A design de moda com Síndrome de Down que está colorindo o mundo

A design de moda com Síndrome de Down que está colorindo o mundo

Quando Isabella Springmuhl nasceu, a mãe colocou na cabeça que ia fazer de tudo para que ela fosse o que ela quisesse ser. Isabella tem Síndrome de Down. Não foi aceita numa faculdade de moda. Mas e daí? Hoje, aos 20 anos, ela não só é uma estilista, com uma marca própria a “Down to Xjabelle”,  mas reconhecida em vários lugares do mundo (México, Itália, Colômbia, Panamá, Suíça e Alemanha). Participou recentemente da London Fashion Week - a cereja do bolo para uma trajetória de sucesso. Isabel, a mãe, é a maior fã da filha. Se refere a ela com um orgulho que emociona. Elas moram na Guatemala. As duas falaram comigo sobre a carreira dela e como é passar por cima do preconceito.

1- Quando Isabella começou a fazer roupas?

(mãe) Quando ela era pequena, ela passava horas vendo revistas de moda. Um pouco mais tarde, ela começou a tentar copiar o que via. Ela passou a fazer vestidos com pedaços de tecidos para cada uma das suas bonecas. Ela tinha 17 bonecas e cada um tinha um nome e uma personalidade… risos.

2 - De onde você tira inspiração para fazer o seu trabalho?

(Isabella) Eu sempre penso em algo que gosto muito. Eu avalio o tecido, o design e então faço de cada pedaço um artigo especial. Eu quero que as pessoas se sintam felizes usando a roupa que eu faço. Eu amo a natureza e adoro os tecidos da Guatemala. Eu amo o contexto que existe por trás desses tecidos. Todos são feitos à mão por mulheres indígenas do meu país. Cada patronagem tem a sua história. 

3- Sobre a Síndrome de Down: você acha que todos a respeitam como você merece?

(Isabella) Eu amo minha vida. Eu amo ter Síndrome de Down. Eu sempre fui muito amada pela minha família, meus amigos e eles me tratam como qualquer outra pessoa mesmo. Mas eu fiquei triste quando eu terminei a minha escola secundária e não pude estudar moda numa universidade aqui no meu país por eu ter Síndrome de Down. As pessoas não têm que ter medo de pessoas como eu, com síndrome de Down ou capacidades diferentes. Somos os mesmos humanos que os outros, gostamos do mesmo e sentimos até mais.

4- Qual foi o seu momento mais incrível profissionalmente até hoje?

(Isabella) Estar na Semana de Moda em Londres com designers famosos e eles estarem realmente interessados no meu trabalho. Eu me senti tão feliz, acolhida por todos, amada. Eu queria realmente que as pessoas pudessem ver o que eu tenho dentro do meu coração e isso aconteceu.

5 - Como você, como mãe, encarou a Síndrome de Down? 

(mãe) Eu tinha 40 anos quando ela nasceu. Eu me senti muito assustada com o futuro. Mas você entende, eu decidi dedicar todas as minhas energias para dar a ela as oportunidades que meus outros filhos também tiveram (tenho outros 3 mais velhos que ela). Em família, ela esteve conosco em tudo. Ela recebeu toda a assistência pedagógica, intelectual e motora que precisou. Eu a acompanhei durante todos os seus anos escolares. Foi o desafio mais maravilhoso e doce que a vida me deu. Eu sempre disse a ela, desde muito pequena, que mesmo que levasse mais tempo para ela fazer ou aprender algo, ela iria conseguir. E realmente ela tem uma personalidade de muita perseverança.

6 - Sobre o preconceito neste mundo em sua perspectiva: o mundo está mudando ou há ainda muito o que mudar?

(mãe) Nos últimos 20 anos eu vi mudanças nas pessoas, mudanças para melhor, mas ainda precisamos muito mais. Como mãe, eu quero que todos vejam a beleza que eles têm, temos muito o que aprender com eles. E eu penso que o cromossomo extra os faz extra-tolerantes: eles amam e não julgam.

7 - Qual é o segredo do sucesso da Isabella?

(mãe) Ela sabe bem sobre sua condição. Ela não tem medo de tentar coisas novas. E nós estamos sempre dando apoio total em tudo o que ela decide fazer. 

Isabella vai estar no final de abril num evento em Washington-DC, de estilistas para roupas de criança, e eu não vejo a hora de poder conhecê-la pessoalmente!

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