Mães imperfeitas, uni-vos!

Mães imperfeitas, uni-vos!

A Catarina é mãe da melhor amiga da minha filha e por um golpe do destino e uma festa louca, acabamos virando amigas também. O golpe do destino foi que nossos maridos começaram a trabalhar em outras cidades na mesma época, o que fez de nós, mães quase solteiras de uma hora para outra - as duas trabalham, as duas têm dois filhos para cuidar sozinhas e as duas moram em um país em que babás e empregadas são artigo de luxo. A festa louca foi meu aniversário de 40 anos, em que ela chegou toda trabalhada na imagem de mãe comportada e terminou às 4 horas da manhã abraçada no sofá daqui de casa com meus amigos gays. 

Detalhes bizarros - e divertidíssimos-  à parte, não tenho palavras para agradecer aos céus por ter uma amiga como ela por aqui. A gente se ajuda sempre. Ela tem que trabalhar até mais tarde? Eu pego as meninas. Eu quero sair à noite? Ela traz a filha para dormir em casa e assiste Netflix até eu voltar. Precisa levar bolo para a festinha da escola? Uma das duas faz logo dois.

Outro dia mesmo, antes de uma reunião de pais, descobri que tinha que levar 20 euros para a caixinha da classe. Minha filha me avisou 10 minutos antes e eu não tinha tempo de passar no caixa eletrônico. Mandei mensagem para Catarina, que também não sabia e também não tinha dinheiro. Entrei na escola meio em pânico, mas quando a encontrei ela piscou e disse no meu ouvido: “Fica fria, peguei 40 euros escondido do cofrinho do Theo, amanhã a gente devolve."

Combinamos que podemos pedir tudo uma para outra, sem medo de parecer folgada, relapsa ou qualquer coisa assim. Se der, a gente se ajuda e se não der, não deu. O mais legal é que entre nós não há teatro. A gente não finge que é fácil. A gente não finge que está tirando de letra essa coisa de maternidade. Com a Catarina, eu posso falar dos meus piores momentos, e ela vai escutar, dizer que é fase, que vai ficar tudo bem e que na semana passada os filhos dela comeram macarrão com molho de caixinha 3 vezes. Nos nossos piores dias, quando estamos nos desdobrando para dar conta de tudo e temos a impressão de que vamos ter um ataque do coração a qualquer momento, repetimos nossos mantra uma para outra: “está tudo bem, nossos filhos estão bem, eles têm saúde, são felizes, ninguém nunca morreu de comer macarrão com molho caixinha…. ommmmm".  E é verdade, ninguém aqui é perfeita não, mas está tudo bem.

Outra coisa maravilhosa é que nem eu, nem ela estamos mais naquela fase em que a maternidade é o único interesse da nossa vida. Nós passamos por uma fase assim quando as crianças ainda eram pequenas, mas passou. Agora estamos em um estágio em que queremos dar um gás a mais no trabalho, expandir nossas amizades e horizontes e claro - porque não? - se divertir!  

Há duas semanas, por exemplo, a Catarina se matriculou em um curso de dança de salão. E na hora que você, com dois filhos, trabalhando, e sem marido num raio de 1000km, resolve se matricular na dança de salão porque “sempre foi seu sonho”, tudo que você precisa é de uma mãe amiga que em vez de te chamar de insana, te chama de corajosa. Vai, lá mulher!! Arrasa no Tango! 

negócio de maternidade, aprendi que é muito melhor se cercar de mães tão fortes que são capazes de se mostrarem reais, do que aquelas que insistem em fazer a linha propaganda de margarina. 

E convenhamos...  se a gente tentar levar tudo muito a sério… aí sim, a gente fica louca de verdade. 

Camila Furtado mora na Alemanha, e é mãe da Maria de 7 anos e do Gael de 5. Ela aprendeu que é melhor ser amiga de mães tão fortes que são capazes de se mostrar reais, do que aquelas que insistem em fazer a linha propaganda de margarina.

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