5 coisas que podem fazer a gente ser melhor como pai e mãe

5 coisas que podem fazer a gente ser melhor como pai e mãe

Ilustração gentilmente cedida pela artista plástica Adriana Galaxe

Ilustração gentilmente cedida pela artista plástica Adriana Galaxe

Meghan Leahy tem trabalhado com centenas de pais desde 1998, seja como educadora ou conselheira. Com isso ela observou o que faz com que alguns sejam mais competentes do que outros. Ela concluiu que pais competentes não são medidos por qualquer um dos padrões culturais em voga hoje em dia. Eles vêm das mais variadas origens e têm seguido variados caminhos para criarem seus filhos.

Pais que se submeteram a um trauma grave quando crianças, ainda assim têm conscientemente criado famílias com os valores que eles nunca sequer experimentaram. Pais que têm crianças com necessidades físicas e emocionais graves parecem cultivar uma vida de mais esperança e alegria. Pais mais introvertidos, mas com filhos super extrovertidos, conseguem administrar as suas próprias limitações, a fim de que os filhos possam florescer.

Todos estes pais oferecem as mesmas coisas aos seus filhos: segurança (física e emocional), conexão, limites e paciência. Eles não são perfeitos, nem são eficazes o tempo todo. Eles continuam tentando, mesmo em momentos de turbulência, dúvida, erros flagrantes e medo. Podem se sentir vencidos por uma noite, mas se levantam no dia seguinte prontos para começar novamente.

Aqui estão cinco maneiras que, segundo Meghan Leahy, podem fazer também de nós pais e mães mais competentes.

1. Cultive um sistema de valores na família. Nossa maravilhosa mistura de religiões, etnias, visões de mundo e costumes significa que somos capazes de criar os nossos próprios valores familiares. Isto é ao mesmo tempo libertador e problemático. Como nos posicionamos sobre fé, trabalho, educação, puberdade, sexo, amor, união? As perguntas podem continuar e continuar. Ao invés de ver isso como um problema, os pais têm o poder de criar os seus próprios valores familiares e isto é espetacular.

Você gostaria de ter mais fé já que foi criado num ambiente sem acreditar em nada? Você pode escolher uma religião para si e para seus filhos. Você sente que viajar é uma forma importante para entender o mundo e como os outros vivem? Você pode pegar a estrada com sua família em todas as oportunidades. Você cresceu fazendo trabalhos voluntários e adorava? Você pode continuar a fazer isso junto com a sua família.

Não adianta apenas considerar algo importante, fazendo sem refletir sobre sua escolha. Pais competentes escolhem conscientemente seus sistemas de valores, conversam sobre essas escolhas e se certificam de que estão praticando-as em suas vidas diárias. Os pais sabem que se eles não criarem um sistema de valores para a sua família, a nossa sociedade vai fazer isso por eles e, francamente, não queremos que a sociedade crie nossos filhos.

2. Priorize o auto-cuidado. Existem pais que ao longo dos anos enfrentam situações extremamente difíceis: crianças terrivelmente doentes; um cônjuge inesperadamente doente; dificuldades de carreira, moradia, dinheiro… No entanto, eles carregam seus problemas com esperança, um reconhecimento honesto das dificuldades e (isso é importante) uma surpreendente falta de auto-piedade. Qual é o traço comum entre esses pais? O cuidado pessoal.

Este auto-cuidado não significa apenas colocar as suas necessidades físicas e emocionais em sua lista de coisas para fazer, mas também usá-lo como uma bússola para a vida. Sem o auto-cuidado, você é um mártir, vivendo de momento a momento. Você fica saltando ao longo da vida como uma bolinha de tênis, às vezes como vencedor, muitas vezes como perdedor. Isso pode fazer com que você se ressinta com os seus filhos e com seu parceiro. Você se ressente no trabalho quando você está lá e em casa quando você está lá. Você acaba se sentindo perpetuamente cansado.

Auto-cuidado é a cola que mantém você junto da sua família! Uma mãe que prioriza os jantares de aniversário de casamento com seu marido; outra que sai para correr sozinha, mesmo que ela tenha crianças doentes. Outra mãe, que passando por um divórcio terrível, aceita o apoio dos amigos com leveza. Ou quando uma mãe está no desespero com seu primeiro bebê, é possível aceitar ajuda de vizinhos e familiares ignorando aquele orgulho interior gritando: "Não, eu consigo fazer sozinha”.

