O mito da deusa: como a visão de maternidade perfeita machuca as mães

O mito da deusa: como a visão de maternidade perfeita machuca as mães

Quantas de nós fizeram mil planejamentos para um parto humanizado incrível e não deu certo? Quantas sonharam com uma amamentação perfeita que não rolou? É exatamente sobre essas questões que a revista Time trouxe um artigo incrível que eu resolvi comentar aqui. Afinal, o mito da perfeição afeta todas as mães. E mesmo as melhores intenções podem se tornar grandes frustrações. 

Uma pesquisa com 913 mães encomendada pela revista e realizada pela SurveyMonkey Audience descobriu que metade de todas as novas mães entrevistadas haviam experimentado arrependimento, vergonha, culpa ou raiva, principalmente por complicações inesperadas e falta de apoio. Mais de 70% sentiram-se pressionadas a fazer as coisas de uma certa maneira. Mais de metade disse que um nascimento natural foi extremamente ou muito importante, mas 43% acabaram por precisar de drogas ou uma epidural, e 22% precisaram de cesária não planejada. A amamentação, também, provou um desafio maior do que o esperado. Dos 20% que planejaram amamentar durante pelo menos um ano, menos da metade realmente conseguiu. A maioria das mães na pesquisa apontaram para a "sociedade em geral" como a fonte da pressão, seguida por médicos e outras mães.

Sim. A sociedade pressiona à beça. E os modelos perfeitos estão espalhados sem dó na internet. A reportagem cita, por exemplo, um canal do Youtube em que 19 milhões de pessoas já assistiram os vídeos des dois partos naturais impecáveis. Não faltam fotos de Beyoncés da vida no Instagram, mostrando a barriga de gêmeos como se ela fosse uma divindade. 

Catherine Monk, uma psicóloga e professora do Centro Médico da Universidade de Columbia, cuja pesquisa se concentra no estresse materno, foi entrevistada. Ela diz: "Há cada vez mais vozes dizendo: se você não faz X ou Y, você está fazendo errado. O resultado é uma espécie de excesso de perfeccionismo sobre a maternidade. É algo obsessivo, e é ampliado pela internet e pelas mídias sociais”.

As mães entrevistadas pela Time tem o mesmo sentimento: se sentem oprimidas pela quantidade de estudos, idéias e opiniões conflitantes. E é bem fácil se sentir julgada sendo mãe de primeira viagem. 

Um assunto que é universalmente considerado importante é o aleitamento materno. Trish MacEnroe, diretor executivo do braço americano da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, disse a Time que: "O leite materno e a fórmula não são equivalentes um do outro. O leite materno é um alimento biológico único. Não queremos produzir culpa, mas é para evitar o arrependimento. Acreditamos que as mães têm o direito de saber sobre o impacto de suas decisões”.  A Academia Americana de Pediatria emitiu recentemente uma declaração severa destacando que "a amamentação deve ser considerada um imperativo de saúde pública e não apenas uma escolha de estilo de vida”. Mas é difícil cumprir à risca se você tem um problema sério de obstrução na mama ou precisa voltar a trabalhar antes do seu filho completar seis meses de vida. 

Eu lembrei muito de mim, quando os meus filhos eram bebês, ao ler este artigo. Eu tive muita dificuldade em produzir leite suficiente para os meus filhos. Briguei com quem queria dar mamadeira para eles. Testei todas as técnicas para incentivar a minha produção de leite, incluindo a translactação. Chorei muito quando tive que dar fórmula para complementar o leite materno. Ficava super nervosa por não ter muito leite. Tudo é aprendizado, mas eu acho que eu não precisava ter passado por tanta angústia. 

A reportagem, cita por exemplo, um movimento chamado “Fed is Best”, criado pela médica Christie Del Castillo-Hegvi. A organização americana - administrada por médicos, enfermeiras e mães - quer aumentar a conscientização sobre as opções de alimentação. Já que existem situações relatadas por mães, incluindo a própria Dr. Christie, que se sentiram na obrigação de amamentar e acabaram levando seus bebês a casos de fome extrema.

“A maternidade na era conectada não precisa ser dominada por nenhum mito. As mídias sociais podem facilmente ajudar a celebrar nossa experiência individual e criar uma comunidade através do contraste. As mães têm que ficar unidas, mesmo quando andamos em caminhos separados. Nós temos que detectar os modelos e perceber que não há modelos. Nós temos que falar sobre nossas falhas e perceber que não há falhas”, conclui a reportagem. Eu gostei muito disso. É muito a nossa linha de raciocínio quando escrevemos qualquer artigo aqui neste blog.

Este texto é uma observação pessoal com base no texto da revista Time. Para ler o original em inglês clique aqui.

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