Ser mãe na Austrália: o que é bom, o que é ruim e o que é mais ou menos

Ser mãe na Austrália: o que é bom, o que é ruim e o que é mais ou menos

Uma leitora topou contar pra gente suas observações do que é bom, ruim e mais ou menos de criar seus filhos na Austrália. A terapeuta ocupacional Thaysa Ramos mora em Perth, na parte oeste do país, há 9 anos. Ela é casada com um brasileiro e tem duas filhas: Iris, de 7 anos, e Valentina, de 4. Agradecemos a Thaysa pela colaboração!

O que é bom?

A primeira coisa é segurança. Antes de morar na Austrália, eu morei em Maceió. Fui assaltada a mão armada e isto me deixou muito apavorada. Aqui é uma tranquilidade. Nós andamos com o vidro do carro aberto, paramos no semáforo, e podemos ficar no carro esperando enquanto o meu marido vai ali pegar algo no mercado. É um detalhe pequeno esse de “ficar tranquilo dentro de um carro”, mas pra mim não tem preço.

A infra-estrutura pensada para quem tem filhos. Seja em parques, eventos, escolas ou shoppings, você vai sempre encontrar um espaço para trocar a fralda do filho, esquentar a mamadeira e até cortinas para amamentar se for uma opção da sua cultura. Os parques são bem cuidados e uma opção para brincar inclusive no inverno. Eu acho ótimo minhas filhas terem muito contato com natureza, praia, trilhas. E aqui eles têm a preocupação com o meio ambiente. Desde cedo, elas aprenderam na escola sobre o gerenciamento do lixo (lixo molhado e lixo reciclável).

A oportunidade das minhas filhas de conviverem com as diferenças. Não digo apenas com pessoas de várias culturas, mas também com coleguinhas que tenham dificuldades físicas ou mentais. As famílias que têm filhos com algum tipo de deficiência contam com muito apoio e a inclusão nas escolas é muito bacana. Na escola pública das minhas filhas, por exemplo, tem um programa muito bom que acompanha crianças com autismo. 

O senso de responsabilidade e entrosamento familiar. Como não temos família por perto e custa caro ter alguém para ajudar nas tarefas de casa, nós fazemos quase tudo por nós mesmos. Desde a limpeza até a pintura da casa. Claro que no começo foi difícil, mas com o tempo a gente constatou que essa oportunidade nos tornou mais fortes como família e fez as minhas filhas serem crianças mais comprometidas. 

O que é ruim?

Pra uma família de brasileiros nordestinos… falta cheiro e chamego! O australiano pode ser afetuoso, mas depende da região que ele vive e do nível de proximidade que ele tem com você. Tenho sorte pois na escola das meninas abraçar é algo permitido e até incentivado. Morro de felicidade quando vejo minhas filhas demonstrando afeto a um coleguinha.

O custo de vida aqui é caro. Até viajar pela Australia é mais caro do que ir a outros destinos próximos como Bali, Fiji e Maldivas. As nossas férias precisam ser bem calculadas para conseguirmos pagar. Sair com o marido? Uma bagatela de uns 450 reais quando você combina: táxi, baby sitter e o jantar. Uma creche em período integral pode sair até por 1200 reais por semana!!! Quando eu ainda tinha visto de estudante era muita dinheiro gasto por mês. Se você é cidadão, o valor cai para a metade. Eu consegui minha cidadania por causa do meu trabalho como terapeuta ocupacional, área em que faltam profissionais por aqui. Mas a cidadania não é um processo fácil.

O primeiro ano letivo de uma criança, o da alfabetização (kindy), não é todo dia. Numa semana minha filha tem aula só dois dias, na outra só 3 dias. Então temos que pagar por um programa “depois da escola”.

Uma coisa que acho ruim, pelo menos nessa região onde eu moro, é que apesar da escola pública ser boa, o esporte não tem muita força. Aí as atividades esportivas são atividades extras que precisamos bancar.

A questão da religião é algo que os australianos não estão muito preocupados. E isso faz falta pra mim. Muita gente aqui não quer saber de fé ou de demonstrar sua fé de jeito nenhum. Eu, por exemplo, sou kardecista, e não encontrei um local aqui para ir com as minhas filhas.

A distância enorme e os altos preços das passagens Australia/Brasil. São mais de 30 horas de vôo! No ano passado pagamos pelas 4 passagens cerca de 16 mil e 800 reais. Isto porque conseguimos um valor de promoção!

A falta imensa que chega a doer da família eu não poderia deixar de citar. E pela ordem: a água de coco (porque os daqui são sem gosto) e as festas de São João do meu Nordeste (milho assado, cheiro de fogueira e forró…) me dão muita saudade.

O que é mais ou menos?

Não consigo me acostumar com a água gelada do mar daqui! Cada praia linda, mas entrar que é bom, eu não entro. Já minhas filhas se esbaldam. O que não é muito tranquilo são as ameaças de tubarões e água vivas venenosas. 

Eu ja tentei “misturar” um pouco as comidas das festinhas das crianças, colocando um beijinho de coco, um bolinho brasileiro com recheio, umas coxinhas. Mas as crianças australianas rejeitaram pra valer e só querem o “fairy bread” (um pão branco, com manteiga ou margarina, atolado num granulado colorido, geralmente cortado em triângulos).

É um detalhe, mas eu morro de tédio na hora do “parabéns” dos australianos. Parece que você está numa novena. Só mesmo a brasileirada pra animar! 

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