O melhor conselho de maternidade do mundo: cuide de você

O melhor conselho de maternidade do mundo: cuide de você

Se há 8 anos, quando eu fui mãe pela primeira vez, eu tivesse que dar um único conselho sobre maternidade para mim mesma, seria: “Cuide de você. Se você estiver bem, as chances de você ser uma boa mãe são muito maiores.”

O problema é que quando nossos filhos nascem, estamos diante de um amor tão avassalador que nos sentimos capazes de abdicar de qualquer coisa, de fazer qualquer sacrifício em prol da felicidade dos pequenos. E aí, sem muita experiência nesse negócio de ser mãe, a gente liga o botão do “tudo por eles" e vai vivendo. 

Claro que existem momentos na vida em que a gente vai ter que se sacrificar e abrir mão de coisas mesmo - afinal não dá para ser mãe e continuar levando a mesma vidinha de sempre, né? Mas encarar a maternidade como um caminho de renúncias e privações constantes, com certeza não é uma escolha inteligente. 

Depois que eu virei mãe demorou um bom tempo para cair minha ficha de que a maternidade não era uma fase da minha vida que ia passar. Ser mãe é para a vida toda, e isso significa que qualquer coisa que eu queira fazer da minha vida, seja ir tomar uma cerveja com uma amiga no final de semana ou aceitar aquele projeto ambicioso no trabalho, tudo terá que ser acomodado junto com a maternidade. E como já dizem os budistas, o segredo aqui é o caminho do meio. 

Quando viramos adultos, e principalmente quando nascem nossos filhos, começamos a tomar verdadeira dimensão do quanto nossos pais se sacrificaram por nós. É um momento muito iluminado, no qual mesmo percebendo que houve muitos erros, sentimos uma enorme gratidão por eles terem cuidado da gente da melhor forma que podiam ou sabiam. 

Mas muito mais bonito do que isso, muito mais completo que isso, é ter nos nossos pais não apenas um exemplo de entrega e dedicação, mas também um exemplo de felicidade. Ser criado por um pai e uma mãe dedicados é uma benção mas ser criado por um pai e uma mãe que além de dedicados, são adultos felizes e realizados é um exemplo de vida maravilhoso. 

Outro dia minha filha Maria me disse que não sabia se queria ser mãe no futuro. E quando eu perguntei para ela por que ela não queria ser mãe, ela disse que é “porque ser mãe cansa muito”. Me doeu escutar aquilo porque eu sei, que do alto dos 8 aninhos dela o que ela vê em mim é verdade. Eu estou sempre cansada, muito cansada. Faz três anos eu voltei a trabalhar, faz um ano e meio meu marido começou a trabalhar em outra cidade e durante a semana eu cuido das crianças sozinha. É normal que eu esteja cansada, mas não é normal ou pelo menos não devia ser normal que meu estado constante seja exaurida e que eu não tenha pique para praticamente nada que não venha com o rótulo DEVER colado.  

Meu ponto aqui não é defender a existência de um mundo cor de rosa onde tudo ao mesmo tempo é possível. Eu não tenho uma receita mágica de como você (ou eu) vai matar um leão por dia sem se matar antes. Mas eu desconfio que a primeira coisa que a gente deveria fazer é assumir sem culpa nenhuma para nós mesmas e para quem for necessário, que não existe mulher maravilha não. Existe é uma pessoa de carne e osso com vontades, sonhos e limitações. Existe é uma mulher que precisa de ajuda para criar os filhos, que precisa de tempo para dormir, trabalhar e se cuidar. Acho que no momento que a gente se livrar da culpa e dessa onipotência exagerada muita coisa começa a entrar no lugar. 

Sabe aquela história de que na hora que a cabine do avião despressurizar você tem que primeiro colocar a máscara de oxigênio em você e depois na criança? Outro dia li que isso servia para a maternidade também. Nunca entendi esse negócio direito, mas acho que é porque se você desmaiar enquanto está tentando colocar a máscara na criança, você não vai conseguir ajudar a criança. 

Enfim, meu conselho para você e para mim é: em caso de despressurização, coloca a máscara em você primeiro e então ajude a criança. Ignorar a necessidade de cuidar de nós mesmas nos impedirá de realizar o que mais queremos em primeiro lugar: cuidar dos nossos filhos com toda a energia, paciência e dedicação que eles merecem. 

 

Camila Furtado mora na Alemanha e é mãe de Maria de 8 e Gael de 5 anos. No final de semana passado ela esticou uma viagem de final de semana e não chegou à tempo de colocar as crianças na cama. No dia seguinte quando eles acordaram estavam todos ótimos, ela e as crianças. 

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