A incrível geração que fala um monte de línguas

A incrível geração que fala um monte de línguas

Quando eu falo que fico impressionada com a quantidade de línguas que os jovens de hoje em dia falam, meus amigos me dizem que é porque eu me movo num ambiente propício a encontrar poliglotas. 

Sim, é verdade. Aqui na Alemanha, eu trabalho para uma start-up moderninha que atua em vários países e temos um interesse especial em pessoas que falem alemão, inglês e pelo menos mais uma outra língua.

Mas ao contrário do que se pode imaginar, não é nada difícil encontrar esses jovens. Encontrar um programador de app bom e pagável pode ser mais complicado, agora encontrar um jovem que fale alemão, inglês e japonês, acredite, pelo menos por aqui, não é tão difícil como pode parecer.

E diferente de mim, que ralei muito para expandir meus horizontes além da língua portuguesa, para esse pessoal, as línguas são acessórios originais de fábrica. Alguns cresceram em famílias internacionais, com pai vindo de um lugar e mãe de outro, outros moraram durante a infância em outros países. E alguns não tinham necessariamente uma biografia globalizada que os colocasse diretamente em contato como uma outra cultura/língua mas simplesmente tiveram pais que proporcionaram a chance de aprender línguas desde pequenos. Fato é: tem um monte de gente jovem falando um monte de língua e muito bem! 

Todo mundo sabe que faz uma enorme diferença aprender uma língua durante a infância ou depois de adulto. Mas, existem estudos científicos que defendem que pessoas que cresceram expostas a duas línguas durante a infância têm mais facilidade para adquirir outras idiomas em idade adulta. Eu sempre lembro disso quando penso nos jovens do meu trabalho. A maioria tem alemão e mais uma língua de berço, e mais sei lá… inglês perfeitíssimo ou italiano da época que fez intercâmbio em Roma e namorou uma italiana, ou espanhol porque “eu adoro a Espanha e tenho muitos amigos lá”. De alguma maneira, parece que para eles, aprender mais um idioma não é uma tarefa tão árdua como foi para mim.  

Me dá pena de ver pais e mães brasileiros morando em outros países desperdiçando essa chance incrível de dar o “dom das línguas” aos filhos. Não se trata apenas de aprender ou não português. Eu pessoalmente sou apaixonada pela nosso idioma e pela nossa cultural e faço questão que meus filhos falem português e mais ainda, que se sintam um pouco brasileiros também. Mas dar a chance do filho aprender português de pequeno vai muito além disso, é a chance de desenvolver, ainda na infância, um cérebro “avantajado”. 

Não é exagero. Além dos benefícios sociais e profissionais de falar várias línguas, existem evidências científicas crescentes de que o cérebro bilingue ou multilíngue possui uma série de vantagens fisiológicas mesmo. Estudos sugerem, por exemplo, que pessoas bilíngues possuem uma massa cinzenta mais densa e uma capacidade maior de memória e concentração. 

Claro que é mais fácil para algumas famílias do que para outras. Não quero minimizar as dificuldades de que tem um marido ou esposa que não fala sua língua e  que portanto tem que deixar o parceiro boiando na conversa, para passar seu próprio idioma para os filhos.

Mas tendo em vista que este "engrandecimento" do cérebro é uma das coisas só podemos proporcionar aos nossos filhos agora, vale à pena tentar.  Todo mundo pode aprender um idioma depois de adulto, mas ter a sorte de crescer bilíngue, é só para alguns mesmo.

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