as pessoas diziam: você ama alguém mais do que a si mesmo. 

Seria bom se nós pudéssemos admitir com mais normalidade que a vida de todo mundo tem mesmo altos e baixos.  E como consequência, nós, as "super mães" também vamos ter altos e baixos. Ser mãe - ser uma boa mãe -  é uma caminhada bem longa.  E é uma caminhada que corre paralela a nossa vida, paralela as nossas aspirações, sonhos e dificuldades. Não é porque a gente é mãe que a gente fica imune à vida.

Quanto mais ser humano e menos super mãe eu me enxergo, mas entendo o significado amplo do provérbio africano: "É necessário um vilarejo inteiro para criar uma criança." Moro longe da minha família e meu vilarejo não é grande, mas pelo menos tenho a sorte de ter um marido que não me vê como uma heroína de poderes sobrenaturais, capaz de dar conta ao mesmo tempo de todas as áreas da minha vida sem fraquejar nunca. E já que eu sou humana, e ele também, a gente se ampara e se completa nessa enorme responsabilidade de criar os nossos filhos. 

Espero que você tenha a sorte de ter o vilarejo, ou o marido ou simplesmente alguém que esteja disposto a estar do seu lado quando você precisar. Porque uma hora ou outra até a mais forte de todas as mães precisa de um colo.

 

Camila Furtado mora na Alemanha e é mãe da Maria de 7 anos e do Gael de quase cinco. Ela á autora do primeiro livro  "Tudo Sobre Minha Mãe - Um papo honesto e bem humorado sobre a maternidade. Clique aqui para saber mais!

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Porque uma criança não precisa dividir sempre o brinquedo dela e isto não é egoísmo

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