O que a gente faz enquanto espera um filho vencer uma doença?

O que a gente faz enquanto espera um filho vencer uma doença?

Desde que eu comecei este blog com a Camila é aqui que a gente busca depositar o melhor das nossas experiências, leituras, aprendizados e também é aqui que entregamos nosso coração. Não vou entrar em tantos detalhes pois este não é o ponto, mas o que posso dizer é que estou sentada de frente para a minha filha num quarto de hospital enquanto ela se recupera de uma infecção que, se não tivesse sido tratada em tempo, a teria levado de mim. 

E então? O que a gente faz nestas circunstâncias? A primeira coisa de todas, eu já contei aqui quando eu perdi meu pai. E vou repetir do jeitinho que eu entendo: sem FÉ a gente não aguenta. Eu preciso acreditar que há um poder acima do meu poder de mãe, acima do poder da medicina para responder ao que eu mais quero: a plena saúde da minha filha. Eu não sei o que faz alguém que não acredita em nada. Eu preciso acreditar em Deus e digo a Ele: “Segura isso porque é pesado demais pra mim.”

A segunda ação eu chamaria de MAGIA DA FORÇA. É um poder sobrenatural, que justamente acredito ser dado por Deus a todas as mães (sim, papais, me desculpem, mas eu estou falando sinceramente das mães). É uma força pra conseguir ser prática, para ouvir o que os médicos dizem, pra tomar decisões, pra ficar acordada olhando ela respirar, para estar pronta a engolir lágrimas e aparecer na frente dela com um sorriso repetindo mil vezes o quanto eu a amo.

O terceiro grande insight neste processo é o tamanho que cada coisa possui. Eu chamaria de DESCOBERTA DO IMPORTANTE. É um tempo onde parece que estou fazendo uma sessão de análise hardcore dos acontecimentos da minha vida. O que não era nada e eu criei caso? O que é de verdade relevante? Por que a gente reclama tanto quando não existe motivos? E eu fico aqui pensando que eu não posso esquecer dessa experiência quando ela terminar. Porque ela precisa servir para alguma coisa por mais difícil que tenha sido: para eu ser melhor nos tantos momentos em que sou tão ridiculamente reclamona. 

A quarta parte dessa saga rumo a conseguir vencer a doença de um filho é me agarrar a uma BASE DE APOIO. E olha, basta estar atenta que ela aparece! Eu sei que muita gente anda desacreditada desse mundo, mas pode acreditar: o que mais existe é gente boa por aí, pronta pra ajudar.

Eu posso dizer que mesmo morando fora do Brasil, construi uma base sólida de amigos-praticamente-família que me dão suporte. Além disso, o que é a vida hoje sem as conexões de Facetime, WhatsApp ou Messenger? A força de cada mensagem recebida é incrível. E eu sem me dar conta, acabei por catalogar cada amigo (ou alguém da família que está distante) nas caixinhas das minhas necessidades: tenho quem me ajude com questões práticas, tenho quem me faz lembrar quanta fé eu possuo, tenho quem me abastece de otimismo e tenho quem me faça até sorrir no meio da tempestade.

 Eu sei… contato real, digo físico, é sempre bem melhor. Mas no meu caso, morando longe, eu preciso dizer que a tecnologia me traz amor e esperança na forma de mensagens de texto (incluindo emojis) sim! Alguém vai dizer: mas que forma mais louca de receber sentimentos tão nobres. E eu respondo pra você: tem dado certo. 

Hoje mesmo uma querida amiga vai me mandar um vídeo por mensagem com alguns exercícios de yoga para que eu enfrente o que ainda falta com mais equilíbrio. O abraço dela pessoalmente seria melhor? Provavelmente. Mas esse foi o jeito que encontramos para eu receber esse abraço. Eu acredito que muitos abraços podem chegar de várias formas. Minha fé, a porção mágica diária de força, descobrir o que realmente importa e o apoio de tanta gente querida vão me ajudar nessa. 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mora em Washington-DC. É mãe de Felipe, de 12 anos e de Alice, de 6 anos, a linda guerreira inspiradora desse texto.

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