Como criar crianças mais generosas e menos mimadas (de acordo com ciência)

Como criar crianças mais generosas e menos mimadas (de acordo com ciência)

Todo mundo já viveu situações com os filhos em que pensou: “mas essa criança está ficando muito mal acostumada!". Exemplo é o que não falta. Talvez tenha sido na volta daquele passeio bacana, vocês passaram um dia maravilhoso mas na volta eles insistem para parar na sorveteria. Ao escutar seu não, eles reclamam: “Mas a gente nunca pode fazer nada que a gente quer!”

Ou talvez tenha sido quando você pediu para o seu filho levar o lixo lá fora, depois de você ter ido no supermercado, cozinhado e arrumado a cozinha, e ele te respondeu com um: “Mas porque eu tenho que fazer tudo?”

É claro que a gente se esforça, mas é mesmo difícil encontrar o equilíbrio entre apoiar e dar tudo de melhor e acabar exagerando e criar crianças que acham que são melhores que os outros e que tem direito à tudo nesta vida. Mas veja bem, nem tudo é questão de educação apenas. Saber como a mente humana funciona pode ajudar e muito a entender porque às vezes nossos filhos (e nós mesmos) se comportam como verdadeiros reizinhos. Aqui vão 3 reflexões, baseadas em pesquisas sobre o comportamento humano.  

1 - Minhas justificativas são legítimas, a culpa é dos outros

Os pesquisadores do comportamento humano explicam que se alguém se comporta de maneira indevida, como por por exemplo, se alguém corta a gente no trânsito ou nos ofende, temos a tendência a atribuir a culpa a uma característica inerente a outra pessoa - “Mas que pessoa mais mal educada!” .  Mas quando somos nós os que cortamos no trânsito ou ofendemos alguém, a culpa geralmente vai para a situação e não para nós mesmos:  “Eu tive que cortar o fulano no trânsito porque estava com muito pressa e ia perder o horário da consulta”, "Eu fui grossa porque estou passando uma fase difícil."

É importante fazer as crianças refletirem sobre o outro lado da moeda. A próxima vez que o garçom estiver demorando para trazer a comida por exemplo, em vez de engrossar o coro do “nossa como ele é lento”, talvez seja melhor provocar uma reflexão de empatia. Será que ele está sozinho porque o outro garçom ficou doente? Será que há algum problema na cozinha? Não se trata de “desculpar” o comportamento indesejado dos outros, às vezes é realmente má vontade, se trata de ensinar às crianças a pensarem além do próprio umbigo. 

2 - O que é especial vira banal bem rápido

A ciência concorda com o dito popular:  a gente se acostuma à tudo nesta vida. De bom e de ruim. Existe até uma expressão científica para isso: adaptação hedônica. Ou seja, a tendência humana para regressar a um nível relativamente estável de felicidade, depois da ocorrência de acontecimentos negativos ou positivos na nossa vida. É por causa disso que depois que a gente consegue uma determinada coisa, a gente sempre quer mais. 

Sabe o que isso significa para nós, pais? Que tudo que a gente conceder aos nossos filhos com regularidade vai se tornar a nova normalidade. Seja o sorvete depois do jantar ou o fato de que quem arruma a cama deles todos os dias é você e não eles, tudo que se repete vira padrão. Pense sempre: qual é o padrão que você está definindo para as crianças? Toda vez que vai ao shopping um presentinho? Saiba então que isso, pode até ter sido especial para as crianças, na primeiras vezes, mas depois virou o novo normal e passa a ser banalizado. Qual é a dica? Se quer que exista valorização dos filhos para algo especial, que não é barato ou foi difícil, ou até mesmo foi feito como uma concessão da sua parte, explique isso a ele. E não deixe o especial virar rotina, ficar normal.

3 - A sua realidade não é universal, é apenas uma fatia do bolo

A mente humana tem uma tendência a "universalizar"  algo se vê muitos exemplos disso. Seu filho convive com crianças que usam apenas roupas de marca e tiram férias espetaculares fora do Brasil?  Bom, se todo mundo na escola usa um tênis que custa uma média de 500 reais seus filhos vão achar que tênis caro no pé de criança de 10 anos é normal. E não é porque eles são uns monstros mimadinhos mas é porque essa é a única realidade a qual eles estão sendo expostos. 

É um desafio. Claro que a gente quer que as crianças tenham acesso ao melhor que a gente pode prover, mas é importante fazê-los entender que eles estão inseridos em uma pequena fatia privilegiada do mundo. É essencial possibilitar as crianças desenvolverem um senso mais amplo a respeito da sociedade. Conversas esclarecedoras, trabalho voluntário, convívio com diversidade - não deixe seus filhos crescerem em uma bolha. 

Nos dias de hoje, nada pode ser mais brega do que ser mimado. E nada é mais cool do que ser uma pessoa generosa e empática de verdade. 

Os estudos sobre o comportamento citados no texto acima podem estão neste artigo: "How to raise kinder, less entitled kids (according to science)

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