Skype é ótimo, mas fazer a criança interagir é uma questão de sorte

Skype é ótimo, mas fazer a criança interagir é uma questão de sorte

Cena 1: Os avós, morrendo de saudades dos netos, chamam pelo Skype para dar um “alô”: "Fala com a vovó, ela tá com saudades, conta pra ela o que você fez hoje? Conta da aula de ballet? Mostra o trabalhinho que você trouxe da escola? Fala alguma coisa por favor? Manda pelo menos um beijo?". Mas justamente naquele momento, Alice, minha filha de 5 anos, simplesmente não está a fim. A única frase que sai é: "Beijo, vovó."

Cena 2: Alice acorda cheia de recordações (deve ter sonhado) dos avós: "Mamãe liga pra vovó agora, eu quero falar com ela agora!" E eu animadíssima penso: “É hoje que a minha mãe fica feliz!”. Mas depois de inúmeras de tentativas, a vovó não atende pois estava ocupada no trabalho e não viu o telefone tocar. 

Eu sei que a gente tem que comemorar pois hoje em dia as facilidades de comunicação são incríveis (e baratas) pra quem mora longe dos queridos. Aqui eu uso Whatsap, FaceTime e Skype e em segundos estou totalmente conectada com o Brasil. Mas será que sou só eu que, a despeito de tanta tecnologia, se sente absolutamente frustrada em situações como as que eu descrevi acima? De um lado do mundo, familiares super saudosos, do outro lado, crianças que não querem se comunicar tanto quanto a gente gostaria. Será que é só aqui em casa que é difícil conciliar a vontade com a oportunidade?

Uma das nossas prioridades é só falar português dentro de casa. Então, esse problema de “conexão” não é por causa da língua. O que eu acho que existe mesmo é uma “linha cruzada”: bem naquela hora de falar com os vovôs ou primos rola o cansaço do dia, a vontade de ver outra coisa, de continuar fazendo o que estava fazendo, de não se dar conta do quanto aquele momento é precioso. E os avós ficam arrasados com aquela conversa monossilábica. Nas vezes em que a gente consegue das crianças tagarelarem é como se fosse a vitória de uma maratona!

E não pense que não existe uma preparação prévia. Eu reúno as crianças, explico que vamos nos conectar, que eles precisam conversar mais pois as pessoas queridas estão aguardando por isso ansiosamente… existe sim todo um aquecimento. Mas nem sempre (ou melhor, quase nunca) rola “aquela” conversa tão aguardada. Por isso: vovôs e vovós do outro lado do mundo - continuem tentando, não fiquem triste se na hora "h" não rolar aquele papo longo, a gente jura que o amor continua firme e forte! Não é mesmo, mães fora do Brasil?

Fabiana Santos mora em Washington-DC, é jornalista, casada e mãe de Felipe, de 12 anos, e Alice, de 5 anos. Para amenizar a saudade, ela ainda enche o Whatsapp da família com um monte de fotos e vídeos das crianças.

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