Tem criança que precisa de chupeta. E daí?

Tem criança que precisa de chupeta. E daí?

Meus filhos nunca usaram chupeta. Eu sempre fiquei naquela resistência que muitos pais ficam de “dar a chupeta e eles ficarem dependentes dela”. Aí quando finalmente eu resolvi tentar, num momento em que eles estavam chorando sem eu achar o motivo, eles tiveram a mesma reação: cuspiram fora, mais de uma vez, e fizeram uma cara de achar aquilo muito esquisito. 

Minha experiência pessoal vai na contramão do que quero dizer neste texto. Porque eu consigo compreender as famílias em que a chupeta se faz necessária. E consigo também ter muita bronca de quem fica recriminando (leia-se a família em volta) porque a criança usa a bendita chupeta. 

A blogueira americana Elizabeth Broadbent explica num ótimo relato a dependência do filho dela em precisar sugar alguma coisa. Ela explica que o filho chorava demais. “Nós tentamos tudo. Finalmente, fizemos o que nós juramos que não faríamos, o que todos os livros nos disseram para não fazer. Isso causaria confusão com o mamilo. Isso prejudicaria a amamentação. Isso arruinaria seus dentes e a ligação mãe-filho.” Sim, aconteceu com ela o que acontece com muitas mães. Ela até conta que tentou uma infinidade de modelos de chupetas ortodônticas, mas a que acalmava ele era daquelas mais ordinárias. 

Claro que há um monte de informações sobre os malefícios causados pelo uso da chupeta. Um deles é a maior probabilidade de aparecer otite (inflamação no ouvido); alteração na cavidade bucal por conta do uso prolongado; e ainda chances de atraso na fala.

Ninguém aqui está defendendo que essa solução é a melhor do mundo, mas para muitas famílias é a única viável pois seus filhos são, justamente, sugadores contumazes. Então é realmente muitíssimo chato aquele povo querendo saber “quando é que vocês vão tirar a chupeta dele?”.

Eu fui atrás de ouvir uma odontopediatra sobre o assunto. Ilana Guimarães Marques é cautelosa em dizer que as situações são super individuais, que não podemos generalizar. “Afinal, como uma mãe vai impor o fim do uso da chupeta para uma criança que acabou de ganhar um irmãozinho recém-nascido que está com uma chupeta na boca, por exemplo?”

“O hábito sendo tirado até os 4 anos, mesmo se arcada dentária ficar deformada, ela pode voltar ao normal e talvez não seja preciso o uso de aparelho”, explica a dentista. E lembra ainda que a sucção é algo fundamental. “A criança que mama no peito pode ter uma vontade menor de usar a chupeta. Mas mesmo a criança que usa mamadeira, os pais têm que estar atentos a não deixar o bico da mamadeira tão frouxo. O bebê precisa dessa fase de sugar”.

A dentista faz questão de dizer que a chupeta não deve ser usada indiscriminadamente, que ela pode ser bem útil e prática para momentos específicos. E claro que ela concorda que a chupeta é mais fácil de tirar do que o uso do dedo. 

Para ser uma boa aliada, Ilana dá algumas dicas que eu achei bem interessantes: 

1 - pedir para a criança tirar a chupeta da boca para conversar;

2 - evitar os pregadores na roupa, que parecem práticos mas acabam transformando a chupeta em algo sempre acoplado à criança;

3- não associar a chupeta ao paninho ou ao bichinho para não criar apego;

4- tirar a chupeta da criança depois que ela adormecer (claro que corre o risco dela acordar. Mas sempre deve-se tentar. Pode esperar o sono ficar mais profundo, depois de uma hora mais ou menos);

Os dentes do filho da blogueira Elizabeth Broadbent não são perfeitos. Mas ele só teve uma infecção de ouvido na infância. Provavelmente ele vai precisar usar aparelho ortodôntico. Mas ela mesma considera que ele poderia usar aparelho, mesmo que não fosse por causa da chupeta. Qualquer pai ou mãe bem intencionado e preocupado não está colocando a chupeta nesse exato momento na boca de um filho por falta de informação, mas por achar uma necessidade. Vilã ou mocinha? O melhor é responder isso para nós mesmos, com os nossos filhos, e não sobre o filho dos outros. 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 12 anos, e de Alice, de 6 anos. Eles moram em Washington-DC. A mais nova acha um absurdo nunca ter usado chupeta, mesmo a mãe repetindo diversas vezes que chegou a comprar várias. 

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