Divórcio numa boa: um negócio de gente fina, elegante e sincera

Divórcio numa boa: um negócio de gente fina, elegante e sincera

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Você está querendo colocar palavras bonitas numa coisa que é feia. Esse foi o argumento usado por uma amiga para me explicar que não, ela não acredita que casais possam se separar numa boa, continuarem amigos e formarem uma família sólida, em uma configuração não convencional.

Eu sou de outra opinião e fico maravilhada de ver como existe um monte de gente fina elegante e sincera quebrando o tabu e se dando bem na vida pós-matrimônio.

Outro dia recebi no celular as fotos das férias de um amigo alemão. Estavam ele, sua ex-mulher e a filha deles curtindo uma super natureza no Algarve, em Portugal. “Não foi uma coisa que aconteceu automaticamente logo após nossa separação” - ele me explicou. “Mas estou muito feliz que ao longo dos anos a gente conseguiu construir essa relação de amizade e companheirismo que temos hoje.” 

Minha irmã me contou que na festa de aniversário de uma amiga da minha sobrinha estavam lá pai e mãe separados com os novos respectivos. Festa ao ar livre, alto astral, todo mundo numa boa curtindo o aniversário da menina. Minha irmã estava tão impressionada com aquela harmonia anos 60 que não se aguentou, puxou uma amiga de lado e disse: “Que bacana que eles se dão tão bem, né?”. Ao que a amiga, uma psicanalista renomada (que a gente ainda quer chamar para uma entrevista aqui no blog…) respondeu de prontidão: “As pessoas têm o direito de serem felizes. Hoje em dia ninguém mais precisa ficar preso num casamento infeliz. Existem muitas maneiras de viver e ser uma família.”

Outro exemplo fofo que vi, foi um post da atriz Maria Ribeiro no Instagram. A foto era de 2003 e mostrava a filha do seu ex-marido Paulo Betti, e portanto sua enteada, segurando o filho da atriz, na época recém nascido. O post era para contar (e comemorar ) que sua enteada tinha virado mãe e que de alguma forma ela se sentia agora avó, além de dar parabéns ao seu ex-marido e à sua “musa”, Eliane Giardini, a ex mulher do seu ex marido. Enfim… família patchwork sim, mas com muito amor envolvido.

Claro que para toda essa felicidade dar certo, alguns problemas bem chatinhos tem que ser resolvidos: divisão de bens, gastos com filhos, guarda das crianças, ressentimentos e corações quebrados…. mas eu acho que mais do que isso é necessário cabeça aberta, boa vontade e evolução espiritual dos dois lados. 

Na época dos meus pais, separação significava não trocar mais palavras do que o necessário, falar mal do outro na frente dos filhos e se arrepender amargamente da péssima escolha que  fez na vida. Hoje, depois de anos trocando farpas e acusações, e de terem presenteado os filhos com muito sofrimento desnecessário, meu pai e minha mãe passam Natal e muitas datas comemorativas juntos. Em algum momento dessa jornada de aprendizado que é a vida, os dois se deram conta de que não havia nenhuma razão para inimizade, pelo contrário, havia era motivos de sobra para cultivar uma amizade livre de ressentimentos. E não posso deixar de citar a cabeça boa da esposa do meu pai, que foi a percursora do movimento. 

Claro que existem histórias e histórias, pessoas e pessoas. E não necessariamente a gente vai querer um ex-marido (ou mulher) tóxico na nossa vida depois de tanto tempo para conseguir se livrar do (da) traste. 

Mas em muitos casos, simplesmente não é esse o caso. É muito menos dramático. Você se casou com uma pessoa que amava e admirava, casamento é um negócio foda para caramba. E aí um dia você percebe, que aquela relação não te preenche mais, que você está afim de outra coisa. Tem gente que vai viver assim em uma relação mais ou menos, também numa boa, pela a vida inteira e tudo bem também. Tem gente que só de pensar em separação desenvolve urticária, e acha mais negócio ficar tentando enfiar o redondo no quadrado, e ir levando em vez de arrumar sarna para coçar, e tem gente ainda que acha que se separar (e eventualmente casar de novo) e só trocar 6 por meia dúzia. Sim pode ser. Pode ser tudo isso. Mas existem outras pessoas, contudo, que querem tentar outra receita de felicidade, como indivíduos. E aí só porque acabou a vontade de compartilhar a cama, vai acabar a parceria? Poxa, o mundo já está tão barra pesada, sério mesmo que a gente vai agora travar guerra com as pessoas com quem dividimos o que há de mais precioso nas nossas vidas: os nossos filhos?

Eu acho que não. Eu acho que o que a gente precisa é de amor. De amor e amizade. E amor não é apenas mamãe, papai e filhinhos na mesma casinha. Pode ser idealismo. Pois que seja idealismo então, o mundo sempre precisou de idealistas para avançar.  

Fazer o circo pegar fogo é fácil, todo mundo quer ver um showzinho de horrores em praça pública, mas o que a gente devia mesmo aplaudir são essas pessoas corajosas, generosas, grandes na sua humanidade, que dizem: Amor, não deu certo. Mas tamo junto. 

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