Separada e casada consigo mesma

Separada e casada consigo mesma

Estou divorciada há mais de 6 anos e atualmente não há ninguém na minha vida. E eu não estou procurando ninguém também. Tive algumas histórias nesses anos, uns casos mais sérios, outros menos, outros que eram só atração física. Mas nos últimos meses não fiquei com ninguém, estive 100% sozinha. 

E sabe o que é o mais interessante desta fase? Eu estou super bem assim. Será que sou a única?

Tudo que eu leio e escuto sobre divórcio parece conter uma mensagem implícita: você está separada? Procure um homem.  Principalmente quem acaba de se separar sai à caça como se estivesse correndo contra o tempo, como se houvesse um prazo final para arrumar outro amor. É quase uma nova versão do relógio biológico para engravidar. Suas vidas não estarão completas enquanto não estiverem outra vez dividindo a cama com alguém. O que eu mais escuto dos outros é: “Por que você não está saindo com ninguém?” ou “Você tem que achar um cara legal!” ou ainda: “Sabe do que você tá precisando? Você precisa é sair, paquerar!”

Existem sim muitas coisas que eu preciso fazer: eu preciso trabalhar. Eu preciso criar meus filhos. Eu preciso lavar roupa,  ir no supermercado e levar o cachorro para passear. Será que eu preciso mesmo estar num relacionamento?

Acho que não.

Tem uma coisa muito libertadora em ser solteira. Me tornei mestre em ficar sozinha, isso não significa ser uma pessoa sozinha. Aprender a ficar bem apenas com a minha presença foi um dos presentes que ganhei com a separação, uma habilidade que demorei quase uma vida inteira para desenvolver e mais tempo ainda para apreciar. 

Não me interprete mal: eu não passo todo meu tempo livre sozinha. Eu tenho quatro filhos, um cachorro e um batalhão de amigos maravilhosos. Se eu quisesse eu poderia estar fazendo toda noite uma coisa diferente. Mas ao invés disso, de vez em quando, eu prefiro ficar comigo mesma. E eu gosto. 

Antes de me separar, o máximo de tempo que tinha morado sozinha foi por uns poucos meses. Morei com meus pais, depois dividi apartamentos com amigos, depois fui morar com o meu namorado, que virou meu marido. Na realidade, eu também não estou morando sozinha agora, tenho as crianças e o cachorro. Mas sem dúvida é a primeira vez na minha vida que eu estou solteira e eu não estou procurando.

Com certeza um pouco dessa “não busca” é também uma maneira de me preservar, dar um arrego para o meu coração, que passou por maus bocados com a separação. A separação deixou marcas em mim, mas sei que elas não vão ficar aqui para sempre. Não estar ativamente buscando por alguém agora não tem nada a ver com o receio de me colocar em uma posição vulnerável ou de não confiar mais nos homens.

Claro que depois de ter o coração quebrado, a gente fica mais cuidadoso, mas gosto de olhar para essa minha fase sozinha como uma fase de aprendizado. Estou aprendendo a curtir minha própria companhia, o que com certeza vai ser de grande valia quando eu estiver em outro relacionamento.  É necessário ser muito valente para encarar a vida sozinha. Tem dias que olho para mim mesma e sinto muito orgulho da minha coragem. Estou aprendendo a enfrentar as minhas tempestades sozinha, e acho que todas as mulheres deveriam saber fazer isso. 

Não estou criticando quem se separou e entrou direto em outro relacionamento. Tenho amigos que encontram amores muito melhores, pessoas incríveis, assim que se separaram. E isso é maravilhoso. Mas cada um tem o seu caminho para trilhar depois da separação, cada pessoa tem um jeito de crescer e se reestabelecer. Verdade seja dita, é claro que existem momentos que me dá uma certa inveja dessas pessoas que já estão de amor novo. É tão maravilhoso estar em uma relação bacana. Mas aí eu olho os outros amigos, aqueles que estão na busca, saindo com várias pessoas, ás vezes até apresentando os candidatos para os filhos, vejo os corações partidos, a energia investida desperdiçada… E sempre me pergunto: será que passar por essa maratona de candidatos errados é o jeito certo de encontrar o amor da nossa vida? Ou será que é simplesmente uma maneira de exercitar o músculo do amor para que ele não adormeça demais?

Sei lá… não dizem por aí que se for para você encontrar um amor, você encontra procurando ou não? Se eu encontrar alguém, maravilhoso! Eu não quero cortar amor e sexo para sempre da minha vida. Eu só decidi que por hora, não é minha prioridade número 1. Talvez eu encontre meu príncipe encantado na fila do supermercado ou passeando com o cachorro. Ou talvez seja em dos jogos de futebol do meu filho ou buscando minha filha em uma festinha de aniversário. Ou talvez eu não o encontre.

Não sei… Só sei que de um jeito ou de outro, eu vou ficar bem. 

Esse texto foi traduzido e adaptado para o blog, para o ler o original, da americna Jennifer Ball, clique aqui. 

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