O feriado em que os americanos fazem questão de caprichar no jantar

O feriado em que os americanos fazem questão de caprichar no jantar

Para quem veio de fora como eu, arrisco dizer que o Thanksgiving é o feriado mais importante do calendário americano - seja qual for seu estado, sua religião, ou seu partido político. Uma verdadeira comoção, mais do que Natal, mais do que a virada do ano. Sempre na quarta quinta-feira do mês de novembro.

A idéia é que seja um dia de agradecimento pelas coisas boas na vida de cada um, mas é mais do que isso: é quando os filhos ausentes visitam os pais (exatamente como a gente vê nos filmes), é quando as famílias se preocupam em convidar algum amigo que esteja sozinho na cidade, é quando o comercio fecha as portas (e olha que para as lojas deixarem de funcionar por aqui…só assim mesmo). Historicamente, o primeiro Thanksgiving aconteceu em 1621 quando os ingleses, que vieram conquistar o Novo Mundo, comemoraram o tempo de boa colheita.

É um momento de comida farta na mesa, de preferência um belo jantar. Daquelas mesas que a gente é acostumada a ver em encontros de família grande no Brasil aos domingos, mas que por aqui acontece neste dia especial. Você vê muitas pessoas que normalmente não ligam para fazer grandes pratos, ficarem super preocupadas nas prateleiras dos supermercados buscando um ingrediente a mais. Algumas receitas não podem faltar de jeito nenhum: o peru, o molho de cranberry, o stuffing  (primo distante da nossa farofa), o purê de batata doce e a Pumpkin Pike (a torta de abóbora) de sobremesa.  

Uma tradição curiosa, realizada desde 1947, é o “Presidential Turkey Pardon“, quando o presidente da República escolhe um peru para ser “perdoado”, ou seja, para deixar de ser assado. Esta história deixa enfurecido movimentos como PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), mas continua em vigor. De acordo com a National Turkey Federation (sim, existe uma federação que cuida especificamente do assunto), cerca de 46 milhões de perus são consumidos no Thanksgiving.

Assim que cheguei aqui, bem desavisada, não tinha a menor idéia da importância da data. Fiquei impressionada com a movimentação nos supermercados na véspera. E como não tinha realmente planejado nada, não fiz nem jantar especial. Mas a gente vai pegando o jeito das coisas e nos anos seguintes a data entrou para o calendário da minha famīlia: seja celebrando na nossa casa, seja aceitando o convite de amigos. 

E aproveitando que o tempo é de gratidão: queria agradecer a todos que nos acompanham neste blog. Incrível como já fizemos amizades em tantas partes do mundo, em como já dividimos e trocamos experiência e como ficamos tão realizadas quando recebemos mensagens bacanas para continuar. 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mora em Washington-DC e é mãe de Felipe, de 12 anos, e Alice, de 6 anos. A celebração deste ano vai ser mais especial porque vovó e vovô estão a caminho, trazendo na mala saudade e a farinha pra farofa! 

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