Quando acreditar no potencial de um filho faz toda a diferença

Quando acreditar no potencial de um filho faz toda a diferença

Jeison e a mãe Maria Emília (Foto: Fabiana Santos)

Jeison e a mãe Maria Emília (Foto: Fabiana Santos)

Todo ano a rede americana CNN celebra heróis que fizeram diferença no mundo. São pessoas de diversas nacionalidades. No último ano, o colombiano Jeison Aristizábal foi um dos “heróis” homenageados. Jeison nasceu com o diagnóstico de paralisia cerebral e hoje é diretor de uma fundação não-governamental na Colômbia, ASODISVALLE, que ajuda a melhorar a qualidade de vida de pessoas com algum tipo de deficiência. 

Eu tive a oportunidade de conhecer Jeison e sua mãe, María Emilia, num evento em Washington-DC. Almoçamos juntos. Curiosamente, a série de palestras era sobre “Como criar crianças inteligentes: os blocos de construção do cérebro na primeira infância”. O depoimento de Jeison fez um monte de gente se emocionar na platéia, inclusive eu. É realmente uma história incrível de vida, que teve na mãe algo fundamental: ela jamais deixou de acreditar na capacidade dele.

Jeison tem hoje 33 anos. Quando ele nasceu, algumas pessoas disseram à mãe dele que ele só iria servir para engraxar sapatos na porta de casa. Na contramão de todas as recomendações, a mãe quis que ele estudasse numa escola de ensino regular, numa época em que ninguém falava sobre "inclusão". A mãe insistiu. Jeison conta que as outras crianças o chamavam de bêbado por causa do jeito dele andar. Ele repetia: “Eu não sou bêbado”. E os colegas revidavam: “Mas então por que você anda assim?”

Jeison não queria ir mais para a escola. Não aguentava a perseguição das outras crianças. E assim, ele diz, veio o primeiro ensinamento da mãe: “Você vai enfrentar as dificuldades, você não vai se esconder”. Ele se emociona dizendo que nada foi fácil. Foram muitos momentos de tristeza no ambiente escolar, mas ele foi superando os obstáculos. 

Jeison conta que um dia encontrou um menino de 8 anos, também com diagnóstico de paralisia cerebral, só que não andava. Jeison não se conformou em saber que a criança estava desde que nasceu em cima de uma cama. Sem dinheiro para ajudar o menino, ele teve a ideia de colocar um anúncio num jornal pedindo uma cadeira de rodas. No mesmo dia, apareceu alguém doando a cadeira de rodas. Jeison conta brincando que a partir daí a vida dele se complicou: “Todos na minha comunidade me viam como o Jeison que resolvia os problemas dos outros e assim tive que trabalhar ainda mais por isso”.

Ele quis montar um “centro de reabilitação para crianças” e tudo começou na garagem da casa dos pais, numa espécie de “consultório de fisioterapia” para 20 crianças. Ele conta que logo passaram a ser 50 crianças atendidas e depois 150 crianças. Em pouco tempo, o trabalho de Jeison estava ocupando toda a casa da família: sala, quartos, tudo. Aí veio a oportunidade de conseguir “uma casa para atender crianças com capacidades limitadas”, por meio de um programa de TV. E o desejo vingou. Graças ao seu esforço em conseguir parcerias, hoje Jeison comanda 7 casas, atendendo 630 crianças, na cidade de Cali, na Colômbia.

A paralisia cerebral não impediu Jeison de batalhar por seus objetivos e ajudar os outros. Hoje ele estuda para se tornar advogado. Jeison me conta que tem 3 segredos para ser feliz: “Ter um sonho, lutar por ele e nunca desistir dele”. E a mãe, María Emilia, uma senhora sempre sorridente e afetuosa, completa: “O mais importante diante da dificuldade de um filho é derrubar as barreiras, é dar condições para ele entender que pode ser capaz”.

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