Filhos grandinhos e celular: que tal um contrato de uso para eles assinarem?

Filhos grandinhos e celular: que tal um contrato de uso para eles assinarem?

Nem precisa comprovar com nenhuma estatística: a atual preocupação da maioria de mães e pais (inclusive a minha!!!) é o uso do celular por crianças e adolescentes. Como filtrar esse mundo virtual que está disponível para o bem e para o mal? Como limitar o tempo do uso? Como ter certeza de que eles estão a salvo?  A primeira coisa a ter em mente é: ninguém precisa ser um expert em tecnologia para ajudar um filho a navegar de forma segura na internet. Precisamos agir.

Meu filho de 12 anos tem um Iphone há quase um ano, presente de conclusão do ensino fundamental por aqui. A escola dele, uma “Middle School” pública (com alunos entre 11 e 15 anos) organizou uma palestra “Mídia social: o que os pais precisam saber”.  Uma das coisas mais legais que eles apresentaram foi um “Contrato para uso da tecnologia”, um acordo para ser assinado pelo seu filho (que vale para maiores de 10 anos, seja para quem vai ganhar e mesmo para quem já possui celular). Eu fiz questão de traduzir e acho bacana seu filho (assim como o meu) assinar. Clique aqui para imprimir!

E aqui as dicas resumidas, apresentadas na palestra, que eu quis colocar no blog pra vocês:

1 - O tempo com o eletrônico depende da idade da criança e para decidir o tempo de uso você precisa pensar: hora do almoço/jantar é hora de evitar; o celular não pode substituir o contato pessoal entre vocês; o celular não pode atrapalhar programas de família, nem o dever de casa; tempo ao ar livre, sem eletrônicos, é importante para todos. 

2 - Snapchat e Instagram não são aplicativos tão inocentes quanto possam parecer. Apesar da criança ou adolescente achar que os vídeos postados podem ser deletados, isso pode não acontecer. Qualquer um mal intencionado pode fazer um “screenshot”, tirar foto da imagem que você acha que vai deletar em seguida. Snapchat é uma febre nos Estados Unidos: 60% de seus usuários têm entre 13 e 34 anos. 

3 - Algo que eu não sabia de jeito nenhum: existem aplicativos escondidos, que parecem ser uma coisa e na verdade são outra. Por exemplo, o ícone do aplicativo é uma calculadora, mas na verdade este aplicativo “esconde” um outro que pode não ser tão inofensivo, como de troca de mensagens.

4 - Alguns aplicativos possuem “mensagem privada”, ou seja, nossos filhos podem receber mensagens de estranhos. Algo muito importante pra deixar claro para eles: jamais responder mensagem de quem não conhecemos! Amigos são pessoas na vida real e não virtual.

5 - Precisamos conversar com os nossos filhos também sobre troca de mensagens de texto entre amigos. Eles sempre vão ter grupos de mensagem (assim como nós!). Mas, muitas vezes, o que eles não têm coragem de falar pessoalmente, acabam usando as mensagens de texto para serem críticos e duros demais e assim ofendem ou machucam o outro. O bullying por mensagem de texto precisa ser cortado, a começar pelos nossos filhos.  

6 - Alguns emojis tem conotação sexual da genitália feminina (uma caixa de correios e até um donut são usados neste sentido) ou masculina (uma espiga de milho, um foguete). É bom que nós pais tenhamos essa noção do que parece não fazer sentido ou ser ingênuo, mas que é na verdade um convite de cunho sexual para nossos filhos.

7 -  Existem maneiras de você linkar o celular do seu filho com o seu para monitorar tudo o que ele faz na tela dele. Existem vários aplicativos para monitorar e bloquear algo indesejável no celular - todos pagos.

8 - Nunca, jamais, deixe o celular do seu filho junto com ele na hora de dormir. Celular tem que dormir fora do quarto! Mesmo que ele diga: vou deixar carregando. O celular deve ser carregado fora do quarto de dormir. Tenha certeza de que se você mantiver o celular no quarto, quando der boa noite e a mensagem pipocar, ele vai mexer no celular (você tem essa certeza pois acontece conosco também).

9 - Seu filho é menor de idade. Foi você quem comprou o smartphone dele. Não há hipótese de você não saber a senha dele. A questão de privacidade não se aplica aqui. Você tanto precisa ter acesso a tudo o que ele faz no celular dele, quanto ser responsável por qual aplicativo baixar e não ele. 

10 -  Olhar para o nosso umbigo é muito importante a respeito do celular: será que estou dando um bom exemplo, ou sou tão ou mais aficcionado pelo meu celular? Que tal "um dia na semana livre de eletrônicos" para toda a família?  

 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 12 anos, e de Alice, de 6 anos. Eles moram em Washington-DC. Ela adorou o lema da conclusão da palestra: Safety first is safety always! (Segurança primeiro é segurança sempre!)

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