Por mais homens como o meu dentista

Por mais homens como o meu dentista

Tenho uma relação meio incomum com o meu dentista alemão. No Brasil, é mais normal ter umas conversas meio pessoais com o dentista, o porteiro ou com a professora da sua filha. Mas aqui na Alemanha, não é. Mas como essa vida é uma caixinha de surpresas, acabei desenvolvendo uma relação camarada com o meu dentista e de tempos em tempos, eu converso com ele, de boca aberta, sobre os temas mais improváveis possíveis.

Na terça passada fui lá, e conversamos sobre amor. Ele deve ter uns 43-44 anos, tem dois filhos adolescentes e se divorciou há três anos: “A gente não transava mais, eu estava de saco cheio de ficar sempre tentando ter alguma coisa com ela como se eu fosse um animal por ter vontade de fazer sexo” (eu disse que os assuntos eram improváveis, né?).

Seguiu contando que na época da separação ficou super mal, mas que agora está muito bem. “Divórcio é sempre uma questão de dinheiro, e é claro que eu tenho muito menos agora, a gente dividiu tudo por dois. Ela ficou muito tempo em casa cuidando das crianças, é professora de pilates, para manter o mesmo nível de vida de antes da separação, ela precisa da minha ajuda, e eu ajudo. Tenho orgulho de poder ajudar, me sinto bem. E além do mais não é caridade, eu não ia ter podido me concentrar no trabalho se ela não estivesse se concentrando nas crianças.” (Neste momento não preciso mais fazer força para manter a boca aberta, já que meu queixo está caído).

Faz um ano e meio mais ou menos que ele está namorando. “Quantos anos tem sua namorada?” perguntei. 42 anos. “Eu fico vendo esses caras que se metem com umas mulheres mais novas. Lindas.” (Ele se afasta da cadeira, larga a cânula de sucção na minha boca e desenha no ar com as mãos um corpasso de mulher). “Ah legal… para que? Para ter mais um filho? Não, obrigado. Minha namorada tem 42 anos e tem cara e corpo de 42 anos. E daí? Agora o que eu quero é uma amizade bacana, uma mulher com quem eu possa me divertir de verdade, eu também não tô afim de passar todo meu tempo livre na academia de ginástica.” 

Contou que a relação com a atual namorada é a melhor que ele já teve na vida. Ela também é divorciada, tem dois filhos, entende os compromissos e as limitações que a vida de pai impõe. Explicou que querem continuar morando em casas separadas, que os dois têm uma vida corrida e não têm muito tempo, mas quando se encontram apreciam a sorte que têm por terem tido a chance de entrar numa relação legal depois de tudo.

“Acho que isso que une a gente, Camila… esse depois de tudo. Os amores podem ser tão complicados, falhar no amor dói, mas depois que a dor passa, e você se fortalece de novo, você quer amar outra vez. O legal de ter perdido coisas, é que quando você tem outra vez, você dá o maior valor.”

Não, sério…. é bacana demais o meu dentista, né? Ah…. desculpe, eu mencionei no texto, que ele é gato? Pois é : 1,80 de altura, olhos azuis, moreno e um sorriso lindo. Juro.

Oremos, mulheres. Por mais homens como o meu dentista. 

 

Camila Furtado mora na Alemanha. Ontem ela contou essa história para um amigo alemão que disse que ela é, como sempre, meio inocente e que o dentista podia estar mentindo, que ela nunca saberia. Mas ela prefere acreditar que tem muita gente boa por aí percebendo que a vida é muito curta para viver infeliz e brigar por mesquinharias. 

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