Para você, que acabou de virar mãe: não há como se preparar para a maternidade

Para você, que acabou de virar mãe: não há como se preparar para a maternidade

Seu bebê nasceu, você está sentindo na pele o maior amor do mundo, mas ainda não tem ideia do que vem pela frente. Sei que não há como se preparar para a maternidade. Cada mãe tem que fazer suas próprias experiências, mas mesmo assim quase que para processar tudo para mim mesma, reuni aqui as minhas lições dos últimos anos. E sei lá... vai que ajuda alguém, né?

Bom é ótimo. Abrace a imperfeição, pois ela vai fazer parte da sua jornada. O quanto antes você aceitar isso, mais fácil será a maternidade para você. Lembre-se sempre que seu filho não precisa de uma mãe perfeita, ele precisa é de uma mãe presente. Com todos os seus erros, acertos, dúvidas e principalmente com muita vontade de evoluir e acertar mais do que errar. 

Cuide do seu casamento. Um dos presentes mais legais que podemos dar para nossas crianças é a chance de crescer em uma família harmoniosa e feliz.  Os filhos sempre serão a prioridade máxima, mas o casamento também é fundamental. É claro que no começo é difícil, mas é importante manter a relação à dois no radar. As coisas mudam muito depois dos filhos, o que não deveria mudar é o que uniu vocês em primeiro lugar. Aquela conexão para a qual vocês sempre poderão voltar quando as coisas estiverem difíceis, e acredite, até nos melhores casamentos, as coisas ficam difíceis à vezes. 

Deixe seu marido ser pai. Controle o ímpeto de fazer tudo sozinha. Já cansei de ver várias mães que reclamam que o marido não ajuda, mas quando ele vai fazer alguma coisa tem ser tudo do jeito da mãe. Deixa ele sentir a responsabilidade sozinho, cometer seus erros, entender o que é um bebezinho chorando às 3 da manhã e não ter noção do que está acontecendo. O pai do seu filho não é seu ajudante, e se ele precisa entender isso - para alguns homens demora para cair essa ficha - a melhor maneira é delegar responsabilidade de verdade.  

Tudo bem se você der uma pirada. Chora, ri, anda descabelada pela rua se for o caso. É tanta emoção envolvida, tanto hormônio solto no corpo. Não me lembro de quantas vezes eu ia colocar minha filha para dormir e via aquele anjo no berço e chorava. Chorava de emoção, de cansaço, de alegria. Parecia louca, mas e daí? Eu era uma bomba de hormônios, jorrando leite e responsável pela coisa mais incrível do mundo. Quem não fica louca numa dessas?

Dorme. Não arruma a casa, não fique lendo besteira na internet. Dorme. Faça de tudo para dormir, e se for possível se cerque de gente (marido, avós, tias, amigas) que te ajudem a recuperar o sono perdido. Eu passei anos mal dormida, funcionando no piloto automático, e passando o dia como se estivesse carregando um saco de pedras nas costas. Tem uma hora que você acha que viver assim é normal, mas não é. Tudo fica mais leve, tudo dá mais certo quando você está descansada. Você verá que bem dormida, você possui super poderes. E na boa… quem quer ser criado por uma mulher semi-morta?

Não esqueça dos seus interesses. Tente continuar fazendo o que você gosta, mesmo que não seja mais na mesma quantidade de antes. Não se sinta culpada, nem egoísta por querer cavar um horário para encontrar as amigas, para praticar o esporte que você gosta, para ir na aula de tango, se for o caso. Fazer o que gostamos, nos deixa feliz, recarrega as baterias. É mais fácil ser uma boa mãe, quando você está feliz.

Confie em você. Confie na sua intuição e no que você acredita. Existem mil fórmulas e linhas pedagógicas para praticamente tudo que envolve as crianças. Mas você terá que se decidir por uma, então melhor que seja uma que esteja alinhada com o seu coração e com a sua cabeça. Afinal, o filho é seu! E o filho de outras pessoas é de outras pessoas!

Haverá dias chatos. Dias muito chatos, dias que você gostaria de sair correndo. É normal. Todas as mães sentem isso, apesar de que nem todas se dão o direito de falar isso. Por mais desejado e amado que sejam nossos filhos, a maternidade não nos deixa imunes ao tédio, ao cansaço, a dúvida, ao saco cheio. O dia que você quiser desaparecer, bom… provavelmente você não vai poder, mas pelo menos não fica se chicoteando emocionalmente. Você não é uma santa porque virou mãe, você ainda é uma pessoa normal, e a vida normal às vezes é chata, sabia? 

Ser mãe é ter culpa. Ah… a culpa, nossa constante companheira. Afinal, essa mini pessoa é sua responsabilidade. Tudo pode acontecer com ela ou não, por sua causa! Ufff... que terror. Já que haverá culpas difíceis de digerir, tente pelo menos se livrar das culpas desnecessárias. Tente ter compaixão consigo mesma e lembre-se que não é fácil ser mãe e que você fez o seu melhor naquele momento. Olhe para frente e pense que é essa é uma longa caminhada e que a gente está em evolução. 

Aproveita. Aqui vai a frase mais falada, mais óbvia e mais ignorada de todas quando você está no olho do furacão: passa rápido. Minha bebê tem 7 anos, meu bebê tem 5 anos. Quando vejo vídeos e fotos deles pequenos a saudade dói. Mas sei que eu estava lá, e que mesmo com toda a trabalheira, eu curti muito esse momento com eles.

Camila Furtado mora na Alemanha. Ela é mãe da Maria e do Gael, duas fontes intermináveis de lições e aprendizados diários. 

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