Tirem os maridos da sala: vamos falar da sogra!

Tirem os maridos da sala: vamos falar da sogra!

Ela não é sua mãe. Provavelmente, não criou o filho dela do jeito que você cria os seus. Mas o detalhe nessa história é que o filho dela é seu marido.

Pelo menos 8 entre 10 mulheres tiveram ou vão ter problemas com a sogra. Não, este dado não foi tirado de nenhum estudo científico. Esta é a minha comprovação, fruto de muita observação.

E já que aqui no nosso blog a gente já escreveu sobre os tipos de mães, eu resolvi reunir as variedades de sogra disponíveis por aí.

Pelo menos uma vez por semana alguém desabafa detonando a sogra, num grupo de mães de uma rede social. Se a gente observar com distanciamento (porque na maioria das vezes a gente até concorda com o desabafo) chega a ser engraçado.

Uma mãe já admitiu que investiga o cocô do filho para checar se a sogra não deu nenhuma besteira para o bebê comer. Esta poderia ser chamada de "sogra balinha", a que não se cansa de repetir que um docinho só (e depois outro e outro) não faz mal, justamente tendo como nora uma defensora da comida mais saudável possível. E ainda faz questão de carregar sempre um saco de jujubas como moeda de troca com os netos.

Num outro desabafo do mesmo grupo, uma mãe exausta tentava já tarde da noite colocar os dois filhos para dormir. E a sogra, que chegou para visitar e supostamente ajudar, avisou que estava cansada demais e foi dormir antes. Uma legítima "sogra enxaqueca": a que faz muita festa, mas na hora que você mais precisa ela pula fora.

Alguns pepinos com sogra são completamente previsíveis. E eu fico impressionada das duas partes não se tocarem de que a discussão é inútil. Com a "sogra discurso" ou "sogra pitaco", a única coisa a fazer é ouvir (e só ouvir). Ela não se cansa de repetir que não fazia assim com o filho dela, que no tempo dela mãe era diferente, que certo mesmo é dar um chazinho pro recém nascido se acalmar. Para muitas, o céu é o limite na hora de opinar: desde a cor do seu cabelo à futura escola das crianças. E se nesse caso, o marido tiver a mãe como ídolo... Sim, minha amiga, aí este tipo de sogra evolui para o modelo "sogra discurso turbinado" porque conta com o apoio do filho que acha que "mamãe sabe tudo".

Tenho uma conhecida que passou dez anos sem falar com a sogra. Cortou relaçōes depois de cinco anos de casada por causa dos palpites inconvenientes. Vivia falando mal da figura, que realmente não era fácil. Eis que esta conhecida se separou e aí: virou amissíssima da ex-sogra!

Uma amiga tem o tipo de "sogra chiclete": aquela que quer ser tão gente boa e eficiente que gruda. Ela quer dar um jeito sutil de tomar as rédeas da casa, que por acaso não é dela. A sogra desta minha amiga ainda vem com o adicional presente em muitas: a "sogra ave maria". Em qualquer situação, ela se faz de vítima e o filho acha que tem uma mãe-santa. "Ela só quer ajudar", defende o marido.

A relação é delicada. Lá no fundo, psicanaliticamente falando, as sogras quase sempre acham que "alguém roubou o filho dela". Afinal, depois de casar o filho segue outro rumo, aceita as sugestões de uma outra mulher, se desprende do seu modelo de família original.  Pela perspectiva da sogra: deve ser muito difícil encarar esta mulher do filho que muitas vezes não tem nada em comum com ela. Mas por outro lado, essa sogra já teve ou tem sogra. E com certeza nem tudo foi perfeito.

Mas será mesmo que essa relação está fadada a ser, na maioria das vezes, um barril de pólvoras? Talvez um bom exercício para tentar aceitar e entender o outro lado, seja a gente se imaginar como sogra. Já fiz isso... E não quero cair nos clichês!!! Quero reinventar novos padrões de relacionamento, pôr em prática meus anos de análise, não julgar para não ser julgada e tentar ser uma "sogra do bem ", uma "sogra cuca-fresca", uma "sogra update". Se eu vou conseguir? Só minha futura nora vai poder dizer um dia.

 

Fabiana Santos é jornalista e mora em Washington-DC. Mãe de Felipe, de 11 anos, e Alice, de 5 anos. Ela pede sinceras desculpas àquelas sogras que não se encaixam nas descritas neste texto e se esforçam para construir, para o bem dos seus próprios filhos e netos, uma relação bacana com suas noras.

Não rompa relacionamentos por causa de um biscoito recheado

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Sucesso não é coisa de quem "nasceu inteligente",  e sim de quem se esforça

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