Pais competentes colocam suas próprias necessidades no topo de sua lista de prioridades. Quando essas necessidades são satisfeitas, os pais se sentem satisfeitos. E quando os pais se sentem realizados, eles podem tranquilamente voltar para sua família com energia renovada, sentindo-se profundamente ligados à ela e prontos para o que vem pelo caminho. Pai e mãe equilibrados criam equilíbrio em suas famílias.

3. Crie limites fortes mas ao mesmo tempo suaves e mantenha rotina. Esta é, sem dúvida, a mais poderosa estratégia de mobilização de crianças pequenas. Pais competentes sabem que quanto mais nova a criança, mais limites e rotinas são necessários. Quer se trate de acordar, comer, dormir ou tomar banho, uma criança se sente segura quando as coisas acontecem repetidamente. No entanto, os pais competentes também sabem que é preciso haver espaço para a flexibilidade dentro dessa estrutura. Por quê? Porque a vida anda. Os pais sábios sabem que um limite imposto com muita força e uma rotina que não permite que uma criança cresça, criará tensão e raiva.

É melhor para as crianças brigarem por causa de uma regra do que ficarem contra seus pais. Se a criança pergunta “Por que eu tenho que fazer minha lição de casa agora?", a resposta é: ”Porque este é o tempo pra fazer o dever de casa" em vez de "Porque eu estou dizendo que tem que fazer." Não é que uma resposta fará com que a criança adore o dever de casa. É que a última resposta está enraizada no controle, enquanto a outra é uma declaração de que “isso-faz-parte-da-rotina”.

À medida que a criança cresce, os limites e rotinas podem gerar algum debate, mas ainda é importante mantê-los. Apesar das variadas reações, jovens e adolescentes não querem que seus pais os deixem sem rédeas; eles só querem ouvir uma voz enquanto testam até onde podem ir.

4. Não tome o comportamento do seu filho como algo pessoal. O fator bonito e complicado de ser pai e mãe é que você ama seus filhos, e este amor torna tudo pessoal. O seu trabalho é, no entanto, reunir toda a sua maturidade e entender que as crianças são imaturas. Elas estão reagindo a impulsos profundos vindo de dentro delas, agradáveis ou resistentes.

Se você cair na armadilha de tomar o comportamento de seus filhos como pessoal, você não vai conseguir enxergar claramente os seus filhos. Você está muito ocupado reagindo aos seus próprios erros. Você explode ou você vacila. Quando você se acalma e percebe que não é realmente uma culpa sua, você estará livre para ser pai e mãe. E quando você ocasionalmente explode, se perdoa e segue em frente.

Não é que você vai desfrutar de birra do seu filho, tolerar que ele bata ou comemorar uma grosseria. Não. Mas você vai entender que a experiência humana envolve sentir emoções e deixá-las sair. E as crianças precisam disso com frequência. Nós temos que guiá-las, abraçá-las, criar limites e ajudá-las a se moverem através das emoções para seguirem em frente.

Pais competentes reconhecem que não existe uma solução para isso. Grandes emoções são inconvenientes, mas elas são apropriadas. Se as emoções forem sempre sufocadas, isso vai provocar crianças com raiva, violentas e distantes.

5. Gaste tempo se conectando, sabendo rir, brincar e não se leve (nem seus filhos) muito a sério. Os pais mais competentes, testemunhados pela autora, curtem pequenos momentos com seus filhos e criam intimidade. Nossa cultura é distrair-nos mais e mais (smartphones, certo?), Mas é fundamental lembrar-se de dar aos seus filhos a sua total atenção. Pais competentes não deixam momentos escaparem, e quando eles percebem que estão distraídos, eles voltam a se concentrar.

Abrir espaço para incentivar jogos imaginativos é um bom caminho. Isso vai variar de família para família, mas o bacana é que há espaço para todos os tipos de brincadeira.

E talvez o mais importante: a brincadeira não termina quando as crianças crescem. Uma das razões que muitos pais falham é que eles vivem em uma montanha-russa infinita e se esquecem de aproveitar o passeio. Pais competentes usam o tempo, entre suas tarefas diárias, para preencherem a vida com alegria, risos e brincadeiras. Faça disso uma prioridade, e você, também, será um pai ou mãe competente - e um ser humano competente.

Este texto é uma tradução livre do texto: "Five things that can make you a better parent right now"publicado no Washington Post.

 

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