Muito além da Cidade Olímpica: a injeção de ânimo que o carioca precisava

Muito além da Cidade Olímpica: a injeção de ânimo que o carioca precisava

Foto: André Joaquim (veja mais sobre o trabalho fantástico dele em www.andrejoaquim.myportfolio.com)

Foto: André Joaquim (veja mais sobre o trabalho fantástico dele em www.andrejoaquim.myportfolio.com)

Eu e um monte de gente tínhamos muito medo de não dar certo. Era tanto pessimismo e baixa estima. Era muita uruca. E olha, não foi por achar que não tínhamos capacidade, mas é que realmente muita coisa parecia estar conspirando contra.

Eu, que vivendo há cinco anos fora do Brasil, com um marido enlouquecido (no bom sentido) para prestigiar sua cidade natal num evento dessa proporção, tinha receio pela segurança de todos e pela possibilidade de pagarmos um mico internacional.

Mas não houve nada disso. E estou aqui para pagar minha língua pelos meus maus presságios. O saldo foi mais do que positivo. Foi surpreendente.

Eu estava no Rio e preciso dizer pra você que está morando fora como eu e nos últimos tempos vinha sentindo muita tristeza pelo Brasil: as Olimpíadas foram a maior injeção de ânimo que uma cidade como o Rio de Janeiro poderia receber. 

Eu não sou nem hipócrita, nem lunática para reconhecer que nossos problemas crônicos não acabaram. Esta é uma outra história. O que estou falando aqui é sobre um "empoderamento" de um povo e foi isso que eu vi nesses dias. Estávamos nós, todos os brasileiros que circulavam pela cidade, nos achando o máximo, entende? 

Algo que precisava muito acontecer: a certeza de que a cidade não dá conta apenas de fazer festa, mas de fazer evento. De que consegue receber e receber muito bem. De que é pra sentir orgulho mesmo de ser uma cidade turística tão sensacional quanto qualquer outra do mundo. Muito além de ter sido Cidade Olímpica.

Deu orgulho ver o motorista de táxi me contando que levou um grupo da Lituânia para fazer um circuito pelos morros cariocas porque eles acharam fascinante o relevo da cidade; deu orgulho ter sido parada na Avenida Rio Branco por um casal italiano que queria muito saber pra que lado era a Candelária; deu orgulho observar duas alemãs fascinadas por bolinho de feijoada num bar da Zona Sul e ouvir de um motorista de Uber que ele apresentou a Feira de São Cristóvão para uma família chinesa que comeu carne seca e levou um monte de farinha pra casa.

Ninguém precisou falar fluentemente qualquer língua. Já foi mais do que sacramentado que a nossa simpatia e boa vontade superaram qualquer barreira. Era tanto desejo de acertar que a moça de uma farmácia me contou rindo que até em russo ela se entendeu, mesmo não falando qualquer palavra do idioma. 

O melhor do Brasil é o Brasileiro? Sim. E esta frase, mesmo clichê, é perfeita para entender o que existiu no Rio de Janeiro. E tem outra que eu também gosto muito: "Faz o bem, que ele volta pra você". E o meu desejo sincero à Cidade Maravilhosa é que muitos turistas voltem, outros tantos se empolguem pra descobri-la. A alma carioca merece.

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 11 anos, e de Alice, de 6 anos. Eles moram em Washington-DC. Apesar de goiana de nascimento e brasiliense de uma vida toda, grandes amores seus são cariocas: o marido, o pai e a melhor amiga. 

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