Se intrometer ou não na vida de uma mãe que você nem conhece?

Se intrometer ou não na vida de uma mãe que você nem conhece?

Eu estava num hotel fazenda com os meus filhos, durante nossas férias no Brasil. Fomos tomar o café da manhã e numa mesa próxima: uma mãe chegou com um bebê de uns 6 meses, colocou o bebê conforto em cima da mesa e foi pegar coisas no buffet. 

Eu gelei com a cena porque eu sempre ouvi dizer que o seguro é colocar o bebê conforto no chão, ou mais protegido na cadeira. Ele estava quietinho no bebê conforto, mas a mãe ficou por um tempo de costas e depois conversando com as outras pessoas na mesa. E se o bebê resolvesse se sacudir? Eu achava que o bebê conforto poderia cair e tenho que dizer: passei o meu café da manhã vigiando o filho alheio. Fiquei vidrada porque caso houvesse alguma ameaça dele cair, daria tempo de eu evitar a queda. 

As questões nessa história são: por que eu não falei nada com a mãe sobre a minha preocupação? Era minha “obrigação” fazer isso? Ou eu não tenho nada com a vida dos outros e tenho mesmo que ficar na minha ao invés de ser a intrometida da vez?

Até que ponto a gente deve ou não se meter na vida de outra mãe é uma coisa que me persegue constantemente. Interessante que eu fui comentar esta história com a Camila, antes de escrever este texto, e ela me contou uma semelhante. No dia anterior ela estava no metrô e tinha uma mãe com o bebê no colo que chorava muito. Ela observou a cena e viu que a criança estava toda encapotada e dentro do vagão estava quente. Pra Camila, era certo que o bebê chorava daquele jeito porque estava com calor. Mas e aí? Fala ou não fala alguma coisa pra esta mãe?

A Camila também não disse nada porque ficou receosa de aborrecer a mulher que ela nem conhecia. Vai que a mulher ia olhar com a maior cara feia e dizer: “O que você tem com isso?”.  Foi também o que eu pensei quando desisti de falar qualquer coisa para a mãe do bebê conforto. E eu vi que ela tinha uma criança maiorzinha e bem podia me passar o recibo dizendo saber criar os filhos. Além disso, no caso do bebê que poderia estar com calor, a Camila se colocou no lugar da mulher e acha que faz parte da maternidade a gente ir descobrindo por conta própria o que dá certo ou não para um filho. 

Quantas vezes eu já ouvi coisas de gente estranha quando os meus filhos eram mais novos e fiquei com aquela cara de tacho olhando pra pessoa e querendo muito dizer: “Isto não é da sua conta”. Claro que num mundo perfeito, todo mundo poderia entender a boa vontade dos outros em vez de achar que tudo é invasão de privacidade. 

Cada pessoa é de uma jeito, né? Como é que a gente vai adivinhar se a mãe desconhecida em questão é do tipo super gente boa e desencanada que acha ótimo um conselho alheio? Muito difícil isso! Claro, óbvio, que eu não estou de jeito nenhum considerando aqui situações em que crianças estejam correndo risco de morte ou sofrendo algum tipo de abuso. Neste caso, eu daria um jeito de intervir de alguma forma.

Impossível escrever este post sem lembrar que fui bastante julgada em alguns comentários no texto que fiz sobre a menina que ficou sozinha no vôo enquanto a mãe estava na primeira classe. Muita gente me chamou de omissa, dizendo como assim eu não fiz nada? Dizendo, inclusive, que eu também abandonei a criança (!). O fato é que apesar da situação, sob o meu ponto de vista, ter sido bem triste, a criança não estava sofrendo nenhum risco, não estava chorando e ela recebeu ajuda do rapaz que estava ao lado dela e que foi um verdadeiro anjo da guarda. Poderia ter sido eu a fazer a vez de cuidadora da criança, mas o rapaz desconhecido foi muito bacana com ela. 

E por que eu não abordei a mãe pra saber, como assim você vai deixar uma criança de seis anos aqui e vai sentar em outra parte do avião? Eu não perguntei nada para a mãe porque sinceramente eu fiquei com muito receio dela me dar uma resposta atravessada de-que-eu-não-tenho-nada-com-a-vida-dela. Eu não quis arriscar passar por isso. 

Eu não sei se você vai também me acusar de omissa e realmente eu não tenho uma resposta do que cada uma de nós deve fazer nestes casos. Este é sinceramente um texto inconclusivo pra mim. Mas que eu gostaria demais de abrir o debate pra saber a opinião de vocês. E ai? Sobre dar ou não conselhos quanto à maternidade, o que você faz? 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 12 anos, e de Alice, de 6. Eles moram em Washington-DC. Certa vez, com a Alice com 2 anos, ela ouviu de uma mãe (e fez cara de paisagem) que era um absurdo criança usar brincos tão pequena. 

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