Ser mãe na Inglaterra: o que é bom, o que é ruim e o que é mais ou menos

Ser mãe na Inglaterra: o que é bom, o que é ruim e o que é mais ou menos

A gente está curiosa pra saber o ponto de vista de brasileiras criando seus filhos pelo mundo. Na perspectiva do que é bom, ruim e mais ou menos, desta vez conversamos com a Melanie de Matos. Ela é diretora de vendas e marketing de uma marca de espumantes inglês. Mora em East Sussex, no sudeste da Inglaterra. Está fora do Brasil há 12 anos. Tem dois filhos, Joshua, de 4 anos, e Sophia, de 1 ano, e o marido, Steve, é inglês. Agradecemos a Melanie pelo seu depoimento!

O que é bom?

Aqui temos espaço. Moramos numa fazenda, a 5 minutos de uma cidade histórica, Rye, com muitas opções de atividades ao ar livre. Adoramos ir à uma reserva de coníferas, com árvores do mundo inteiro, trilhas, aluguel de bicicletas e uns 7 playgrounds diferentes. Sempre fazemos picnic lá. Mesmo lugares mais 'selvagens' sempre tem uma lanchonete, banheiros públicos e estacionamento. Poder pegar o trem e ir a Londres visitar os diferentes museus, também é muito bom. Os mais legais com as crianças: Natural History Museum, Science Museum e Transport Museum. Museus aqui são de graça!

A chuva inglesa? Ok, aqui é bem cinza. O segredo é não deixar de fazer nada por causa do tempo. No Brasil assim que nubla, ficamos em casa. Se fizermos isso aqui, com certeza vamos ficar deprimidos. Aprendi isso e tive muitas experiências legais e diferentes. As minhas crianças não estão nem aí para a chuva.

Na gravidez dos meus filhos, o hospital oferecia um centro de maternidade mais holístico. A sala do parto parecia um spa! Depois do parto, você ainda ganha uma suíte para você, seu marido e o bebê por 2 dias, tempo para fazer todos os exames. Isso tudo de graça, pago pelo NHS (National Health System). Mas nem todos os hospitais são iguais. É importante pesquisar e escolher o hospital que fará seu pré-natal e parto. Só tem que agendar assim que ficar grávida. Muitas não sabem disso e optam pelo setor privado.

A região que moro é super criativa e empreendedora e acho bom meus filhos conviverem com isso. Tenho amigos que desenvolveram um hotel 5 estrelas, escritores de livros, curadores de arte, mães que deixaram o mercado corporativo para montar um buffet ou uma empresa de decoração. Além de fotógrafos, floristas, escultores, gente que abriu vinículas ou pousadas, que criou website só de produtos locais e assim por diante. Cada dia conheço alguém fazendo ou montando algo diferente do que fazia. 

Amo a forma inglesa de ser. Todos os conflitos são resolvidos de forma civilizada, sem entrar no lado pessoal ou aumentar o volume da voz. Adoro meus amigos, que considero como família. Tivemos sorte em nos achar, com filhos da mesma idade, mas ao mesmo tempo estávamos todos dispostos a conhecer novas pessoas. É verdade que alguns estrangeiros reclamam que não é fácil fazer a transição de conhecidos para amigos.

Graças à tecnologia, posso comprar produtos brasileiros online. Na minha casa sempre tem pão de queijo que eu faço do zero (muito mais gostoso) e feijão preto. Fora isso, a Inglaterra realmente se tornou um hub para a gastronomia. A cada dia há mais restaurantes com estrelas Michelin. Na minha região temos pelo menos 4. Eu me encontrei aqui na comida indiana, já que o curry faz parte da tradição inglesa.

O que é ruim?

Está sendo super difícil manter a língua portuguesa em casa. Diferente de Londres, onde estou não tem nenhuma comunidade brasileira para ajudar. Incrível, porque os brasileiros estão por toda a parte, menos aqui! Meu filho mais velho já não quer mais falar o português, prefere até o francês já que tem amiguinhos franceses. Estamos insistindo, mas: socorro!

Sinto falta da minha dermatologista e dentista no Brasil. Não que aqui seja ruim, mas é que aqui é sempre com a função médica e não cosmética. Adoro os cremes manipulados do Brasil. E aquela super limpeza dentária que só o Brasil faz? Meu dentista em Sampa é maravilhoso. Também me faz falta os meus finais de semana nas praias do litoral norte de São Paulo, Santa Catarina e a Ilha do Mel no Paraná!

Aqui a licença maternidade pode ser de um ano, mas só pagam de 3 a 6 meses, dependendo da empresa. O governo paga um básico por 3 meses. Paga-se caro por uma creche. A escola pública termina umas 3 da tarde, então tem que se virar com as crianças depois. Pagando quem cuide ou com atividades extras.

O que é mais ou menos?

Aqui quando se tem algum problema de saúde você tem que ir no médico geral. Odiava isso quando cheguei aqui. Não poder ir direto no ortopedista, dermatologista, ginecologista? Mas agora já me acostumei. Tenho uma médica geral ótima, rápida em me encaminhar a um especialista se preciso.

Eu esperava um pouco mais das escolas públicas. É comum ficar na pública até os oito anos e depois ir para uma escola privada, esperando que no secondary (13 anos) o aluno consiga entrar numa grammar school (escola pública com todas as atividades e currículo de uma privada, mas tem que passar num exame). Dá para ir bem no sistema público, se você está perto das melhores escolas e se seu filho gosta de estudar. Mas a escola com certeza vai pecar em esportes, arte, música. Essas atividades extracurriculares tem que fazer fora, o que significa que o responsável vai ter que levar e buscar de lá para cá.

Bônus: Sir Paul McCartney mora na rua ao lado e sempre vejo ele!

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