Uma opção de maternidade: congelar óvulos para ter filho depois

Uma opção de maternidade: congelar óvulos para ter filho depois

Uma amiga dos tempos de faculdade acabou de ter um bebê lindo, aos 45 anos. A vida deu muitas voltas até ela considerar que era hora de ser mãe, ela pensou primeiramente em estabilizar a vida profissional. Mas antes disso, ela teve a ideia de congelar seus próprios óvulos para garantir que a gravidez um dia ia acontecer, mas de maneira absolutamente planejada.

Ontem mesmo conversei com outra amiga e ela me contou que a filha que tem quase 40, depois de uma decepção amorosa, estava decidida a não querer ter filhos. Mas a gente sabe que essa história de “nunca mais” pode mudar, só que pode mudar quando não existir mais chances reais de gravidez. Por isso, eu sugeri à minha amiga que falasse com a filha sobre a opção de congelar os óvulos. 

Conheço muitas mulheres que aos 45 anos dizem que o tempo de ser mãe passou e elas estão bem resolvidas quanto a isso. Ok. Mas eu também conheço algumas que teriam congelado seus óvulos se esta opção tivesse sido apresentada no passado. 

O congelamento de óvulos é uma tendência que não há como correr dela. A carreira e a falta de um parceiro na hora certa estão entre os motivos do adiamento da maternidade. “Se recomenda quando a mulher está na faixa dos 35 anos, sem parceiro fixo, com pretensões de ser mãe e tem receio de não conseguir engravidar depois dos 40 anos. Ou quando a mulher tem um diagnóstico de câncer ou doença que possa comprometer seu futuro reprodutivo. Também é recomendado antes do tratamento com quimioterapia, radioterapia ou mesmo cirurgia onde pode haver perda do útero e ovários”, explica a obstetra Lucila Nagata.

Obviamente que não se trata de um procedimento barato. Em média, o processo com os medicamentos pode ficar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil, além da anuidade dos laboratórios, que varia de R$ 500 a R$ 1 mil. Para este texto eu conversei com uma carioca que aos 39 anos congelou nove óvulos por R$ 20 mil e paga R$ 600 por semestre para mantê-los numa clínica. Hoje ela está com 42 anos e explica que ainda não encontrou uma pessoa para compartilhar a criação de um filho.

Minha entrevistada explica que o procedimento de retirada de óvulos não é algo tão simples: "Isso os médicos não falam. Eu passei 10 dias tomando injeção de hormônio. Há um desconforto pois fiquei inchada por quase um mês. É uma mini cirurgia para retirar os óvulos com anestesia e tudo. Depois da cirurgia eu tive muita cólica, mas que foi controlada com remédio".   

O grande lance que eu acho dessa história é que não tem uma “questão ética” envolvida. Porque ninguém está nesse caso congelando embrião, que alguém vai dizer que já é uma vida em andamento. No caso, você só está congelando o seu óvulo. Se lá na frente a maternidade nem for uma vontade mais, pelo meu ponto de vista, não existe problema em descartar esses óvulos. 

"Eu me sinto aliviada de ter tomado esta decisão de congelar meus óvulos. Faria tudo de novo. Eu realmente quero ser mãe um dia", diz a minha entrevistada. Tem quem ache que o mundo anda muito complicado e essa história de pensar demais sobre a maternidade não deveria ser bem assim. Que as coisas deveriam acontecer mais naturalmente e que a vida não pode ser absolutamente programada. Mas eu não recrimino de forma nenhuma quem queira esperar o momento certo, no lugar certo, com o parceiro certo. E o mais importante: não se arrepender por aquilo que não fez.

O que posso confirmar aqui é que aquela amiga citada no primeiro parágrafo: está radiante e feliz com a maternidade tardia. Cansada sim, porque qualquer uma de nós só sabe o que é canseira depois que filho nasce. Mas satisfeita de ter feito tanta coisa na vida e agora estar rendida a uma coisinha linda, sorrindo pra ela e pedindo colo.

Fabiana Santos é jornalista, casada e mora em Washington-DC. É mãe de Felipe, de 12 anos, e de Alice, de 6 anos. Ela também é super defensora de quem decide ser mãe pelo coração e adota uma criança. Pra isso não existe relógio biológico nenhum que atrapalhe. 

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