Quando a mamãe quer que você odeie o papai (ou vice-versa)

Quando a mamãe quer que você odeie o papai (ou vice-versa)

A expressão “Alienação Parental” entrou na minha vida há uns 6 anos quando precisei fazer um programa de tv a respeito do tema. Eu nunca tinha ouvido falar: a mãe coloca o filho contra o pai ou vice-versa, quando geralmente estão separados. E muitas vezes esse jogo de pintar o pai ou a mãe como monstros não é escancarado, ele vem sutilmente sendo apresentado de maneiras que induzem a criança a pensar que um dos dois, o pai ou a mãe, não a quer ou não gosta dela. 

Na época eu entrevistei uma moça que, quando criança, a mãe confundia de propósito os dias da visita só para demonstrar que o pai era displicente com a filha. Ela combinava uma coisa com o pai e dizia outra para a filha. Assim, a menina ficava prontinha aguardando o pai num dia que obviamente ele não viria, só para a mãe ter o gostinho de dizer: “Tá vendo, ele marcou e não veio. Ele não liga pra você”.

Eu também entrevistei um pai que chegou a ser preso, como medida cautelar, porque a mãe inventou que a filha foi abusada sexualmente pelo pai. Ele passou 4 meses sem ver a filha. Precisou de muitas testemunhas, audiências, muito choro e depressão para provar que nada daquilo era verdade. E ainda ouvi a história de uma mulher que achou que o pai tinha morrido porque simplesmente a mãe inventou a história da morte dele. 

A pessoa que aliena acha que a felicidade do filho é ficar longe do que lhe trouxe infelicidade. Ela mistura tudo, não sabe de jeito nenhum separar as coisas. Para o psicólogo Rossandro Klinjey, a raiva do ex-parceiro (ou ex-parceira) no fim de um relacionamento é um sentimento compreensível, afinal, quem nunca se magoou quando o amor acaba? "Mas o amor pelo filho tem que ser maior do que o ódio que você sente pelo pai ou mãe dele", diz o psicólogo.

"A mãe ou pai que aliena o filho a respeito do outro sem dúvida nenhuma vai pagar caro no futuro. Quando este filho descobre que foi enganado, não existe justificativa que dê jeito", diz Klinjey. Ele alerta ainda que se o ex-parceiro ou ex-parceira não é um bom pai ou mãe, quem precisa descobrir isso é o próprio filho. Claro que não estamos falando de situações reais de abuso ou violência. 

É fato que tem um monte de pai (e de mãe) que abandona seus próprios filhos. Mas depois de me inteirar sobre esse assunto, eu fiquei imaginando o tanto de histórias que poderiam ter outros desfechos, o tanto de gente que deixou de conviver com pai ou com a mãe, justamente porque foi vítima de alienação parental sem nunca ter se dado conta.

Eu não sei se você passa por isso ou já viu famílias assim. O fato é que o caso é tratado como síndrome de tão sério e de tanto estrago que traz para uma criança. Eu acredito demais no poder da terapia, do quanto um bom psicólogo ou psicóloga pode ajudar. E eu sei também que quando a gente está de fora é super difícil se meter num história dessas. 

Mas vai que você está lendo esse meu texto aqui e identifica seu filho, sua filha, seu irmão, ou sua irmã, alguém bem próximo que seja, alienando os próprios filhos em relação ao ex-parceiro ou ex-parceira? Eles precisam de ajuda médica para entender o que estão fazendo, porque na maioria das vezes eles não se dão conta do quão nocivos estão sendo para os filhos. Porque eles sempre vão justificar que esses atos são prova de amor. Mas estas pessoas precisam de ajuda para não impedirem seus filhos de serem amados, nem de perderem o amor deles no futuro. 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 12 anos, e de Alice, de 5 anos. Eles moram em Washington-DC. Um trecho da reportagem citada, que ela fez em 2010, pela TV Justiça, pode ser vista aqui.

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